quinta-feira, 4 de abril de 2013

Capitulo 8 - Um outro mundo

No meio da escuridão da mansão em que Paula conversava com sua filha, Clara depois de tanto longe, uma mulher negra de cabelos crespos e curtos olhava para a cena. Ela fecha a porta do quarto e fala:
- O que essa intrometida quer aqui? Eu não gosto dela Ailton.
A mulher está numa biblioteca escura e sombria. E outra pessoa sai em meio a escuridão. Um jovem muito branco e magro.
- Eu sei que não madame.
Uma terceira mulher surge vindo da janela com roupas de domesticas do século passado.
- Porque não senhora Sheron? Não vê como sua história foi triste?
- Que história que nada. - Diz Sheron nervosa. - História triste é a minha que morri e nem fiquei sabendo o que aconteceu, tive que ficar aqui presa nesse casarão com dois incompetentes que não me ajudam em nada. E agora vem uma invasora tomar minha mansão.
- Ela não sabe que estamos aqui madame. - Diz a domestica submissa.
- Eu sei que ela não sabe Roberta. - Diz a mulher nervosa. - Mas eu vou dar um jeito dela saber.
- Pode contar comigo madame. - Diz Ailton sério.
Sheron sai da biblioteca e deixa os dois sozinhos.
- Ela não pode ficar pensando nessas coisas Ailton. Vai ficar cada vez mais nervosa e extressada.
Ailton sai da pose e fala:
- Você é muito idiota Roberta. Quer perder esse castelo enorme e ir para a rua. Pois é isso que vai acontecer se nos sairmos daqui.
- Não é verdade Ailton. Todos vivem muito bem morando com os vivos? Porque só a dona Sheron não pode dividir a casa dela?
- Porque ela não quer. E eu não quero também. E temos direito!
- Deixa eu ir. Que não tem pão para amanhã. E a Sheron vai ficar uma fera se a banca do seu Fábio tiver fechada.
Roberta sai da mansão atravessando a parede e atravessa o jardim com a maior naturalidade. Na rua várias pessoas andavam como se fosse de dia e elas usavam roupas de várias épocas diferentes. Grande parte Roberta cumprimentava com alegria.  E desse a rua até onde é a banca de Ricardo. Lá está fechado e tudo escuro. Mas quando Roberta atravessa a porta o supermercado não era supermercado e sim um tipo de bar antigo. Várias pessoas cada uma com roupa de uma época diferente, todos gritando e bebendo. Roberta vai até o balcão aonde um sujeito muito parecido com Ricardo estava.
- Bom noite Fábio.
- Boa noite Roberta. - Diz ele com um grande sorriso. - E ai? Como a Sheron reagiu com os primeiros moradores na mansão dela?
- Pior impossível Fábio. - Diz ela chateada. - Ela não entende a super população que o mundo está tendo.
Uma senhora gorda que ria junto da amiga fala:
- Eu ouvi dizer que no Japão já estão morando no fundo do oceano.
- É o jeito não é. Mas aqui na cidade está lotado. E a Sheron não percebe isso.
Fábio entrega os pães para Roberta e fala:
- Ela não quer nem humanos morando lá.
Fábio fala:
- Eu moro na mesma casa que meu filho desde que morri e eles nunca nos viram.
A senhora gorda fala novamente:
- Isso é lenda. Tando desse lado quanto do outro.
- Você que é gente boa Fábio. Deixa esse mundarel de gente morar aqui. - Fala Roberta com carinho. - Deixa eu ir que a Roberta deve estar com fome.
Roberta sai do bar e ao sair encontra um jovem rapaz. Roberta nem o reconhece. Mas logo volta o rosto para ele e surpresa fala:
- José? É o senhor?
Ele abre um belo sorriso e fala:
- Sou eu sim Roberta. Eu decidi voltar a ser jovem.
- Meu Deus e como a dona Arabela reagiu? - Pergunta Roberta alegre.
- Como sempre não gostou. - Diz ele fechando a cara. - Aquela velha não gosta de nada. Diz que eu quero é me separar dela. Por isso estou ficando novo.
- Mas é seu direito seu José. A imagem é sua e você faz dela o que você quiser. E com quem você fez?
- Um indiano maluco do meu serviço. - Diz José sorrindo. - Ele achou a técnica na internet e fez comigo. Ouvi dizer que pesquisadores estão tentando é mudar a roupa que vestimos.
- Mas acho que não vai adiantar não seu José. Em tantos anos ninguém conseguiu trocar de roupa. Não vai ser agora que vai ser.  Deixa eu ir. - Diz ela rindo e se despedindo do amigo.
De repente por trás de José surge uma senhora de cara mucha e nervosa.
- Você acha que eu não vi né Zé?
José se vira e sai para dentro do bar e sobe os degraus para cima da casa com a velhinha nervosa do lado dele.
- Eu desconfiava desde o inicio você com essa piranhinha da Roberta! - Eles sobem os degraus e deixa Fábio no balcão olhando contrariado enquanto limpava uns copos em cima do balcão.
- Esses dois de novo brigando. - Diz Fábio nervoso.
A senhora gorda fala para Fábio.
- Não é fácil quando só um escolhe rejuvenescer Fábio. E sua mãe não é fácil Fábio.
- Meus pais nunca se deram bem. Não sei como ficaram juntos a mãe de cem anos. Quando não dá certo mais tem que largar. Igual eu e a Araí. Afinal de contas a promessa foi até que a morte nos separe.

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