Um homem barbudo e cabelos longos encaracolados abre a porta de uma casa humilde mais muito bem arrumada. Uma senhora está sentada na poltrona vendo televisão. Quando ela vê o rapaz sorri e fala:
- Demorou Werner, o que aconteceu?
- Fui numa festinha com o Tuca e o Caio. - Diz ele se sentando no sofá.
- Festinha? - Estranha a mãe nervosa.
- Sim mãe. Uma festinha na casa de uma garota. Foi bem legal.
A mãe se aproxima cheirando o filho.
- Não tinha bebida não, né filho?
- É claro que tinha mãe. Mas não gosto. A senhora sabe disso. E fiquei pouco tempo. Não gosto desse tipo de festa.
- Ainda bem meu filho. Seu pai ia revirar no túmulo se soubesse que você tava se embriagando. - Ela vai até a cozinha falando:
- Eu vou esquentar a sua janta viu filho.
- Não precisa mãe. Eu comi coisas na festa.
- Pra você aguentar o trabalho duro na delegacia precisa muito mais do que petiscos de festa.
- Não era petiscos de festas mãe. Eu vou tomar banho e dormir.
- Espera! Nem me contou como foi a ida do Renato na delegacia. A dona Leandra me ligou contando. Coitada, tem que pedir pros filhos ajuda. Nenhum toma iniciativa. Mas também não cuidou direito dos filhos, dá nisso.
- Se a dona Leandra te contou então não tenho mais nada o que te contar.
- Entregou o bolo que fiz pra Juliana.
- Sim mãe. Agora posso ir?
- Sim filho. - Diz a mulher se sentando e percebendo que o filho não queria falar com ela. Logo atrás surge um senhor de idade que olha triste para a mulher.
- A Maria não percebe que nosso filho precisa de espaço.
Um sujeito mais novo que de repente aparece no sofá com uma mulher deitada em seu colo fala:
- É normal Arcadio, meu filho. A Maria só tem o Werner.
A mulher também se levanta do colo do marido e fala:
- Você tem que entender que eles pensam que agente não existe.
Um sujeito com cara de adolescente surge da cozinha comendo pipoca falando:
- Tem que ter paciência mano.
Arcadio se senta do lado dos pais e fala rindo.
- Já te falei para o senhor não me chamar de mano seu Arinaldo. O senhor continua sendo meu sogro.
- Não fica bem é eu, com essa cara de novo ficar ouvindo você me chamando de sogro. - Diz ele oferecendo a pipoca e vendo a televisão.
A mulher rindo fala:
- Arinaldo é verdade que está saindo com a mãe do Ricardo?
- Eu e a Araí estamos nos conhecendo. Não sei ao certo o que é Arcelia. Depois do serviço nos vamos nos encontrar.
Arcadio se levanta assustado.
- Ainda não me acostumei com esse horário trocado que nos fantasmas temos. Porque não podíamos continuar trabalhando de dia.
- O dia é melhor descansar, sair. Já que não precisamos dormir meu filho. - Diz Ario sério. - Agora fiquem quieto que a Glaudia está prestes a descobrir se é mãe da Murilinha.
- Eu custo a acreditar que até os programas de televisões são feitos por fantasmas. - Diz Arinaldo assustado.
- Logo você acostuma filho. Vai só fazer um ano que você veio pra cá. E você ainda não decidiu o que fara no seu aniversário de morte.
- O que? - Diz Arinaldo mais apavorado ainda. - Comemoramos o aniversário de morte?
- É claro. Vindo para esse mundo aonde agente come só por gulodisse, podemos andar para todo lado, conhecer tanta gente nova. - Fala Arcelia rindo.
E Arinaldo fala rindo:
- Ficar vendo as humanas trocando de roupa.
- Arinaldo, você sabe que isso não é certo. - Diz Ario nervoso.
- Mas não é proibido. - Diz ele rindo e saindo. - Tchau gente. Estou indo para o serviço.
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