Elvira sentada no quarto da enfermaria do hospital olha para sua linda bebezinha, agora rosada e felizinha. Apenas com a visão macabra da agulha no bracinho do bebê. Mas Elvira olhava aquela linda criança e sozinha na sala lembrava de como se deixou levar por aquela aventura momentânea que a trouxe aquele lindo presente.
Lembrou-se de quando entrou pelo quarto para fazer a primeira arrumação após ser contratada e viu Kenny dormindo. Ela ia para fechar a porta. Mas ficou olhando para ele por um bom tempo.
Depois vendo ele andar de toalha pela casa. Elvira também passou a perceber os olhares dele para ela.
Mas foi numa noite de sua folga. Elvira tinha se arrumado para sair com um outro rapaz que tinha conhecido no curso de inglês que estava fazendo. Ela se arrumou e desceu as escadas da casa da família. Kenny estava na sala vendo televisão juntos dos pais. Quando ele a viu seus olhos brilharam diante da beleza dela. Ela usava um vestido muito justo e uma maquiagem que disfarçava as imperfeições do rosto.Ele não soube disfarçar o que estava sentindo. Após ela sair para se encontrar com o outro rapaz no restaurante próximo da casa, ele foi atrás. E antes que ela entrasse no restaurante ele a agarrou e a levou para o beco do lado do restaurante. Elvira se entregou aos beijos do rapaz. E ali começou um romance. Assim que os pais saiam para as festas da sociedade Kenny levava Elvira para seu quarto.
Mas Elvira numa noite, depois de fazer um teste, descobriu que estava gravida. Não tinha outro jeito. Teria que fugir. Deixou uma carta agradecendo aos pais de Kenny e uma outra na cama dele. Uma bela carta mencionando que não poderiam ficar juntos. Mas ela não mencionou que estava grávida.
Se mudou para um quarto que alugara, e sabia que deveria ficar por pouco tempo pois os donos da casa eram muito conservadores. Logo encontrou o anuncio de Paula no jornal. Era um sonho, trabalhar para uma brasileira tão famosa como Paula Pereira. Conseguindo o emprego ela estava segura. Ainda mais que Paula descobriu que ela estava gravida e a acolheu mesmo assim. Mas uma noite, um telefonema tirou o sossego de Elvira. A voz de Kenny soou pelo telefone:
- Hello? This phone I talk with Elvira?
Ela reconheceu a voz na hora. Não poderia esquecer. Sabia que Paula pretendia vir para o Brasil. Elvira estava com duvidas. Mas isso deu força para ela ir junto. Depois que Milene nasceu elas vinheram para o Brasil. Paula para reconquistar o marido e Elvira para fugir do pai de sua filha.
- Estou atrapalhando seus pensamentos? - Diz Horácio batendo na porta, entrando e acendendo a luz. Ele não estava mais com as roupas de médico. Já estava com uma roupa comum, uma camiseta polo, de cor azul clara, a gola com dois botões era um rosa bem claro. Os dois botões da camisa estava aberto deixando aparecer uma medalhinha de ouro. Uma calça jeans e um tênis preto dava mais impressão de normalidade o que surpreendeu Elvira. Horácio percebe e fala rindo: - É eu sou um ser humano também.
- Desculpa mas é que agente vê um médico vestido todo de branco se surpreende quando...
Horácio vai até o bebê e com delicadeza retira o soro da menina de um jeito que ela nem acorda.
- Vamos?
- Sim. - Diz ela pegando a bolsa na cadeira e Milene que finalmente abriu os olhinhos, mas se virou para junto do peito da mãe e reclamando um pouquinho acabou cochilando mais uma vez.
O hospital agora estava um pouco quieto, e andando pelo corredor da enfermaria percebe como as horas passaram rápidas e já estava anoitecendo. O corredor vazio ia acendendo as luzes a cada passo que Elvira e Horácio iam passando. Elvira estava tímida e ficou ainda mais depois de sua ultima fala para o médico. Mas Horácio acaba com o silencio enquanto caminhavam para o elevador.
- Aqui fica estranho quando está nesse horário. Mais tarde até fica mais movimentado.
- Porque esse horário não fica movimentado?
- Não sei. Sempre foi assim. - Fala eles entrando no elevador e Horácio apertando o botão do elevador escrito "Subsolo".
Elvira animada por voltar a ter assunto fala:
-Será que nos outros hospitais é assim?
- Eu nasci em Satsil. E lá o hospital era movimentado todo o tempo. Erotildes é mais calma.
-Você nasceu em Satsil?
- Não. Meus pais eram daqui. Fui para lá depois que minha mãe morreu. E voltei depois que meu pai morreu.
