quarta-feira, 3 de abril de 2013

Capitulo 3 – A conversa com Juliana.

Jaime chega à sua loja na rodoviária ao lado de sua filha e já abre a loja.
- Pai, eu vou para casa.
- Não vai nada. Vai ficar aqui me ajudando.
- Mas pai é ilegal criança trabalhar sabia?
- Agora você é criança? Quando é para sair para festinhas na casa da Isabela você não é nada criança. Além do mais você não vai trabalhar coisa nenhuma. Vai ficar ai sentada até dar seis horas para agente ir embora.
- Mas pai...
Jaime para de falar quando uma bela mulher desse de um carro muito luxuoso. E para seu desespero ele reconhece a mulher. Era Paula. Ela se aproximando tira os grandes óculos escuros que tapava o rosto e fala:
- Olá Jaime.
- Paula é você?
Clara que estava abaixada sentada num banco atrás do balcão ao ouvir o nome se levanta apavorada. Paula também se assusta com a menina e com os olhos claros cheios de lágrimas fala:
- Filha? Clara?
- Quem é essa mulher pai? - Diz Clara com voz ressentida.
Jaime hipnotizado deixando lagrimas cair fala:
- Depois de tanto tempo. Porque agora? Porque voltou?
Clara balança o pai o acordando.
- Ela é a minha mãe pai?
Jaime segura a mão da filha. E Paula se senta em uma das cadeiras próximas ao balcão para não cair.
- Eu voltei minha filha.
- O que aconteceu? Porque nos deixou... - Pergunta Clara sentida.
- Sem nenhuma explicação. Nenhum bilhete... Nenhuma carta. - Completa Jaime nervoso.
- Eu tive meus motivos Jaime. E explicarei tudo que puder. Venha jantar em minha casa hoje à noite. Comprei antiga casa de dona Sheron.
- A mansão? - Pergunta Clara assustada.
- Sim. Eu mudei muito e melhorei muito de vida desde que sai daqui de Erotildes.
Jaime segurou aquela dor aguda no peito e respirava com dificuldade. Paula coloca o óculos novamente no rosto  e fala se preparando para ir embora.
- Até mais Jaime. Espero que vocês venham a minha casa.
Paula sai entrando novamente no carro no banco de trás. Alguém dirigia aquele carro. Pai e filha ficam atrás do balcão sem reação nenhuma.  Ofegante também, Clara se vira para o pai e fala:
- Nos vamos. Não é?
Jaime cai sentado na cadeira e fala:
- Não sei Clarinha. Não sei mesmo. Eu vou ligar para o Renato.
- Por quê? O que ele tem a ver com isso pai?
- O Renato é um homem muito sábio minha filha. Ele vai saber o que fazer.
- E o senhor já pegou o número dele.
- Vou ligar para dona Leandra.
Ele pega o celular e liga. Logo Leandra atende.
- Oi? Jaime?
- Dona Leandra. A senhora está com o Renato? – Pergunta ele aflito.
- Sim. Estamos indo no caminho indo ver a Juliana. Aconteceu alguma coisa.
- Sim. A Paula apareceu aqui.
- A Paula?
Caminhando de baixo de sol quente e no chão de terra da cidade de Erotildes, Renato e a mãe iam para a delegacia.
- Já vai. – Leandra entrega o telefone para o filho falando. – A Paula voltou.  O Jaime precisa de você.
- Jaime? – Pergunta Renato colocando o telefone no ouvido. E já falando. – Respira fundo amigo. E me conta.
- Renato ela voltou. E está rica. E quer que agente vá jantar com ela. Ela está na mansão da Sheron. O que eu faço? Estou a ponto de ficar louco.
- O primeiro passo Jaime é se acalmar. Você está em meio a fortes emoções. E deve estar rancoroso com Paula. Mas primeira coisa é você pensar na Clara. Pergunta para ela se ela estará preparada para essa visita. E sei que pelo menos uma chance de se explicar a Paula precisa.
- Será que vai fazer bem para a Clara ver a mãe depois de tanto tempo.
