Luana termina de limpar a casa e logo seu pai, Thiago chega. Ela sorri vendo a filha guardar o material de limpeza e a casa toda limpa e fala:
- Sua mãe ficaria orgulhosa de ter uma filha tão dedicada como você Luana.
- Desculpa pai ter demorado tanto arrumar a casa. É que o Renato chegou hoje, e a dona Leandra pediu para eu ficar com o seu Diogo para poderem ir ver a Juliana.
- Não tem problema Luana. Sempre quando minha prima lhe pedir, pode largar tudo e ir.
Luana com meiguice se vira para o pai e fala:
- Pai eu gostaria de sair um pouco. Vou ver uma ex-vizinha do seu Diogo. Para ver se ela conhece uma tal de Paloma. Ele não para de falar esse nome. E eu acho que se ele encontrar essa mulher. Quem sabe ele não melhora.
- Se você acha que vai ajudá-lo Luana, pode ir. Mas antes das nove quero você em casa.
- Certo pai. – Diz ela rindo e dando um beijo no pai e saindo. Quando sai de casa encontra Renato .
- Renato? Foi ver a amiga de sua irmã?
- Pelo jeito elas não são tão amigas assim como a Juliana me falou.
- Porque não?
- A garota não me recebeu.
- E quem ela é?
- Drica Brito.
- Drica Brito? – Pergunta Luana assustada. - Ela é a mulher mais poderosa de Erotildes. Ela é cunhada do prefeito. Enquanto a primeira dama fica criando obras de caridade Drica cuida dos negócios da cidade.
- Ela é a mulher por trás do prefeito. E quem é o prefeito da cidade.
- Vladimir Brito. Ele venceu as eleições contra Stenio Guimarães e de uma forma estranha. Todos da cidade faziam propaganda para Stenio e Vladimir ganhou de lavada. Na época das eleições foi que Sidney, irmão de Vladimir, conheceu Drica. Nisso ela largou de ser amiga minha e sua irmã foi correndo atrás dela.
- Você era amiga da Drica?
- Sim, dela e da Juliana. Drica e Juliana eram inseparáveis apesar de Drica ser de família rica. Eu que só tinha a Juliana da minha idade comecei a andar com as duas. Mas Drica me esnobava e eu parei de andar com as duas. E a Drica fazia coisas que eu não gostava.
- Como o que?
- Ela traiu o ex-noivo dela com o Sidney. Sergio era doutor em ciências da Faculdade de Satsil e toda semana vinha para passar o final de semana com ela. Dava presentes e tudo mais. E ela o traiu com o Sidney. Foi muito triste para ele.
- E o que aconteceu com ele?
Luana abaixou o olhar triste.
- Ele suicidou. Era muito apaixonado pela Drica.
- Minha nossa.
- Drica não é boa pessoa Luana. E é bem capaz de ter feito o que Juliana falou mesmo. Tenho que ajudar minha irmã.
- Que bom que você está disposto a isso Renato. Agora me deixe ir. Vou ir ver uma ex-vizinha do seu pai. Quero ver se encontra essa tal de Paloma. Quem sabe seu pai a vendo não melhora.
- Jura que você vai fazer isso?
- Mas é claro.
- Então aguarde alguns minutos que eu vou avisar minha mãe e vou ir com você.
Renato corre até em casa e fala:
- Mãe!
- O que foi Renato? Aconteceu alguma coisa?
- Vou sair com a Luana. Daqui a pouco estou aqui.
- Mas meu filho, você nem comeu nada. Deve estar com fome.
- Eu como no caminho. – Diz ele saindo correndo.
Leandra olha rindo para o filho. Será que Renato e Luana iriam começar um romance. Era boa moça. E era da família.
Renato e Luana caminham pela rua iluminada pela lua. Varias pessoas caminhavam por lá também. Renato rindo fala:
- Nunca pensei que iria fazer amizade com minha irmã. Vocês não eram muito intimas.
- Você era meu amigo Renato. Depois que foi embora me senti muito sozinha. Tive que tentar arrumar novas amizades. Mas vi que não valia à pena. Drica só falava de assuntos fúteis. Melhor sozinha do que mal acompanhada.
- Sozinha? Não teve mais amigos depois disso?
- Não. Passei a me dedicar mais em ajudar sua mãe. Foi um período difícil para ela. O Bruno estava casando e Cláudia não estava facilitando a separação de mãe e filho.
- Cláudia não pareceu ser uma pessoa tão má assim.
- Ela não tem tanta proximidade com a família como a dona Leandra queria.
- Não são todos que precisam de tanta proximidade com a família. Não podemos pensar que todos são como agente. Tem pessoas que são mais solitárias e precisam mais da família. Mas tem gente mais independentes, que acham que a proximidade demais atrapalha no progresso pessoal.
- Mas não acho certo ele deixar a mãe num momento como esse. Juliana presa e o pai doente.
- Não são todos que tem disponibilidade de largar a vida e ir socorro sempre quando precisamos . Mesmo sendo nossa mãe que precisa. E aposto como o Bruno está ajudando de alguma forma.
- Sim. Os remédios do seu pai para ele se acalmar são comprados por ele.
- Bruno está fazendo o que pode. Minha mãe que está querendo usar isso para aproximar mais o filho. Mas ele tem a vida própria dele.
- Renato você vê tudo de uma forma tão crua. Você não pensa na saudade que sua mãe sente de vocês. Não lhe dá dó dela?
