segunda-feira, 29 de julho de 2013

Isabela abre seus olhos. Estava deitada no sofá. Várias outras pessoas dormiam no chão da sala toda bagunçada. Isabela se levanta esfregando o rosto. Um barulho a tinha acordado. O que era? O barulho se ouve novamente. Era o telefone. Ela pula um garoto que estava apenas de sunga deitado no chão, usando como travesseiro uma latinha de cerveja. E pega o telefone numa poltrona  de baixo das pernas de uma menina barrigudinha que estava só de biquíni. Ela atende com voz embalada ainda pelo sono:
- Alô? - Isabela usava uma bermuda jeans muito pequena e uma camiseta regata sobre o biquíni.
- Isabela Sushyne? Aqui é do serviço de limpeza. Desculpe o atraso, mas nosso carro deu um probleminha.
Isabela olha para a bagunça. Comida espalhada por todo tipo de lugar. Pessoas seminuas e até algumas nuas acordando e indo embora.
Isabela logo já estava de frente a um note book na cozinha. Todos os que tinham dormido na casa já tinham ido embora. E ela sozinha, de banho tomado, olhava as fotos da festa. Ela não parecia que estava gostando, e pega seu celular e disca alguns números. Logo alguém atende.
- Reginaldo? Que merda é essa? ... - Isabela para de falar um pouco enquanto vê as fotos e continua depois. - Eu só estou vendo fotos de um monte de bundas. Eu pedi para tirar foto da festa e não das bundas das pessoas da festa.... - Ela fica vermelha. Mas sua cor muda ao ver pelo reflexo do vidro do armário um vulto passando pela janela. Ela se vira assustada. Porém continua. - Não. Eu não vou ficar nervosa. Sabe porque? Porque eu não vou mais passar raiva com você. Vou chamar outro fotografo da proxima vez. - Ela desliga o telefone e olha estranhando pela janela.
Isabela sai para a porta da cozinha e caminha pelo corredor que leva para o lado da frente da casa. De repente ela ouve um barulho de algo se quebrando dentro da casa.
Ela caminha até lá e pergunta.
- Oi? É vocês da limpeza?
De repente alguém que aparece da porta que ela acabou de sair e agarra ela por trás. É uma mão enluvada que segura sua boca. Mas antes que a pessoa pudesse pegar seu braço ela escorrega para baixo e vai para baixo da mesa aonde estava seu note book. O homem agarra sua perna. Isabela empurra a mesa para cima jogando-a para cima do homem que ela pode ver quando corria para a sala que estava encapusado. Isabela corre vendo ele tirar uma arma de dentro da jaqueta.
Isabela corre para fora de casa e sai gritando para a rua inteira de um bairro até chique.
- Socorro!!! Alguém tá tentando me matar!!! Me ajuda!!!
De repente uma vizinha sai para a janela e mau humorada fala:
- Cala a boca Isabela! Todo mundo tá querendo dormir, depois da zueira que foi sua festa ontem!
Ela volta para dentro antes de 

sábado, 27 de julho de 2013

Capitulo 41 - A história de Isabela

Helenita e Helia eram muito novas quando sua mãe morreu num trágico acidente de carro. Helenita e Helía já eram adolescentes e juntas resolveram continuar suas vidas. Helía resolveu ser professora, e Helenita virou assessora de festas. Elas quase não se encontravam. Pois Helenita trabalhava a noite, e dormia de dia, e Helia trabalhava o dia inteiro e dormia de noite. Essa rotina era inclusive nos finais de semana, feito cursos de profissionalização.
Porém sempre tinham o carinho uma pela outra de deixar um recadinho na geladeira, falando o que deveria ser feito nos trabalhos de casa e junto de algo carinhoso como : "Minha irmã querida."
Mas num fim de noite que Helenita chegou em casa, ouviu um choro de uma criança. E finalmente elas se encontraram depois de quase cinco anos nessa rotina. Helenita foi ao quarto da irmã e a acordou. E para a surpresa de Helenita ela estava com uma criança nos braços. 
- O que é isso Helía? 
Helía a olhou envergonhada. 
- Essa é minha filha Helenita. Não queria se envergonhasse de mim.
- Você casou e não me falou nada? Cadê o pai dessa criança?
Helía apenas abaixou a cabeça. E Helenita entendeu que aquela criança não teria pai.
Helenita percebeu outra coisa. Que aquela rotina era muito estranha. Para a irmã ficar gravida, passar nove meses e ela não ver nada. E por culpa passou a se dedicar a criança quando estava em casa.
E a menina que teve o nome de Isabela passou a ter duas mães. Uma de noite e outra de dia.
Porém a menina acabou sendo a discórdia das duas irmãs. 
Enquanto Helenita dava liberdade demais para a sobrinha a noite, a deixando ficar acordada e comer o que queria. A mãe, Helía, fazia de tudo para a filha ser educada, com boa alimentação e cheia de regras.
Isso acabou fazendo Isabela gostar mais da mãe de noite do que de dia. E causou que os bilhetinhos deixados na geladeira ficassem menos carinhos e com muito mais ofensas. 

