quinta-feira, 25 de abril de 2013

Capitulo 27 - O cupido visita Elvira

Paula estava abraçada a filha junto ao belo jardim da mansão da Sheron. Ela estava feliz e conversando enquanto olhavam as formas da nuvem no céu.
- Eu acho que aquela ali parece uma maçã. - Diz Clara rindo.
- A não. Parece um ônibus. Tem até uma mulher muito gorda lá dentro. Não vê?
Clara olha para mãe estranhando e percebe que ela estava brincando e não via nada daquilo.
- A sua bobona. - Diz ela rindo e se levantando do chão e começando a fazer cocegas na mãe. Ela ri.
De repente surge Elvira com a filha nos braços.
- Precisam de alguma coisa dona Paula?
Paula ainda rindo se levanta graças a parada que Clara dá por se surpreender com o bebê no colo de Elvira. Ela se vira e fala:
- Eu não sabia que você tinha uma filha.
- Tenho sim. - Diz Elvira com um sorriso e se senta no gramado com Paula e Clara. - O nome dela é Milene.
- É muito linda. - Diz Clara emocionada. E se vira com um grande sorriso para Elvira. - Posso segurar?
- Pode.
Clara pega dos braços de Elvira com carinho e estranha.
- Nossa. Ela está quente.
Paula encosta a mão na cabeça do nenê e fala:
- Eu já falei para Elvira levar essa menina ao médico. Mas não me esculta.
- Eu vou dar um banho nela e se não melhorar eu juro que levo dona Paula.
Ela pega a menina dos braços de Clara e vai para dentro da grande mansão. Clara se vira para a mãe e pergunta:
- Mãe, aonde está o pai de Milena?
Paula fazendo uma careta fala:
- Clarinha, a minha história e da Elvira não são muito fáceis de serem contadas. Nos duas nos vimos em uma situação muito difícil nos Estados Unidos. E juntas nos ajudamos.
- Ela também foi presa, junto com a senhora e o seu amante.
Paula vira os olhos e com calma explica para a filha.
- Por mais que não acreditem eu não era amante do Leandro. Eu apenas fui com ele. Atravessamos o México dentro de um caminhão, fugimos da policia por um rio e chegamos do outro lado. Mas lá que iriamos encontrar o pesadelo.
Fui com o Leandro para a casa desse primo dele. E ele nos prendeu dentro de casa e fizeram muita maldade com agente. Aquele homem era maluco. Depois de muito sofrimento consegui fugir e chamar a policia. Íamos ser deportados porém ficamos famosos por ter ficado tantos anos nas mãos de um psicopata. E consegui fazer um dinheiro com tanta publicidade. E num dia encontrei a Elvira. Ela queria a vaga de minha secretária particular. Contratei-a sem saber que estava gravida. Mas logo desconfiei e ela me contou sua história.
Ela veio do Brasil para ser empregada doméstica numa casa da família de um homem muito famoso e  rico. O filho desse homem com apenas dezesseis anos se apaixonou por ela. E Elvira cedeu aos desejos do rapaz. Quando ela soube que estava gravida resolveu sair do emprego. E não contou nada para o jovem. Iria destruir a vida dele, e o pai com certeza não iria apoiar um casamento, isso se o menino quisesse. Resolveu fugir e achou meu anuncio.
Quando ela recebeu telefonemas do jovem resolveu vir para o Brasil comigo. Esperamos o bebê nascer e vinhemos.
Clara olha incrédula para a mãe  e pergunta:
- Que tipo de maldade que o primo de Leandro fazia com vocês?
Paula sorrindo disfarçando a tristeza fala:
- Isso são coisas que é melhor serem esquecidas. E você? Já falou com seu pai? Ele vai me perdoar.
- Não sei mãe. - Diz Clara se levantando e sacudindo a grama de seu vestido. - Meu pai ultimamente nem conversa direito comigo. Não gosta que eu venha aqui. Se sente traído por mim.
Paula fala nervosa:
- Não era para ser assim Clara. Quando chegasse lá eu ia ligar. Eu ia conseguir dinheiro pra gente viver uma vida boa aqui e voltava no máximo em alguns anos. Mas não espera virar escrava lá. Não tive acesso a telefone por mais de doze anos. Não tinha como avisar.