Eles saem do elevador entrando na garagem.
- Nossa, devem ter morrido muito cedo.
- Sim. - Diz ele apertando um controle grudado na chave do carro, fazendo um barulho muito alto na garagem, fazendo Milene pular no braço da mãe. Mas logo ela volta para o cochilo. Eles caminham em direção ao carro que fez barulho - Minha mãe morreu depois que meu irmão caçula por parte de mãe nasceu. Deu complicações no parto. Eramos cinco irmãos. E todos fomos morar na casa dos meus avos maternos em Satsil.- Ao se aproximar do carro, Horácio aperta mais um botão no controle destrancando o carro. Ele abre a porta do carona para Elvira entrar com o bebê, da a volta para sentar no banco do motorista e sai da garagem entrando na cidade iluminada pelas estrelas e luz dos prédios a distancia. - Meu pai se casou novamente com uma mulher que já tinha uma filha. Com ela teve mais cinco filhos. No nascimento do quinto filho, a segunda esposa de meu pai também morreu. Todos os cincos foram morar na casa dos meus avos também, mesmo não sendo avos deles. A única que ficou morando com ele foi a filha da segunda esposa dele. Já tinha quinze anos e passou a viver nas costas do meu pai até quando ele morreu.
Pegou de herança a mansão que ele tinha em Satsil e mora lá com seu marido. Um homem aleijado que ela não cansa de trair com cada homem que aparece na rua.
Elvira olha assustada para Horário e ele sorrindo para ela enquanto dirigia pelas ruas de Erotildes, fala:
- Desculpe, eu precisava desabafar um pouco. Meus irmãos são bem afastados um do outro. E acho que foi por isso que a megera da Firmina conseguiu ganhar a tal mansão no julgamento. Acho que se agente fosse um pouco mais unido...
- Não adianta doutor. - Diz Elvira sabiamente. - Se não era para ser, não era para ser. Pelo que vejo ela não deve viver uma vida feliz. Ninguém é feliz casando com um homem que não ama. E muito menos o traindo. As vezes se vocês tivessem ganhado essa mansão, eram vocês que estariam com uma vida tão perdida como a dela. Aposto que você se sente mais feliz que ela com a vida que leva.
Horácio sorri e se vira para Elvira.
- Você tem razão. Apesar de ainda não encontrar alguém para dividir a vida. Me sinto muito feliz no meu emprego aqui em Erotildes. Consegui comprar uma casinha e terminar a minha faculdade por meus méritos próprios Lógico que tive de vez em quando uma ajudinha dos meus avós, mas eu sou muito feliz.
- Para sua felicidade completa falta só uma pessoa para dividir a vida? - Pergunta Elvira tomando uma audácia que nunca tinha tido antes.
Horácio carinhosamente fala:
- Sim. Eu não tenho muito tempo sendo médico. E muitas mulheres não entendem isso. Querem o homem só para ela. Ele não pode ter outra coisa para fazer a não ser para sustenta-la no horário em que deseja.
- Meu problema também é parecido. - Ele esperou que ela contasse qual era o problema. Mas ela não falou e ele se virou e falou:
- Me conte qual é a sua história. - Ela fica meio receosa e ele ainda cutuca. - Você deve ter algum podre na sua história...
- Não é isso! - Diz ela rindo.
- E na minha você acha que não teve? Pois vou te contar um podre então. Eu sou fanático em ouvir a conversa dos meus vizinhos.
- O que? - Fala Elvira espantada soutando uma rizada.
- É verdade. Teve um tempo, durando a faculdade que minha televisão estragou. E eu passei é a ouvir a conversa dos meus vizinhos. Eu moro em apartamento e as paredes são muito finas. A casa tem dois casais e eu acho que eles vivem um relacionamento a quatro.
- Como assim?
- Eu juro! Eles trocam de casais de vez em quando. Eles vivem como um casal normal só que a quatro. Achei super moderno. As contas são dividas em quatro em vez de ser em dois. Dá para acreditar? O pior é que uma das mulheres engravidou e não sabem quem é o pai.
- Horácio você não tem jeito!
- Até hoje não mandei arrumar minha televisão.
Ela ri um pouco. E depois respirando fundo fala:
- Eu sai da casa dos meus pais com uma proposta de trabalhar nos Estados Unidos. Fui para lá. Trabalhei de doméstica na casa de uma família muito rica. O filho do meu patrão se apaixonou por mim. E acabou rolando algo. Esse algo virou na minha pequenininha aqui. Sai de lá sem contar para ninguém que estava grávida e voltei para o Brasil.