A batida na porta do quarto ao lado faz Helenita abrir. Helenita era uma senhora já. Olhos cheios de rugas e cabelos brancos começando a aparecer em meio ao cabelo pintado de preto. Ela se levanta da cama, sendo que era noite escura,  e troca de roupa rapidamente. Ela apesar de ser uma senhora se vestia muito bem, e também se maquiava, além do salto alto que usava. 
Ela sai para a sala, aonde Isabela via televisão. Isabela estava com doze anos. E via televisão e comia pipoca.
- Uai? Sua mãe não te colocou para dormir hoje não?
- Ela ainda não chegou.
- O que? - Pergunta Helenita indo até a geladeira e colocando um refrigerante no copo e preparando ovos fritos para ela. - Mas eu ouvi a porta do quarto dela fechando.
- Foi impressão sua. Não ouvi nada tia.
- Você nessa televisão não vê mais nada. 
Diz Helenita finalmente olhando o recadinho daquele dia.
"Você é uma falsa e covarde! Arranquei da Isabela que você deixou ela sair para uma festinha ontem. Ela está de castigo!"
- Você está de castigo, sabia? - Fala Helenita em tom de zombaria para Isabela, que olha para a tia rindo.
- Minha mãe não entendia tia, que eu já cresci. 
- Ela vai entender isso mais cedo ou mais tarde Isabela. - Diz ela abrindo a porta do quarto da irmã para conferir mesmo se ela não estava. - A Helía nunca fez isso. O que será que aconteceu. 
De repente o telefone toca.

Helenita abraçada a sobrinha chorava, vendo o corpo da irmã no caixão. Flores envolta de seu rosto branco e sem vida. Isabela aos prantos alisava o rosto da mãe sem vida falando.
- Mãezinha querida... mamãe.
Naquele momento Helenita sabia que agora seria somente ela e a sobrinha que amadurecera tudo que tinha para amadurecer em menos de treze horas.

Helenita preparava mais uma mala de viagem em seu quarto. Isabela bem mais crescida olha para a tia arrumando a mala. E fala com tranquilidade:
- A senhora está com um aspecto horrível.
- Essa ideia da Rachel de abrir a filial da casa de festas em Satsil está me destruindo. Volto daqui duas semanas. E não quero que volte tarde da festa na casa da Lu. - Diz Helenita colocando mais um par de meias na mala e fechando.
- Não vai mais ter. 
- Não? Porque? - Pergunta Helenita se sentando e olhando para sobrinha que lambia uma colher de brigadeiro.
- Porque a mãe dela não gostou da ideia de todas as amigas fazerem algazarra na casa dela.
- Então chame suas amigas e façam a festa aqui. Afinal de contas, a Lu não pode ficar sem festa de aniversário por causa da chata da mãe dela.
- Jura tia? - Diz Isabela abrindo o sorrizão. - Você é um máximo! - Isabela pula nos braços da tia.- Você pode fazer a festa que quiser aqui Isabela, afinal de contas a casa também é sua. Só que não quero ver é bagunça.
- Você é a melhor tia do mundo. Vou ligar para a Lu para contar.

