José estando no balcão da mercearia que era de Ricardo, que é no mundo dos vivos e no mundo dos mortos é um bar servia bebidas para mais um grupo de amigos sentados de junto ao balcão. Quando Fábio chega ao lado de Ricardo com um grande sorriso no rosto.
- Fui fazer compra pela primeira vez com meu filho pai. - Diz levando as coisas para a cozinha no fundo da loja.
- É filho. Que bom que você está alegre. Mas eu não estou.
- O que foi vô? - Pergunta Ricardo ajudando a colocar as coisas dentro da sacola no estante.
- O que foi? Sua tia de novo Ricardo! - Diz ele nervoso.
- Eu nem tive tempo de conhecer minha tia. Ela morreu, eu era muito novo. - Fala Ricardo rindo. - Ela só fica naquela faculdade.
- Ela está saindo com aquele tal de Ailton. - Fala José nervoso.
- O mordomo da Sheron. - Pergunta Fábio rindo. - Aquele cara tem vida própria? Pensei que fosse apenas marionete da dondoca.
- Eu fiquei sabendo que eles eram amantes quando vivos? - Pergunta Ricardo interessado.
- Cuidado meu filho. Já te falei das conversalhada que você tinha quando vivo. Nos víamos tudo daqui.
Fábio e Ricardo termina de desempacotar as coisas e vai até o balcão ajudar a servir as mesas. José fala para o neto e o filho.
- Agora que vocês chegaram. Eu vou ter uma conversa séria com a Severina.
José deixa os dois e sai para a casa ao lado. Um muro enorme e um portão grande. José apenas atravessa ele e no quintal está umas três barracas armadas e várias pessoas cozinhando algo num fogo.
- Boa noite gente.
- Seu José, sua filha está toda nervozinha ai dentro. - Diz uma senhora gorda. - Maltratou até meu filho.
- Ela está nervosa Giuslene. Me desculpe.
Ele entra na casa atravessando também a porta. Na sala várias pessoas viam televisão comendo pipoca.
Um rapaz com roupas dos anos trinta grita:
- Vem assistir televisão com agente seu José. O filme está batuta.
- Agora não Jonatham. Tenho que achar a Severina.
- Está no quarto.
José atravessa o corredor se desviando das várias pessoas que estavam passando e atravessa a porta do quarto que estava fechada. Severina estava no quarto em cima da mesa do computador fazendo o dever de casa enquanto um pessoa viva dormia na cama.
- Filha que vexame foi aquele na porta do meu bar?
- Vergonha? O que mais que eu fiz? Dei só uns beijinhos no meu namorado! Não posso? Pelo que eu saiba já passei do quinze anos a mais de sessenta anos. Pra falar a verdade já estava na hora de eu começar a fazer isso.
- Não é porque você está morta que deixou de ser minha filha e me deve o respeito.
- Respeito é você que deveria dar! Está todas as minhas amigas da faculdade querendo agarrar meu pai.
- O que?- Diz ele rindo.
- É isso que você me ouviu. Eu não gostei de você ter rejuvenecido. Minha mãe está lá, deprimida.
- Ela pode também rejuvenecer minha filha. Ela é que não quer.
- Ela se dá ao respeito. Sabe que não precisa mais ter beleza.
- Duvido que se você tivesse tido chance de envelhecer também não ia querer rejuvenecer.
- Eu morri assim não foi porque eu quis pai. Eu queria ter casado. - Ela começa a chorar. - Eu queri ter tido filhos. Mas não pude. Deus não deixou.
José se senta na cama onde uma jovem roncava. E fala triste:
- Filha eu só quero que você tome cuidado. Esse seu desespero em ser livre me assusta. Eu estou do seu lado. E tenha cuidado com o seu namorado. Não confio nele.
- Pai o que o Ailton te fez?
- Nada filha. Mas ele não me parece confiável.
- Ok pai. Então faz o seguinte. Eu não vou me importar com sua juventude, os comentários maliciosos das minhas amigas e você não se intromete no meu namoro com o Ailton.
Severina sai nervosa, deixando José chateado dentro do quarto. Ele queria ajuda-la. Mas não sabia que jeito. De repente Roberta entra dentro do quarto.
- José?
- Roberta? Tudo bem?
- É que eu vim ver a Selina. - Diz ela apontando para a menina deitada na cama roncando. - Ela é minha neta.
- Sua neta? Não sabia que você era casada. - Diz ele olhando para a menina começando a babar na cama.
- Fui casada por alguns anos. Mas morri nova. Meu marido casou de novo, com uma ótima mulher que criou meus dois filhos. Ela é filha do meu segundo filho. Ninguém ainda morreu. E fiquei sozinha. Meus pais moram em outro país.
- Não sei me imaginar longe dos meus filhos, meu neto. Meus pais vem me visitar uma vez por mês.
- Eu queria ter isso. Mas não são todos que tem a mesma sorte. Minha família acabou sendo a Sheron e o Ailton.
- Deus que me livre dessa família. - Diz José rindo e se levantando da cama. - Você acha que eles são confiáveis?
- Não, né? Mas é o que eu tenho. - Diz Roberta.
José fala com calma para Roberta.
- Mas você pode criar uma nova família aqui Roberta. Não precisa esperar.
- Eu? - Diz ela assustada. - Não. Acho que ninguém mais se interessaria por mim não. E nesse mundo é muito difícil arrumar um homem que queira algo sério. Agora não é mais até a morte nos separe. É a eternidade inteira.
- Pois acho que deve ter muitos homens que queiram passar a eternidade do seu lado Roberta.
Roberta olha para José com uma ponta de esperança e sorri. Ela fala sem graça.