- Esconder dela é o que vocês não podem.  Veja o que ela quer. O que deseja. Depois você decide o que faz. Mas primeiro se acalme.
-A Clarinha está confusa. Não sei o que dizer para ela.
- Se ela não sabe o que aconteceu, o primeiro passo é contar tudo Jaime. Não tente mostrar apenas seu lado e não jogue Clara contra a mãe. Isso vai dificultar muito as coisas no futuro. Você ainda não viu o outro lado. Tente contar de uma forma realista. Dizendo o que aconteceu e não como você se sente em questão disso.  Ela não precisa lidar também com suas emoções. A dela já estão bem afloradas.
- Está certo Renato. Vou tentar fazer o que me disse.
- Depois do jantar passe aqui na casa da minha mãe que quero saber o que aconteceu. Estaremos te esperando.
- Pode deixar. Obrigado Renato. Nem sabe como foi importante você voltar numa hora dessas. Tchau.
- Tchau. E relaxe. Tudo tem um motivo para acontecer Jaime.
Renato desligou o telefone e estava de frente a delegacia. Ele olha para Leandra e os dois segurando a mão entram.
Na recepção estava um rapaz branco de cabelos encaracolados e barba por fazer se levanta assim que vê Leandra chegar.
- Dona Leandra.
- Werner. Tudo bem meu filho?
- Que bom que conseguiu trazer o Renato pra cá de novo. – Diz ele com um leve sorriso nos lábios.
- Graças a Deus, Deus me devolveu meu anjo. – Diz ela acariciando os cabelos do filho.
- Minha mãe fez bolo para a Juliana viu.
- Que bom. A Maria sempre com um bom coração.
- O Daniel está lá dentro.
- Obrigada Werner.
A delegacia era menor que a casa de dona Leandra. Tinha três cômodos. A recepção com uma bancada e um banco de madeira para as pessoas aguardarem no dia de visita. Tinha o outro cômodo que era onde tinha três celas separadas. E dentro daquele cômodo um pequeno escritório com  paredes envidraçadas a prova de som e dentro duas escrivaninhas.
Ao passar pela sala das selas na ultima sela perto da única janela do prédio estava Juliana. Que ouvir os passos de alguém entrando apenas olhou para mãe e o irmão e abaixou a cabeça novamente. Ela estava sentada no beliche e com o olhar baixo e caído. Seus cabelos estavam mau tratados e mau lembrava a menina que Renato tinha deixado.
 Numa das escrivaninhas estava Daniel. Um homem alto, magro e com os cabelos começando a ficarem grisalhos.  Ele ao ver dona Leandra sorri e se aproxima e abre a porta dando para ouvir o barulho forte do ar-condicionado.
- Entre dona Leandra. Como vai Renato. Quanto tempo.
Quando os dois entram Daniel fecha a porta. Leandra se senta numa das cadeiras na frente da escrivaninha de Daniel e Renato senta-se na segunda cadeira dando visão direta para a sela de Juliana. Ela parecia querer demonstrar nenhuma emoção mas sempre seus olhos caiam nos do irmão.  Daniel se senta em seu lugar. E começa a falar:
- Voltou hoje mesmo Renato?
- Sim. Agora cedo.  – Responde ele com paciência. – Daniel o que aconteceu com minha irmã?
- O Tuca e o Caio estavam investigando uma casa que foi denunciada que estava tendo pessoas estranhas entrando lá dentro. E a Juliana foi encontrada num carro com uma arma e vários quilos de cocaína. Quando eles reconheceram quem era, trouxeram logo pra cá desmanchando o disfarce para ver quem era o fornecedor.
- Mas ela estava indo para essa casa? Ou estava dentro dessa casa?
- Estava chegando nessa casa. Tentou fugir. Mas quando bateu o carro falou que não sabia o porquê de estar sendo presa.  E pareceu muita surpresa quando revistamos o carro e achou a droga e a arma.
- Ela fala o que?
- Que o carro é da amiga dela.  E que estava fazendo um favor para ela.
- Amiga? A Drica?
- Sim. Mas ela deu parte do roubo do carro há três dias. E disse que não era mais amiga de Juliana.