Isabela e Lu terminam de arrumar a casa que tinha ficado uma bagunça por causa da festa. E Lu, uma menina alta, negra de cabelos encaracolados fala:
- Nossa Isa, foi a melhor festa da minha vida. 
- Você mereceu Lu. Não merecia ficar sem uma festa de aniversário.
- Sua casa é grande e espaçosa. Ótima para dar boas festas. 
- Não aguento é essa bagunça. Se não fosse eu para arrumar tudo sozinha, minha tia até deixava eu trazer todo final de semana as meninas aqui toda semana.
- É só você contratar alguém para limpar depois Isa. 
- Com que dinheiro? O seguro da minha mãe mau dá para pagar a escola.
- Pedi uma contribuição de entrada para as festas que você for fazer.
Isabela olha para Lu rindo.
- Será Lu? Cobrar entrada das pessoas que vierem nas minhas festas.
- Você pode ir além. Abrir uma casa de festas na sua casa. É espaçoso.
- No inicio a empresa da minha tia era aqui. Depois é que abriu o primeiro prédio. Vou conversar com ela, quando ela chegar  para ver o que ela acha.

- É uma ótima ideia Isabela. - Diz Helenita lanchando em sua casa. - É um jeito de complementar a renda que falta aqui em casa. 

De repente a casa de Helenita e Isabela se tornara uma casa de festas. Com fila para entrar e segurança na porta, e muita bebida e som alto, e muita bagunça para os jovens de Erotildes. Helenita nunca ia lá, pois vivia viajando. E mau sabia que muitas vezes essas festinhas de Isabela ia longe demais.  Na piscina da casa, Isabela andava na água  segurando uma taça de chappaing em meio a uma muvuca de pessoas seminuas, e se aproxima de Lecir que também estava dentro da piscina escorado no peitoril.
Isabela beija Lecir e fala rindo.
- Vê que sucesso que é isso aqui?
- Você deve estar rachando de ganhar dinheiro.
- Até que não. - Diz ela fazendo careta.- É mais pela diversão. Agente aumenta um pouquinho a entrada o povo já fica revoltado.
Com um sorriso sedutor Lecir fala:
- Eu tenho algo que vai fazer o dinheiro cair em milhões na sua mão.
- O que? - Diz Isabela se agarrando ao pescoço dele e lhe beijando. Ele desvencilha um braço e mostra rindo um comprimido. - O que é isso? Droga?
- Não. É só algo que está fazendo sucesso em todos as festas do exterior.
- Isso é droga Lecir.
- Que isso mina? Não sabia que você é careta assim.
Isabela fica meio insegura e se afasta e se senta no peitoril da piscina mostrando que estava com um biquini  de estampa de oncinha bem menor do que uma menina da idade dela deveria usar. Ela pega o comprimido e pergunta:
- Isso não é legal, não é Lecir?
- É de gente segura. Não tem erro. A policia tá envolvida.
- Isso não vai causar problemas para mim, vai?
- Quem me pediu para sugerir isso pra você foi gente grande Isabela. Eles só querem que você compre deles, e você agende vende pelo dobro do preço. 
- E eles compram isso mesmo? 
- Não tem erro mina. Com isso, agente vai ficar milionário.
Ele agarra ela a trás de volta para a piscina a beijando. Ela rindo coloca o comprimido na boca do namorado e os dois se beijam.
 Helenita caminha para fora do aeroporto de Erotildes carregando sua mala, era noite e ela chama um táxi. Logo um para um do seu lado e ela entra n no banco de trás colocando a mala do seu lado mesmo. 
- Para o lado leste de Erotildes, por favor.  - Diz Helenita séria. 
O táxi sai e vira a esquerda, e Helenita fala séria.
- Vire a direita por favor moço.
E para o constrangimento de Helenita o táxi vira na direção constraria, a esquerda.
- Moço, por favor, eu não quero que pegue atalhos. Prefiro ir na direção certo.
Ele vira novamente a esquerda. E olhando nos olhos do motorista pelo retrovisor Helenita percebe que tem algo de errado.
- Para o carro por favor moço.
Ela começa a se desesperar e vai para agarrar a maçaneta da porta e o motorista aciona um sistema fazendo os pinos de travamento da porta se abaixarem sozinhos.
- Que brincadeira é essa? 
Ele para o carro, no que Helenita reconhecia ser uma obra de um prédio abandonado. Os pinos se levantam e um vulto passa por trás do carro e abre a porta traseira do carro.
- Desce do carro. 
Helenita fica paralisada. E o homem sem paciência aponta uma arma para Helenita pelo lado de fora do carro.
- Agora!