- Dó é um sentimento muito ruim Luana. Podemos ajudar da melhor forma que podemos e não devemos sentir dor por algo que não podemos fazer. Eu só consegui vir para cá porque é minhas férias. Porque se não, não dava para eu vir. Com certeza iria ver com meu chefe alguns dias de folga para poder vir conversar com a mamãe. Mas não ia poder ficar tanto tempo como agora. Tenho meus compromissos e outras pessoas que precisam de mim também.
- Você tem razão. Eu sofro tanto por ver meu pai sofrer pela morte da minha mãe, que tento ocupar o vazio que ela deixou. Porém é impossível. Vou continuar a fazer as coisas que faço, mas não vou mais sofrer pelo que deixo de fazer.
De repente os dois chegam de frente a uma casinha velha. O barulho alto da televisão vem lá de dentro. Renato pergunta:
-É aqui?
-É o endereço que sua mãe me passou.
Renato tomando a iniciativa bate palma.
-Ô de casa? - Grita Renato.
-Pra que gritar assim Renato? - Pergunta Luana constrangida.
-Pelo barulho da televisão, essa senhora só pode ser surda.
De repente uma senhora abre a porta e fala:
-Quem desejam?
-Queremos falar com dona Alessandra. É a senhora? - Pergunta Luana aos berros com a senhora do lado.
-Sim sou eu mesma? O que desejam? - Pergunta a senhora irritada com a altura que Luana falava.
-Pedimos informação sobre um ex-vizinho seu. O Diogo!!!! Fala Luana ainda gritando.
A velhinha nervosa fala:
-Está bem. Menina. Eu já entendi. Não precisa ficar gritando. Eu não sou surda.
A velhinha se senta e fala mais calma:
- O que querem saber sobre Diogo?
- Ele é meu pai. E está muito doente. - Fala Renato com calma e se sentando no peitoril da área. - E fica chamando um nome que não sabemos quem é.
- Paloma Alves. É esse o nome que seu pai fala, não é? - Fala a idosa com um sorriso inigmático.
- É esse sim. É o nome que ele vive repetindo. - Fala Luana com um grande sorriso que deixou Renato encantado.
- Pois bem. Quando me mudei para Erotildes com meu marido querendo sossego encontrei completamente ao contrario. Diogo era um menino arteiro que mijava no meu muro e fazia algazarra com a meninada. Quando na adolescência não foi diferente. Empinava a moto na rua de casa fazia uma barulheira infernal. Até que chegou Paloma Alves na nossa rua. Era uma menina muito dedicada que cuidava da mãe solteira. Logo ele ficou fascinado por ela. Mas ela não queria nada com aquele garoto mau encarado. E para conquista-la ele largou tudo. Amigos, bebida e até vendeu a moto. Se tornou um elegante homem. E arrumou um serviço de meio periodo numa lanchonete e voltou a estudar. Isso encantou Paloma. E logo começaram a namorar.
Porém Vera, a mãe da menina era muito possessiva. E aprontou poucas e boas para a filha não se casar. Mas Paloma era forte. E chegou a marcar a data do casamento. Mas alguma coisa aconteceu e faltando três dias para o grande dia...
- O que? O que aconteceu dona Alessandra? - Pergunta Luana com os olhos estartalados na história.
- Ela e a mãe foram embora sem nem darem noticia. Se mudaram de madrugada. Eu ouvi o caminhão. Mas o Reinaldo, meu marido, não me deixou levantar da cama.
- Tenho certeza que a Vera levou a filha a força. - Diz Luana com raiva.
- E a senhora não recebeu nenhuma noticia para onde elas foram? Elas não disseram para ninguém? - Pergunta Renato.
- Procurei os vizinhos, mas ninguém sabia. Diogo ficou desolado e teve que ser internado por muito tempo. Entrou em depressão e tudo. Coisa que na época nem sabiam o que era. Até que conheceu uma jovenzinha que veio do interior com a mãe, a tia e o primo. A mãe dessa mesmo sendo viúva não era igual a outra. Adorou que se casassem e fizeram uma bela festa na igreja.
- Essa é minha mãe. - Diz Renato com um sorriso bobo no rosto.
De repente uma voz veio do fundo da casa:
- Alessandra! Vem cá muié!
- Ô Jesus amado. - Diz a velhinha se levantando rápido. - O Reinaldo acordou. Deixa eu ir que se não esse homem fica maluco.
Ela entra para dentro e tranca a porta deixando Renato e Luana sozinhos sentados na área de sua casa. Eles parecem não se importar e só se viram um para o outro. Luana fala:
- Que história mais triste.
- Parece que meu pai está querendo terminar a história inacabada a tempos atrás.
- Temos que faze-lo se reencontrar com a Paloma. Mas não sei como vamos saber aonde ela se enfiou. - Fala Luana preocupada.
- A dona Alessandra parece que apenas perguntou para os vizinhos aonde ela foi. A casa simplesmente não foi largada. Deve ter sido vendida. Ou se tivermos sorte era apenas alugada. E com certeza a pessoa que comprou a casa ou alugou para a dona Vera, deve saber aonde ela foi.
- Amanha cedo virei aqui ver essa história.
- Eu também virei com você. Mas depois teremos que ir até a prefeitura ver se consigo falar com irmão do prefeito. Ele pode fazer a tal de Drica falar comigo para ajudar minha irmã.
- Certo. Combinado.
E assim eles caminham de volta para casa.
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