- E o que você acha que é verdade o que é mentira.
Daniel olhou para Leandra e respirando fundo falou:
- Acho que Juliana  nessas festinhas da Drica acabou se envolvendo com drogas . Para sustentar o vicio acabou roubando  o carro da amiga e começou a fazer servicinhos para os traficantes.
Leandra se descontrola e fala:
- Como pode pensar uma coisa dessas da minha filha Daniel. Ela é uma moça descente. Sei que estava tendo problemas. Mas ela jamais se envolveria com tipo de gente como esse.
- Mãe calma. O Daniel só está analisando os fatos.  – Renato se levanta e abraçando a mãe fala: - Eu vou resolver isso mãe. Prefiro que você fique aqui enquanto converso com Juliana. Vou ver o que ela fala.
Daniel se levanta e fala:
- Se você conseguir que ela fale quem é o fornecedor Renato eu agradeceria.
- Me desculpe Daniel. Não posso tirar conclusões precipitadas. Mas não acho que minha irmã seja uma traficante de drogas.  Mas vou conversar com ela e verei o que posso fazer.
Renato sai da sala do delegado e vai para ruma da sela de Juliana. Ela se levanta e olha firme para Renato.
- Olá Juliana.
Ela parecia se controlar. Seus olhos teimavam em não deixar cair lagrimas. Sua respiração era difícil.
- O que veio fazer aqui? Rir da minha cara? Mostrar como venceu na vida e eu estou aqui. Destruída? Dizer eu te avisei?
- Vim para ajudar Juliana...
- A claro... – Diz ela com ignorância. – O santo veio salvar a pátria.
- Juliana pare com essa arrogância e me mostre como posso te ajudar.
- Me arrumando um bom advogado. Porque acho que os bolinhos de chuva que minha mãe trás para o Daniel não estão adiantando muito.
- O que você estava fazendo dentro daquele carro Juliana?
- Dando um passeio. – Diz ela com um sorriso triste. – Você nos largou a mercê e depois quer vir para cá e voltar a ser o super homem? – Diz ela desfazendo o sorriso e recostando a cabeça nas ferragens. – Eu precisei de você. Eu precisei do meu irmão tantas vezes e você não estava aqui.
- Não importa o que aconteceu Juliana. Não vai adiantar nada achar um culpado para tudo isso.  Temos e que tirar você dessa barra para ajudar a mamãe. O pai está mau e ela está se fazendo de forte, mas por dentro está desmoronando.
- Porque vem falar isso pra mim que estou aqui numa delegacia. Fala pro idiota do Bruno que está livre. A não. Eu esqueci. Ele está preso aquela vagabunda.
- Não fale assim Juliana. Não julgue os outros.
- Você vem falar isso pra mim? Eu estou sendo julgada por um crime que não cometi! A nojenta da Drica me emprestou o carro para eu vir chamar um amiguinho dela naquela casa para irmos para uma festa. Mas ela queria era me ferrar.
Renato olha firme para Juliana. Ela estava sendo bem convincente.
- Tem alguma idéia porque a Drica seria capaz de fazer isso com você?
Juliana desvia o olhar e fica branca. E começa a gaguejar.
- Eu? Eu... Eu não sei Renato. Talvez ela não queria ser mais minha amiga.
- Você está me escondendo algo Juliana. Eu vou entrar nessa por você e preciso ter certeza de que está me falando tudo.
Juliana abaixa os olhos.
- Por que não vai lá conversar com ela. Eu vou te passar o endereço.

Luana chega no quarto de seu Diogo com um copo de água e um remédio nas mãos.
- Chegou a hora de tomar seu remédio seu Diogo. Pode ir acordando. – Diz ela com carinho.
- Não está na hora não Paloma.  – O velho colocando as cobertas por cima do rosto.
- Eu cuido do senhor há muito tempo seu Diogo. E sei exatamente o horário dos seus remédios.  E eu não sou Paloma. Meu nome é Luana e sou filha do Thiago. Primo da sua esposa. Lembra? Mudei-me para ai do lado pra ajudar melhor a dona Leandra.
