Um grande e bonita sala de jantar. Uma mesa do século passado. Bandejas e taças de prata muito elegantes. E uma linda mulher, com um longo vestido roxo sentava na cabeceira da mesa. Seus cabelos ruivos estavam arrumados num lindo coque deixando mexas cair sobre o rosto pálido e os olhos azuis tristes.
Ela toma mais uma taça de vinho, olhando triste para o resto que sobrou no fundo e balança o copo diante dos olhos. Ela abaixa a taça e olha para os dois lugares vazios do seu lado esquerdo. Suspira de tristeza.
Uma linda moça, magra e com uniforme de empregada aparece ao portal todo trabalhado e desenhado de madeira. E pergunta com voz triste:
- A senhora quer que eu tire a mesa dona Paula?
Paula se vira para a empregada e fala:
- Pode ir embora Elvira. Eu organizo tudo por aqui.
- Não posso dona Paula. O seu Eliano falou que era para ficar com a senhora até dormir.
Paula se levanta da cadeira aonde estava e vira-se para a empregada com um sorriso.
- Eu não vou contar para ele. Você vai?
Paula ficando constrangida aperta os dedos. E Paula se aproximando da jovem moça e segurando suas mãos fala:
- A Milene deve estar precisando de você. Vai.
A cena muda para Paula na porta de saída do grande jardim da mansão da viúva Sheron, como sempre será chamada, se despedindo de Elvira que já estava com outros trajes, calça jeans e uma blusa branca, e com uma mochila nas costas indo embora da mansão.
Paula dá tchau para a empregada e amiga e a vê saindo virando a rua escura. Paula está para fechar a porta quando vê um vulto em meio ao portão. E concentra os olhos e vê ninguém menos que a própria filha.
Paula corre pelo jardim e vê a menina tímida e com o olhar triste.
- Clara! Você veio?
Paula abre o portão e coloca a filha para dentro. E logo o sorriso se desfaz.
- Sozinha? Cadê seu pai?
Clara com olhar triste para a mãe fala:
- Você não vai contar para ele vai?
- Você está gelada. Vamos entrar.
De frente a uma grande lareira vitoriana sentadas num tapete persa. E Clara enrolada num cobertor de pele de animal falso.
- Eu queria vir. Meu pai não queria deixar.
- Não foi certo o que você fez Clara. - Diz a mãe seria. - Seu pai deve estar preocupado.
- Quem é você pra dizer o que é certo ou errado. - Diz Clara com rancor assustando Paula e a deixando com rubor no rosto.
- Clara eu...
Clara deixando lagrimas cair dos olhos e olhando firme para a mãe pergunta:
- Porque você me abandonou? Porque deixou meu pai? Porque não me levou?
Paula deixa também lagrimas cair dos olhos.
- Filha as coisas não são tão fáceis de explicar. Eu me sentia presa a uma vida que não era pra ser minha. Eu me sentia...
- Porque você não me levou. Você não me queria.
Paula respira fundo e fala:
- Agente faz coisas sem pensar de vez em quando filha. Agente se controla tanto para nos mantermos na linha sem deixar ninguém triste. Que de repente explode. Quando agente vê já está com carregando suas malas em direção ao nossos sonhos.
- Você não me respondeu a minha pergunta mãe. Porque não me levou.
- Porque você era parte dessa vida Clara. Parte da vida que eu não queria.
- A senhora só pensou em você! - Diz Clara rancorosa.
- Eu pensei pela primeira vez em mim Clara. Eu sempre minha vida toda eu pensei só nos outros. No que iam falar, no que iam pensar. Eu não suportava mais ter que me diminuir para satisfazer a vontade dos outros. Eu não aguentava mais não ser eu só porque os outros não gostariam de quem eu era.
Clara se levanta deixando o cobertor no chão. E se vira para as paredes nervosa.
- E agora? O que veio fazer aqui? Porque não nos deixou em paz?
- Porque eu mudei Clara. Eu percebi que não vália a pena eu ser eu se não tiver que eu amo. Mas quando eu arrependi já era tarde.
Clara se virou surpresa. Tinha algo que ela não estava contando.
- O que aconteceu? Como ficou rica?
- A um preço que ninguém ia querer minha filha. Eu fugi de Erotildes com o Leandro um vizinho nosso. Ele sempre estava chegando também quando vinha da casa de onde eu trabalhava como camareira. E vinhamos do começo da rua até aqui conversando. E ele me alegrava com suas histórias engraçadas. Suas reclamações da vida, que eram as mesmas que a minha. Um dia me contou que iria para os Estados Unidos tentar a vida. Já tinha dois amigos lá que iriam ajuda-lo. E eu como por impulso decidi ir com ele também. Larguei tudo e fui embora. Nunca tinha tido nada com ele, como muitos pensam. Mas quando cheguei lá esses dois amigos nos prenderam e passaram a usar agente como escravos. - Paula abaixou o rosto triste e fala: - Eles fizeram monstruosidades com agente. Até que consegui escapar e avisei a policia. O caso tomou repercussões na mídia. Mas menti meu nome, já que meus documentos foram queimados pela dupla.
Apareci em programas de televisões famosos, e usei isso para me favorecer. Fiquei sendo uma grande estrela lá. Ia em festas chiques e ganhei muito dinheiro com publicidade. Passei a andar com homens poderosos. Até que conheci Eliano. Ele girou minha cabeça a 180°. Eu passei a ver a vida com outro olhos. Ele me fez ver os erros do passado. E vi que tinha que corrigi-los. E é por isso que voltei Clara. Para ajudar vocês. Leva-los para viver comigo em Nova York com o bom e o melhor. Eliano é um grande amigo que aceitou-se casar comigo por pura amizade, para não ficar falada com os encontros que tínhamos que era uma pura aula do que era certo e o que era errado. E está preparando os papeis da separação caso seu pai resolva voltar comigo. Filha eu sou uma outra pessoa. E quero que vocês aceitem a vida que tenho como suas também. Quero reparar todo erro que tive.
Clara fica paralisada e chocada.
- Você acha que meu pai pode aceitar isso? - Pergunta Clara com inocência.
- Eu quero sua ajuda Clara. Eu sou uma nova mulher e quero que seu pai perceba isso. E se apaixone por mim novamente.
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