- O pai não sabe?
- Ele é uma criança praticamente Horácio. Não teria como lidar com essa situação. Na verdade o pai dele é que iria lidar com essa situação e com certeza da pior forma possível. Acho que se eu ouvisse do pai dele que teria que tirar, eu arrancava o pescoço dele. Achei melhor evitar tudo isso e voltar para o Brasil.
- Você foi muito corajosa. - Diz Horácio firme.
- Eu corajosa? Eu fui uma vadia, isso sim.
- Você foi um ser humano que teve desejos. Que errou por não se precaver. E arcou muito bem com a sua responsabilidade.
Elvira olhou para Horácio por alguns segundos e sorriu logo depois.
- Nossa, ninguém nunca tinha falado algo assim pra mim. - Ela abaixa o olhar triste ajeitando o bebê no seu colo. - Fui tão julgada. Não foi fácil procurar um emprego. Tive sorte de encontrar a dona Paula. Ela me ajuda muito. Nem sinto que seja um trabalho o que faço para ela. Ainda não tive coragem de ligar para os meus pais.
- Você faz isso por que tem peso na consciência Colocado ai por uma sociedade machista e idiota que pensa que mulher só é boa quando é pura. Você tem um valor Elvira. Tem coragem de assumir as consequências de seus erros. E isso poucas mulheres tem. E quem vai poder mostrar isso pra você é seus pais. Chegamos.
Elvira olha para o lado. Tinha mesmo chegado na mansão da Sheron. Mas não tinha falado pra ele o endereço.
- Mas como você soube? Fiquei tão perdida na conversa que nem te contei aonde eu moro.
- É porque meu apartamento é esse ai da frente. E todos iam perceber a movimentação no assombrado casarão da Sheron. A chegada de você de da Paula são o assunto mais comentado do prédio.
- Jura? Então você espia também os seus vizinhos quando o quarteto do seu lado não está?
- É. Tem algumas vezes que eles saem para jantar. E passei a olhar para o casarão. - Diz ele com um sorriso sedutor.
- Obrigada por me trazer Horácio. Foi muito divertido sua carona. Espero te ver mais vezes.
- No hospital nunca mais. - Diz ele rindo.
- Não. Talvez num jantar, amanhã a noite?
- Pode ser. Até mais. - Diz ele saindo do carro e abrindo a porta para Elvira sair. Ela sai e fica olhando para ele enquanto dirigir o carro pelo prédio.
Elvira segurando seu bebê
Lembrou-se de quando entrou pelo quarto para fazer a primeira arrumação após ser contratada e viu Kenny dormindo. Ela ia para fechar a porta. Mas ficou olhando para ele por um bom tempo.
Depois vendo ele andar de toalha pela casa. Elvira também passou a perceber os olhares dele para ela.
Mas foi numa noite de sua folga. Elvira tinha se arrumado para sair com um outro rapaz que tinha conhecido no curso de inglês que estava fazendo. Ela se arrumou e desceu as escadas da casa da família. Kenny estava na sala vendo televisão juntos dos pais. Quando ele a viu seus olhos brilharam diante da beleza dela. Ela usava um vestido muito justo e uma maquiagem que disfarçava as imperfeições do rosto.Ele não soube disfarçar o que estava sentindo. Após ela sair para se encontrar com o outro rapaz no restaurante próximo da casa, ele foi atrás. E antes que ela entrasse no restaurante ele a agarrou e a levou para o beco do lado do restaurante. Elvira se entregou aos beijos do rapaz. E ali começou um romance. Assim que os pais saiam para as festas da sociedade Kenny levava Elvira para seu quarto.
Mas Elvira numa noite, depois de fazer um teste, descobriu que estava gravida. Não tinha outro jeito. Teria que fugir. Deixou uma carta agradecendo aos pais de Kenny e uma outra na cama dele. Uma bela carta mencionando que não poderiam ficar juntos. Mas ela não mencionou que estava grávida.
Se mudou para um quarto que alugara, e sabia que deveria ficar por pouco tempo pois os donos da casa eram muito conservadores. Logo encontrou o anuncio de Paula no jornal. Era um sonho, trabalhar para uma brasileira tão famosa como Paula Pereira. Conseguindo o emprego ela estava segura. Ainda mais que Paula descobriu que ela estava gravida e a acolheu mesmo assim. Mas uma noite, um telefonema tirou o sossego de Elvira. A voz de Kenny soou pelo telefone:
- Hello? This phone I talk with Elvira?