- Esposa? – Diz ele se levantando e com cara de quem não sabe. – Eu não sou casado.
- Não? Então quem é aquela senhora bondosa que te ajuda todos os dias?
- Ela não é bondosa coisa nenhuma. – Diz Diogo nervoso. – Você sabe disso Paloma. Ela é sua mãe.  E ela não quer que agente case.
- Quem é essa Paloma seu Diogo? – Pergunta Luana interessada.
- É você sua boba. – Diz ele pegando com carinho na mãe de Luana. Luana percebe que por trás dessas alucinações tinha uma história. E sabia que Leandra nem perguntava por ficar chateada do marido a chamar pelo nome de outra. Com carinho ela assume o papel de Paloma.
- Ninguém te engana mesmo. Não é? Mas se não tomar esse remédio eu vou ficar muito chateada. E não volto mais pra te ver.
Ele tomou e Luana pegou o copo e ia levar para a pia quando vê Leandra chegando da sala.
- Já chegou dona Leandra?
- Sim minha filha. Cheguei.
- E o Renato?
- Foi visitar uma amiga da Juliana. Ele quer ajudar a irmã.
- Renato é muito atencioso mesmo com a família. Por isso sentiram tanta falta dele.
-Como foi que o meu velho lhe tratou?
- Muito bem. Chamou-me novamente de Paloma.
- Ele vem com essas idiotices pra cima de mim. E nem ligo.
- Ele falou que essa Paloma tinha uma mãe, que o proibiu de se casar com a filha dela.
- Eu não gosto de saber dessas coisas Luana. Já basta de bagunça na minha cabeça.
- Mas dona Leandra. Se pudéssemos trazer essa tal de Paloma pra ele ver. Talvez ele pare com esses transtornos e volte a ser como antes.
- Isso é só imaginação dele Luana. As vezes essa moça nem existe de verdade.
- Mas não custa tentar dona Leandra.  A senhora conhece algum familiar dele? Um tio? Um primo? Um irmão?
- O Diogo sempre foi sozinho no mundo,  Luana. Os pais só o tiveram. Mas tem uma ex-vizinha dos pais dele que está viva. Quem sabe ele não pode ajudar.
- Já é alguma coisa. Me passa o endereço dela dona Leandra.
- Pra que você vai mexer nisso menina?
- Pra ajudar a senhora.
- Ela mora de esquina com a igreja com um neto. Ela está muito velhinha.
- Obrigada dona Leandra. Vou dar um jeitinho lá em casa antes que o pai chegue do serviço e vou correndo ir falar com essa senhora.
- O nome dela é Alessandra.
- Obrigada mais uma vez dona Leandra. – Luana sai correndo para sua casa. E Leandra fica sozinha pensando:
“Dei tudo para esse velho e agora ele fica querendo outra no fim da vida. Quanta ingratidão.”

Enquanto isso Jaime fechava a loja com ajuda da filha. E os dois entram dentro da caminhonete para voltarem para casa. Jaime fala.
- Não acho uma boa idéia agente ir.
Clara olha assustada para o pai:
- Por que pai? Eu queria tanto ir.
- Não Clara. Está decidido não vamos a esse jantar com a sua mãe.
- Por quê?
- Porque ela nos abandonou Clara. Quando você mais precisava de uma mãe ela não esteve presente. Agora que já é uma mulher ela quer se aproximar.
- Mas o Renato te aconselhou a ir.
- Ele sempre me aconselhou a muita coisa Clarinha. Mas nem sempre preciso seguir. – Jaime por dentro pensa: “ Se bem que todas as vezes que eu não segui seu conselho eu acabei me dando mau.” Com tristeza ele lembra: “ Um desses conselhos era para não se casar com Paula.”
- Pai não é justo.  Eu sempre quis entrar na mansão da Sheron.
- Todo mundo sempre quis entrar na mansão da Sheron. Até eu. Menos com sua mãe lá dentro.
Clara fica com cara fechada até chegar em casa.