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Capitulo 40 - Uma armadilha para Lecir

Uma casa grande, com um jardim muito bonito e portão fechado com grades de ferro estava sendo vigiado por dois homens dentro de um carro. Era Lee e Lecir.  Lee está sentado no banco do carona e colocava balas numa pistola. Ele estava vestido todo de preto e com um capuz preto na cabeça. Lecir respirando com dificuldade estava no volante do carro e olhava com os olhos esbugalhados para o amigo. Lee falava com calma.
- Fique aqui. Qualquer movimento estranho na rua dá um toque no meu celular. Se eu não voltar em meia hora você vai embora.
- Vamos embora Lee. Vamos sair dessa.
- Cala boca Lecir. Você sabe que não podemos. Ninguém sai do bando de Levy. Só morto.
- Agente foge.
- Fica frio Lecir. Eu já matei. Não é a primeira vez.
Lecir fica calado. Sabia que o amigo fazia trabalhos para Levy que ele não estava presente. E desconfiava dos inimigos desaparecidos logo depois do trabalho. Mas ouvir o amigo de infância falar assim era outra história. Nunca pretendeu entrar no crime. Foi algo que simplesmente aconteceu. Dava mais dinheiro. Não machucava ninguém vender drogas. Mas nunca pensou que um dia as coisas iam ficar tão sérias assim. Se envolvendo com policiais corruptos, pessoas importantes do governo e crime organizado.
Lee coloca a arma na barguilha da calça e sai do carro colocando o capuz cobrindo o rosto. Lee pega um enorme alicate no porta malas do carro e vai até o portão. E arrebenta o cadeado que trancava o portão. Ele deixa o alicate no chão, abre o portão e entra.
Tudo estava muito escuro. A lua clara iluminava a entrada da casa. Lee abre a porta de entrada da casa e tenta enxergar algum móvel para não derrubar. Mas não consegue ver nada. Ele tenta alcançar o interruptor para ligar a luz. Assim que acende se ouve um barulho muito alto. De inicio ele pensa que é a lampada que estourou. Mas ao acender a lampada vê apenas um homem com um sorriso no rosto e uma arma na mão. De repente ele sente a camiseta ficar molhada e quente. Ele coloca a mão no peito e sente uma pontada enorme vindo do meio do peito. O seu celular vibra.  Ele retira a mão e olha o sangue escorrendo entre os dedos. Lee sai correndo para fora da casa e o homem percebe que tem que atirar novamente. Lee sai correndo para fora e o homem atrás dele dá mais dois tiros em suas costas. Lecir vendo a cena liga o carro e quando Lee pula pela janela do carro para dentro do banco de trás ele acelera o carro.
- Lee fala comigo brother!!!
Os tiros do homem ressoam pelo carro. Lee cuspindo sangue ainda fala:
- Abaixa a cabeça e acelera.
Lecir obedecendo fala:
- Eu vou te levar para um hospital.
- Não adianta Lecir. Taca para o barraco. O Tuca armou pra você. Era pra te matar. Não tinha nada na casa. Era armação. - Lee começa a cuspir mais sangue, e o cuspi vira um vomito até que ele para ficando imóvel, com os olhos estartalados. Ele estava morto. Lecir chorando continua a dirigir e gritando:
- Lee! Fala comigo cara!
Lee entra no barracão aonde Levy morava e mantinha a central do trafico de drogas em Erotildes. Ele para o carro diante o barracão. O dia amanhecia. Lecir sai do carro e vai até o banco de trás e puxa Lee morto no fundo do carro. O coloca nas costas e vai carregando-o até abrir a porta. Levy estava deitado num colchonete no chão, sem camisa, beijando duas mulheres que estavam só de roupas intimas em cima dele com alguns viciados o olhando. Quando Lecir chega, abre a porta e joga o corpo de Lee no chão, todos se viram para ele.
-Levy, mataram o Lee. Ajuda!
Levy se levanta e aponta para dois caras e fala:
- Levem o corpo para a cozinha. O que aconteceu Lecir?
- O Tuca armou pra mim. Ele tá querendo me matar. O Lee foi no meu lugar. Mataram ele. Era para ser eu.
- Vai no banheiro. Tira essas machas de sangue de você. Vou arrumar para te tirar daqui. Se o Tuca quer você morto. Erotildes não é um bom lugar para te tirar.
Dois caras levam Lee para a cozinha e Levy vai junto. Lecir vai para o banheiro e se olha no espelho. Estava todo manchado de sangue. Ele tira a camisa e a molha no lavatório e começa a esfregar o rosto.
Na cozinha os dois homem jogam Lee no chão. E Levy chama os dois mais para perto.
- Vem aqui...- Ao se aproximar um dos homens pisa no bolso de Lee aonde estava o celular. E começa a chamar o número da chamada perdida.
Levy no banheiro sente o celular vibrar e atende apavorado vendo o número de Lee. Ao atender ouve a voz de Levy falando:
- Temos que acabar com o Lecir. O Tuca não pode saber que falhamos se não agente vai tudo para cadeia.  Ele foi ter ideia de fazer aquela festinha idiota com a vagabundinha. Agora estamos na mira da policia. Primeiro vamos matar ele, depois a namoradinha dele. Vamos lá?