Ela reconheceu a voz na hora. Não poderia esquecer. Sabia que Paula pretendia vir para o Brasil. Elvira estava com duvidas. Mas isso deu força para ela ir junto. Depois que Milene nasceu elas vinheram para o Brasil. Paula para reconquistar o marido e Elvira para fugir do pai de sua filha.
- Estou atrapalhando seus pensamentos? - Diz Horácio batendo na porta, entrando e acendendo a luz. Ele não estava mais com as roupas de médico. Já estava com uma roupa comum, uma camiseta polo, de cor azul clara, a gola com dois botões era um rosa bem claro. Os dois botões da camisa estava aberto deixando aparecer uma medalhinha de ouro. Uma calça jeans e um tênis preto dava mais impressão de normalidade o que surpreendeu Elvira. Horácio percebe e fala rindo: - É eu sou um ser humano também.
- Desculpa mas é que agente vê um médico vestido todo de branco se surpreende quando...
Horácio vai até o bebê e com delicadeza retira o soro da menina de um jeito que ela nem acorda.
- Vamos?
- Sim. - Diz ela pegando a bolsa na cadeira e Milene que finalmente abriu os olhinhos, mas se virou para junto do peito da mãe e reclamando um pouquinho acabou cochilando mais uma vez.
O hospital agora estava um pouco quieto, e andando pelo corredor da enfermaria percebe como as horas passaram rápidas e já estava anoitecendo. O corredor vazio ia acendendo as luzes a cada passo que Elvira e Horácio iam passando. Elvira estava tímida e ficou ainda mais depois de sua ultima fala para o médico. Mas Horácio acaba com o silencio enquanto caminhavam para o elevador.
- Aqui fica estranho quando está nesse horário. Mais tarde até fica mais movimentado.
- Porque esse horário não fica movimentado?
- Não sei. Sempre foi assim. - Fala eles entrando no elevador e Horácio apertando o botão do elevador escrito "Subsolo".
Elvira animada por voltar a ter assunto fala:
-Será que nos outros hospitais é assim?
- Eu nasci em Satsil. E lá o hospital era movimentado todo o tempo. Erotildes é mais calma.
-Você nasceu em Satsil?
- Não. Meus pais eram daqui. Fui para lá depois que minha mãe morreu. E voltei depois que meu pai morreu.
Eles saem do elevador entrando na garagem.
- Nossa, devem ter morrido muito cedo.
- Sim. - Diz ele apertando um controle grudado na chave do carro, fazendo um barulho muito alto na garagem, fazendo Milene pular no braço da mãe. Mas logo ela volta para o cochilo. Eles caminham em direção ao carro que fez barulho - Minha mãe morreu depois que meu irmão caçula por parte de mãe nasceu. Deu complicações no parto. Eramos cinco irmãos. E todos fomos morar na casa dos meus avos maternos em Satsil.- Ao se aproximar do carro, Horácio aperta mais um botão no controle destrancando o carro. Ele abre a porta do carona para Elvira entrar com o bebê, da a volta para sentar no banco do motorista e sai da garagem entrando na cidade iluminada pelas estrelas e luz dos prédios a distancia. - Meu pai se casou novamente com uma mulher que já tinha uma filha. Com ela teve mais cinco filhos. No nascimento do quinto filho, a segunda esposa de meu pai também morreu. Todos os cincos foram morar na casa dos meus avos também, mesmo não sendo avos deles. A única que ficou morando com ele foi a filha da segunda esposa dele. Já tinha quinze anos e passou a viver nas costas do meu pai até quando ele morreu.
Pegou de herança a mansão que ele tinha em Satsil e mora lá com seu marido. Um homem aleijado que ela não cansa de trair com cada homem que aparece na rua.
Elvira olha assustada para Horário e ele sorrindo para ela enquanto dirigia pelas ruas de Erotildes, fala:
- Desculpe, eu precisava desabafar um pouco. Meus irmãos são bem afastados um do outro. E acho que foi por isso que a megera da Firmina conseguiu ganhar a tal mansão no julgamento. Acho que se agente fosse um pouco mais unido...
- Não adianta doutor. - Diz Elvira sabiamente. - Se não era para ser, não era para ser. Pelo que vejo ela não deve viver uma vida feliz. Ninguém é feliz casando com um homem que não ama. E muito menos o traindo. As vezes se vocês tivessem ganhado essa mansão, eram vocês que estariam com uma vida tão perdida como a dela. Aposto que você se sente mais feliz que ela com a vida que leva.
Horácio sorri e se vira para Elvira.
- Você tem razão. Apesar de ainda não encontrar alguém para dividir a vida. Me sinto muito feliz no meu emprego aqui em Erotildes. Consegui comprar uma casinha e terminar a minha faculdade por meus méritos próprios Lógico que tive de vez em quando uma ajudinha dos meus avós, mas eu sou muito feliz.