Renato caminha em direção de onde estava a casa. As ruas de Erotildes raramente se viam carros. Todo mundo andava por ela era caminhando já que tudo era muito perto um do outro. E todos se conheciam. E caminhando pelas ruas Renato vê Bruno. Ele varria o terreiro de uma casa que não tinha muros. Ele também vê Renato.
- Irmão?
- Bruno. – Dize ele com carinho se aproximando do irmão e o abraçando. – Que saudade.
- Desculpa não ter ido te buscar. Mas a Cláudia comprou um sofá novo e tive que ficar esperando ele chegar.
- Não importa. O Jaime me deu uma carona. Está desempregado?
- Esse é meu emprego meu irmão. Eu cuido da casa enquanto a Cláudia trabalha no escritório da Patrícia.
- A Patrícia? Ela tem alguma empresa.
- Formou em advocacia em Satsil, voltou e montou um escritório e chamou a Cláudia para ser sua assistente.  Já que Claudia pretende fazer a faculdade também.
- Enquanto isso você cuida da casa. – Diz Renato sem sinal de tristeza ou desapontamento o que agradou o irmão.
- Sim. Muitos não vêem isso com bons olhos. Inclusive a mãe.
- Ela não me contou. Mas o importante é você estar feliz. Você está feliz meu irmão?
- Sou muito feliz ao lado de Claudia. Ela é uma mulher que me completa. Mas o que me deixa triste é a implicância da minha mãe com ela. Por causa disso nem ando freqüentando muito a casa dela.
- Ela só está querendo fazer a parte dela como mãe. É normal que se preocupe. Para muitos o modo de ser feliz tem que ser só o modo que eles acham certo. Não tem como uma pessoa ser feliz de um modo que para eles, eles seriam tristes. Entende?
- Sei disso. Mas ela deveria confiar em mim de vez em quando.
- Como que podemos confiar nas decisões que nossos filhos tomam Bruno. Se muitas vezes nem nos confiamos nas decisões que nos tomamos. Então seja mais tolerante com a mãe. Ela está precisando muito da gente. Com a Juliana na cadeia e o pai daquele jeito.
- Eu sei. É que me sobra muito pouco tempo. Essa casa é enorme e não parece. Mas os serviços de casas exigem muito do nosso tempo.
- Eu acho que sempre podemos nos organizar para sobrar um tempinho para a família. Nem que seja uma horinha vai visitar minha mãe. Aposto que já vai ajudar muito.
- Tudo bem Renato. Eu vou ver o que vou fazer. A onde você está indo?
- Estou indo ver uma amiga da Juliana. Quem sabe ela não pode ajudar a Juliana a entender esse mal entendido.
- Qual é o nome dela?
- Drica.
- Drica? Drica Brito?
- Sim. É esse o nome por quê?
- Será que vão te deixar entrar lá?
- Por quê?
- Drica Brito é esposa do irmão do prefeito de Erotildes.  E eles não gostam de receber visitas. Moram na mansão do prefeito.
De repente um carro para de frente a casa deles. E Cláudia desse do carro.  Uma mulher magra, cabelos longos e castanhos, olhos firmes e vestida com capricho.
- Oi amor. Eu esqueci uns documentos... – Ela pareceu nem ver Renato. Mas Bruno lhe chama a atenção.
- Amor. Esse é meu irmão Renato. Lembra-se?
- Ou. Oi Renato. Ele ia chegar hoje mesmo. Eu tinha me esquecido. E acabei deixando a entrega do sofá novo pra hoje. Porque não me lembrou Bruno? Assim não haveria empecilho para você buscá-lo.
- Depois agente conversa sobre isso Cláudia. – Diz Bruno entre os dentes disfarçando.
- Pelo menos o sofá chegou?
- Ainda não...
- Que merda! – Grita ela nervosa e indo pra dentro. – Vou acabar com aquela fresca da Cissa! Me prometeu que ia chegar hoje!
Bruno aparentemente envergonhado fala:
- Me desculpe Renato. A Cláudia é um pouquinho estourada com esses negócios de casa. Sabe?
- Comprendo meu irmão. A paciência é algo que devemos plantar a cada dia e demora muitos dias para ser tornar uma árvore forte cheia de folhas. Mas com a árvore vem seus frutos. Lembre-se.