Lecir na hora coloca o celular no bolso. Enrola a camisa molhada na fechadura da porta e na torneira do banheiro. E corre para a janelinha do banheiro. Sobe em cima do box de vidro e chuta a janela. Ela se abala mas não arrebenta.  Alguém tenta abrir a fechadura da porta. Lecir olha assustado.
- Lecir abre ai. Temos que ir. - Diz Levy nervoso.
Eles chutam para arrombar a porta. E Levy chuta mais uma vez a janela do banheiro se equilibrando com a mão no box do banheiro e segurando no chuveiro. Levy dá outro chute na porta do banheiro fazendo a torneira do banheiro ser arrancada e jogando um monte de água entre Levy e Lecir. Lecir chuta mais uma vez a janela arrebentando a janela com um pedaço da parede do banheiro. E quando os dois homens atiram no banheiro sem ver que ele estava em cima do box, Lecir pula pelo buraco feito pela janela arrebentada bem na hora que o box que ele se equilibrava se destrói por causa dos tiros.
Lecir pula para fora do barraco e sai correndo para a frente da casa. E corre em direção ao seu carro estacionado na frente. Os dois homens que estavam falando com Levy corre para fora também dá vários tiros em direção a Lecir. Por sorte ele já estava dentro do carro e o ligado o carro. Ele quando os tiros aconteceram só se curvou deitando no banco e depois que pararam para avançar. Ele pisou no acelerador, afastando o carro dos bandidos.
Lecir respira fundo para tentar se acalmar e conseguir dirigir o carro. Mas para seu desespero ele vê o carro de Levy atrás dele. Estavam a uma certa distancia porém o transito não estava nada bom. Levy olha para o banco de trás por alguns segundos para ver o sangue de seu amigo morto. Mas para sua surpresa ele encontra a arma de Lee. Talvez tenha caído do bolso do colega.
A pista de duas mãos e muito apertada se fecha num engarrafamento. Lecir não pensa duas vezes em virar o carro pela calçada e entrar num beco atrás do banco da cidade. Mas para seu desespero Levy faz a mesa coisa. Olhando para trás para ver isso, Lecir acaba perdendo o controle do carro e batendo num poste. Lecir não para e no meio das ferragens tenta sair caindo no chão. E de repente um monte de balas voa sobre sua cabeça. Era Levy que também sai do carro. Todos no engarrafamento gritam de desespero. Lecir ainda no chão atira bem no pé de Levy que cai gritando de dor. Ele aproveita e sai correndo. Só que os dois capangas de Levy está atrás dele. Lecir entra num beco e pula uma grade de ferro. Os dois bandidões faz a mesma coisa. Lecir corre e se vê preso no fundo de algum prédio onde tinha apenas alguns lixos e uma caixa d'água.  Os bandidões se aproximam e atira na direção de Lecir. Ele corre e se esconde atrás de uma caixa de água e atira também. Ele só vê uma saída. E com rapidez sobe nas escadas da caixa d'água enquanto os bandidos tentavam atirar nele. No meio do caminho Lecir atira para afujentar os bandidos e continua a subir. Quando chega a uma certa distancia do teto do prédio, ele pula e acaba quebrando o telhado e caindo em cima de uma cama na qual uma mulher estava deitada. Ela olha assustada para ele e grita e vai para sair correndo mas ele a segura e fala em desespero.
- Por favor! Me ajuda! Eles querem me matar!
Os dois capangas de Levy entram no quarto de repente com arma na mão. A porta estava aberta e a menina deitada na cama tapando o rosto com o cobertor grita rápido.
- Ele saiu por ali! - Diz ela apontando para fora. Eles correndo seguem aonde ela aponta. Um olha para o outro e fala:
- Perdemos ele.
- Droga. Vamos voltar para ajudar o Levy.
Eles vão embora e Lecir sai debaixo da cama.
   A menina, uma coreana de mais ou menos quinze anos estava vestida com um pijama branco, com bolinhas cor de rosa, uma bermudinha pequena e uma blusa de alcinha. Os cabelos negros e lisos, eram curtos, com uma franja enorme quase tapando os pequeninos olhos amedrontados. Ela com delicadeza corre e tranca a porta do quarto.
     O quarto era de um hotel barato de Erotildes. A pintura das paredes era um azul esverdeado, a cama de ferro e de molas gemia a cada mexida nela. A única janela era pequena e com grades de ferros que tapava sessenta por cento do sol.  O cobertor, era claro que era da menina. Cor de rosa também.
     Lecir sem camisa, com vestígios do sangue de Lee escorrendo pelo corpo, vestindo uma calça jeans surrada e um sapatenis que acabou abrindo quando saiu dos estilhaços do carro. Ele sai de baixo da cama e fala ofegante:
    - Obrigado.
    Ela vai até sua mala, da Hello Kit e abre e pega uma camiseta branca enorme, a mais masculina possível. E um chinelo de número três vezes menor que o de Lecir e deixa a sua frente e depois se recosta a parede com medo. Lecir pega e sai pela porta falando:
    - Obrigado mais uma vez. Obrigado.
   Tinha que ir até Isabela. Ela estava também correndo risco. 