- Bem, deixa eu ir. Que a Sheron tá uma arara. Tchau José.
- Tchau Roberta.
Roberta sai deixando ele sozinho no quarto e José sai para a cozinha e encontra Arabela batendo um bolo. Ele sorrindo vai para beija-la. E ela desvia nervosa.
- O que foi Arabela?
- O que os outros vão pensar em ver uma senhora da minha idade beijando um rapaz novo feito você?
José vira os olhos triste e fala:
- Meu amor. Porque então você não rejuvenesce também.
- Porque eu combinei com meu marido assim que nos chegamos que não íamos querer ficar novos de novo. Lembra?
José anda ao redor da cozinha nervoso sem olhar para a esposa anciã.
- Arabela, você tinha vindo primeiro, eu estava ainda zonzo por causa da minha morte. E você já foi logo afirmando isso. Não me deu chance de dizer sim ou não.
Arabela taca a vasilha em cima da mesa nervosa. Assustando pessoas que andavam pela cozinha.
- Eu lembro muito bem você dizendo seu mentiroso: "Está tudo bem. Nos vamos ficar desse jeito mesmo." Mas você me traiu! Você rejuvenesceu e sem falar comigo!
- Mas eu cansei de falar pra você Arabela que eu queria isso!
- Você queria. Querer não é fazer José. Agora me deixe em paz que vou terminar esse bolo para o Ricardinho.
- Respeito é você que deveria dar! Está todas as minhas amigas da faculdade querendo agarrar meu pai.
- O que?- Diz ele rindo.
- É isso que você me ouviu. Eu não gostei de você ter rejuvenecido. Minha mãe está lá, deprimida.
- Ela pode também rejuvenecer minha filha. Ela é que não quer.
- Ela se dá ao respeito. Sabe que não precisa mais ter beleza.
- Duvido que se você tivesse tido chance de envelhecer também não ia querer rejuvenecer.
- Eu morri assim não foi porque eu quis pai. Eu queria ter casado. - Ela começa a chorar. - Eu queri ter tido filhos. Mas não pude. Deus não deixou.
José se senta na cama onde uma jovem roncava. E fala triste:
- Filha eu só quero que você tome cuidado. Esse seu desespero em ser livre me assusta. Eu estou do seu lado. E tenha cuidado com o seu namorado. Não confio nele.
- Pai o que o Ailton te fez?
- Nada filha. Mas ele não me parece confiável.
- Ok pai. Então faz o seguinte. Eu não vou me importar com sua juventude, os comentários maliciosos das minhas amigas e você não se intromete no meu namoro com o Ailton.
Severina sai nervosa, deixando José chateado dentro do quarto. Ele queria ajuda-la. Mas não sabia que jeito. De repente Roberta entra dentro do quarto.
- José?
- Roberta? Tudo bem?
- É que eu vim ver a Selina. - Diz ela apontando para a menina deitada na cama roncando. - Ela é minha neta.
- Sua neta? Não sabia que você era casada. - Diz ele olhando para a menina começando a babar na cama.
- Fui casada por alguns anos. Mas morri nova. Meu marido casou de novo, com uma ótima mulher que criou meus dois filhos. Ela é filha do meu segundo filho. Ninguém ainda morreu. E fiquei sozinha. Meus pais moram em outro país.
- Não sei me imaginar longe dos meus filhos, meu neto. Meus pais vem me visitar uma vez por mês.
- Eu queria ter isso. Mas não são todos que tem a mesma sorte. Minha família acabou sendo a Sheron e o Ailton.
- Deus que me livre dessa família. - Diz José rindo e se levantando da cama. - Você acha que eles são confiáveis?
- Não, né? Mas é o que eu tenho. - Diz Roberta.
José fala com calma para Roberta.
- Mas você pode criar uma nova família aqui Roberta. Não precisa esperar.
- Eu? - Diz ela assustada. - Não. Acho que ninguém mais se interessaria por mim não. E nesse mundo é muito difícil arrumar um homem que queira algo sério. Agora não é mais até a morte nos separe. É a eternidade inteira.
- Pois acho que deve ter muitos homens que queiram passar a eternidade do seu lado Roberta.
Roberta olha para José com uma ponta de esperança e sorri. Ela fala sem graça.
- Bem, deixa eu ir. Que a Sheron tá uma arara. Tchau José.
- Tchau Roberta.
Roberta sai deixando ele sozinho no quarto e José sai para a cozinha e encontra Arabela batendo um bolo. Ele sorrindo vai para beija-la. E ela desvia nervosa.
- O que foi Arabela?
- O que os outros vão pensar em ver uma senhora da minha idade beijando um rapaz novo feito você?
José vira os olhos triste e fala:
- Meu amor. Porque então você não rejuvenesce também.
- Porque eu combinei com meu marido assim que nos chegamos que não íamos querer ficar novos de novo. Lembra?
José anda ao redor da cozinha nervoso sem olhar para a esposa anciã.
- Arabela, você tinha vindo primeiro, eu estava ainda zonzo por causa da minha morte. E você já foi logo afirmando isso. Não me deu chance de dizer sim ou não.
Arabela taca a vasilha em cima da mesa nervosa. Assustando pessoas que andavam pela cozinha.
- Eu lembro muito bem você dizendo seu mentiroso: "Está tudo bem. Nos vamos ficar desse jeito mesmo." Mas você me traiu! Você rejuvenesceu e sem falar comigo!
- Mas eu cansei de falar pra você Arabela que eu queria isso!
- Você queria. Querer não é fazer José. Agora me deixe em paz que vou terminar esse bolo para o Ricardinho.