- É. Meu fruto é minha esposa. Tive que ter muita paciência com minha mãe.
- Agora preciso ir. Mais tarde eu ligo para você pra gente conversar meu irmão. Até mais.
-Até.
Renato continua a andar e passa de frente ao supermercado do seu Ricardo. Ele na frente da loja sem fregueses o cumprimenta.
- E ai Renato. Finalmente voltou em?
- Boa tarde seu Ricardo. Como anda a vida?
- Vou levando. Cheio de problemas como sempre.  Mas agente tem que seguir. Não é? Não tem outra escolha.
- A vida é muito boa seu Ricardo. Agente é que não sabe vive-la como se deve.
Renato vai embora deixando Ricardo olhando para a casa de Bruno. E de repente chega sua esposa Fernanda com o olhar curioso.
- O que você ta olhando homem?
- A Cláudia viu o irmão do Bruno. Vai implicar com o coitado até mesmo.
- Pare com isso! Ouviu uma vez os dois brigando quando passava pela calçada deles e agora acha que a mulher é um monstro.
- Dona Leandra reclama pra mim toda vez quando passa aqui. A mulher não deixa o filho fazer nada.
- Ninguém obriga ninguém a fazer nada o que não queira Ricardo. E um dia essa fofocaiada ainda vai te dar uma rasteira.
- Vira essa boca pra lá mulher. O que eu faço demais? Só estou comentando com você.
- Mentira, que já vi você fofocando pra dona Leandra das brigas. Isso ajudou em que a mulher? Fez foi alimentar mais a imagem de monstro que ela tem da nora.
- Onde a fumaça tem fogo Fernanda e se a própria sogra acha disso da nora é porque a mulher não é flor que se cheire.
- Ninguém é bom o bastante para o filho da gente Ricardo. Você deveria saber disso. O Otaviano veio pedir a mão da nossa filha em casamento e você não deixou. A Ana Beatriz ficou toda chateada.
- O homem tem idade para ser pai dela Fernanda.
- Que exagero. Se tem cinco anos a mais que nossa filha é muito.
- Não admito. A Ana Beatriz tinha que ser mais como a Cristiana. Essa sim. Está todo dia aqui ajudando o pai na venda.
- A Ana Beatriz também. Só que ela estuda. Coisa que a Cristiana nunca foi interessada.
- Pra que ela quer estudo se vai herdar o mercado. Não precisa de estudo.
- Só um homem muito ignorante para pensar nisso. E você nem perguntou para ela se ela quer ficar aqui no mercado. Ana Beatriz sonha em ser atriz. E vai estudar  e quando terminar  vai mudar para Satsil e vai entrar na academia de teatro.
- Só por cima do meu cadáver.
Daniel, o delegado entra no supermercado e chega perguntando:
- Tem pão fresco ai seu Ricardo?
- Tem sim Daniel. – Diz ele correndo para trás do balcão e pegando os pães.
- Então corre que o Werner está com uma baita fome. E o Tuca e o Caio acabaram de chegar.
- Toma ai Daniel. – Diz ele entregando para  Daniel os pães.
- Separa mais quatro pães para eu levar para a Thania, que ela já me falou que está com desejo de comer pão com ketshup.
- Vai ser esse mês não? – Diz Fernanda com um lindo sorriso.
- Sim. Mal posso ver a cara do meu filho.
- É tão bom ver você chamando ele de filho. Muitos homens não teriam uma atitude com a sua. – Diz Ricardo fazendo o sorriso desaparecer do rosto de Daniel.
- Ele não tem culpa do que aconteceu seu Ricardo. E afinal de contas já perdoei a Thania.
Daniel sai nervoso. E Ricardo fica rindo. A esposa seria balança a cabeça triste.
- Lá vai um corno manso mesmo.
- Que absurdo Ricardo. Como pode dizer isso de um homem tão bom quanto o Daniel.
- Mas mulher... Homem que perdoa mulher traidora é o que? Corno manso.  – Diz ele rindo.

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