- Mas ele que precisa entender isso. Porque você não vai até lá e conta para ele mãe? - Pergunta Clara ajudando a mãe a levantar também do gramado e começam a caminhar pelo jardim.
- Eu não sei Clara. Tenho medo dele me expulsar ou falar algo que me machuque.
- Isso não vai acontecer. - Diz Clara abrindo um sorriso. - O papai te ama. Se não teria arrumado outra mulher enquanto a senhora estava fora.
Paula também um sorriso e se pergunta:
- Será?
De repente Elvira aparece vindo da porta da cozinha novamente assustada:
- Dona Paula a Milene está tremendo toda. Eu vou leva-la ao pronto socorro.
Paula se vira para ela e fala:
- Eu vou pegar o carro e vou te levar. Clara você não se importa?
- Claro que não mãe. Vão logo, eu tranco a mansão.
Paula e Elvira entram dentro do carro que estava a poucos quilômetros e saem apressadas.
- O que será que essa menina tem? - Pergunta Paula apavorada dirigindo o carro.
Logo estavam de frente ao médico. Ele com um sorriso calmo fala:
- É só uma gripe atoa. Fiquem tranquilas.
- Que bom doutor. - Diz Elvira colocando a mão no peito e a outra mão segurando a bebezinha na maca do hospital tomando soro.. - Fiquei com o coração na boca.
- Sua filha já está medicada. Fique tranquila. - Fala o médico com carinho.-  Ela só vai tomar esse soro e depois poderá ir para casa. O pai da criança vem buscar?
Elvira riu constrangida e Paula falou:
- A bebê não tem pai. Mas eu vou leva-la.
De repente o telefone celular toca. E os três procuram em seus bolsos. Mas Paula fala:
-É o meu. - Diz ela pegando o celular na bolsa e colocando no ouvido. - Oi?
- Mãe. É a Clara. - Diz a voz da menina do outro lado da linha.
- O que foi filha? Algum problema?
- Sim. Eu não consigo trancar a casa e eu vou me atrasar para a igreja com o meu pai. Ele vai ficar uma fera. Ainda vai demorar ai?
- É só girar a tranca filha.
- Não consigo mãe. Será que não pode deixar aberto. Se eu faltar no culto da igreja hoje meu pai nunca mais vai me deixar ir para sua casa.
Paula nervosa olha para Elvira e o bebê tomando soro e pergunta para o médico.
- Doutor ainda vai demorar muito.
- Uma hora mais ou menos e estão liberadas. Porque? - Responde o médico.
- É que eu vou ter de deixar você ai Elvira. Minha filha não deu conta de trancar a mansão. - Diz Paula constrangida.
- Sei como é que é. Tem umas manhas para trancar. - Fala Elvira demonstrando que compreende.
- E se a Jaime ficar sabendo que deixei nossa filha sozinha naquela mansão vai ficar uma fera.
- Vai amiga. Eu vou embora de apé mesmo.  - Fala Elvira demonstrando que estava tudo bem.
- Não senhora. - Diz o médico que ainda estava ali. - Quando o soro terminar, daqui uma hora, eu vou terminar meu plantão e eu dou uma carona para você.
- Não precisa...
Paula sorrindo percebe que o médico se interessou pela mãe solteira.
- A doutor, você ia me fazer um grande favor levando minha amiga para casa.
- Paula! - Diz reclamando Elvira.
- Pode deixar. Pode ir dona Paula. Eu vou leva-la. - Diz o médico rindo.
Paula coloca o telefone no ouvido e fala com carinho para a filha:
- Daqui dois minutos eu estou ai filha. Já estou chegando. - E sai pelo corredor do hospital deixando Elvira e o médico sozinhos e envergonhados.
- Que isso doutor? Não precisa se incomodar de me dar uma carona. - Fala Elvira vermelha.
- Não vai ser incomodo algum.
- Mas o senhor nem me conhece.- Diz Elvira abaixando os olhos nervosa.
- Sei que seu nome é Elvira, que tem uma filha e que é solteira. Isso já me fez gostar muito da senhora.
Elvira sorrindo finalmente percebe que o médico estava interessado nela. Ela então toma um ar atrevido.
- Mas agora sou eu que não conheço o senhor.
- Meu nome é Horácio Nue Penz. Médico de Erotildes a dez anos. Muito prazer. - Diz ele esticando a mão. - Quando estiver terminando meu plantão eu venho tirar o soro da sua filha e nos vamos embora.
Ele sai deixando Elvira sorrindo.

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