- Para sua felicidade completa falta só uma pessoa para dividir a vida? - Pergunta Elvira tomando uma audácia que nunca tinha tido antes.
Horácio carinhosamente fala:
- Sim. Eu não tenho muito tempo sendo médico. E muitas mulheres não entendem isso. Querem o homem só para ela. Ele não pode ter outra coisa para fazer a não ser para sustenta-la no horário em que deseja.
- Meu problema também é parecido. - Ele esperou que ela contasse qual era o problema. Mas ela não falou e ele se virou e falou:
- Me conte qual é a sua história. - Ela fica meio receosa e ele ainda cutuca. - Você deve ter algum podre na sua história...
- Não é isso! - Diz ela rindo.
- E na minha você acha que não teve? Pois vou te contar um podre então. Eu sou fanático em ouvir a conversa dos meus vizinhos.
- O que? - Fala Elvira espantada soutando uma rizada.
- É verdade. Teve um tempo, durando a faculdade que minha televisão estragou. E eu passei é a ouvir a conversa dos meus vizinhos. Eu moro em apartamento e as paredes são muito finas. A casa tem dois casais e eu acho que eles vivem um relacionamento a quatro.
- Como assim?
- Eu juro! Eles trocam de casais de vez em quando. Eles vivem como um casal normal só que a quatro. Achei super moderno. As contas são dividas em quatro em vez de ser em dois. Dá para acreditar? O pior é que uma das mulheres engravidou e não sabem quem é o pai.
- Horácio você não tem jeito!
- Até hoje não mandei arrumar minha televisão.
Ela ri um pouco. E depois respirando fundo fala:
- Eu sai da casa dos meus pais com uma proposta de trabalhar nos Estados Unidos. Fui para lá. Trabalhei de doméstica na casa de uma família muito rica. O filho do meu patrão se apaixonou por mim. E acabou rolando algo. Esse algo virou na minha pequenininha aqui. Sai de lá sem contar para ninguém que estava grávida e voltei para o Brasil.
- O pai não sabe?
- Ele é uma criança praticamente Horácio. Não teria como lidar com essa situação. Na verdade o pai dele é que iria lidar com essa situação e com certeza da pior forma possível. Acho que se eu ouvisse do pai dele que teria que tirar, eu arrancava o pescoço dele. Achei melhor evitar tudo isso e voltar para o Brasil.
- Você foi muito corajosa. - Diz Horácio firme.
- Eu corajosa? Eu fui uma vadia, isso sim.
- Você foi um ser humano que teve desejos. Que errou por não se precaver. E arcou muito bem com a sua responsabilidade.
Elvira olhou para Horácio por alguns segundos e sorriu logo depois.
- Nossa, ninguém nunca tinha falado algo assim pra mim. - Ela abaixa o olhar triste ajeitando o bebê no seu colo. - Fui tão julgada. Não foi fácil procurar um emprego. Tive sorte de encontrar a dona Paula. Ela me ajuda muito. Nem sinto que seja um trabalho o que faço para ela. Ainda não tive coragem de ligar para os meus pais.
- Você faz isso por que tem peso na consciência Colocado ai por uma sociedade machista e idiota que pensa que mulher só é boa quando é pura. Você tem um valor Elvira. Tem coragem de assumir as consequências de seus erros. E isso poucas mulheres tem. E quem vai poder mostrar isso pra você é seus pais. Chegamos.
Elvira olha para o lado. Tinha mesmo chegado na mansão da Sheron. Mas não tinha falado pra ele o endereço.
- Mas como você soube? Fiquei tão perdida na conversa que nem te contei aonde eu moro.
- É porque meu apartamento é esse ai da frente. E todos iam perceber a movimentação no assombrado casarão da Sheron. A chegada de você de da Paula são o assunto mais comentado do prédio.
- Jura? Então você espia também os seus vizinhos quando o quarteto do seu lado não está?
- É. Tem algumas vezes que eles saem para jantar. E passei a olhar para o casarão. - Diz ele com um sorriso sedutor.
- Obrigada por me trazer Horácio. Foi muito divertido sua carona. Espero te ver mais vezes.
- No hospital nunca mais. - Diz ele rindo.
- Não. Talvez num jantar, amanhã a noite?
- Pode ser. Até mais. - Diz ele saindo do carro e abrindo a porta para Elvira sair. Ela sai e fica olhando para ele enquanto dirigir o carro pelo prédio.
Elvira segurando seu bebê
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