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Capitulo 39 - Aprendendo a viver e caminhando para a morte.





Arcádio sobe as escadas com calmo. Estava nervoso. Os pais não entendiam como ele amava a esposa. E como era difícil viver a morte sem ela.
Arcádio bate na porta do quarto da mãe e abre de vagar. Arcélia estava na cama deitada de costas para a porta. Quando percebe que alguém entrou no quarto se vira e abre um sorriso entre as lágrimas. A mãe estica os braços e ele corre até a cama e o abraça. Ela sentada na cama coloca a cabeça do filho no colo e alisa seus cabelos.
- Seu pai quer que eu deixe você Arcádio. Mas sei que precisa de mim.
Arcádio se levanta com um sorriso e fala:
- Mãe, eu sempre vou precisar de você. Mas eu também sei passar pelos meus desafios sozinho. Eu caio de vez em quando, mas sei a hora de parar de chorar e levantar. E está chegando a hora de eu parar de fazer birra por que algo não saiu como eu queria,  aceitar o que eu tenho e agir.
A mãe com carinho abraça o filho e fala:
- As vezes agente esquece que o filho da gente não tem mais oito anos.
Arcádio se vira para a Arcélia e fala:
- Agora dessa naquela sala. Dê um grande beijo no meu pai e fale para ele que vai adorar viajar com ele.
- Eu vou. - Diz ela rindo. - Me dá um só um tempinho para ajeitar a maquiagem. Eu estou horrível. - Diz ela se levantando da cama. Arcádio também se levanta e sai do quarto com um sorriso no rosto. E desse as escadas e vê Maria no sofá sentada. E respira fundo. Chegou a hora de Maria viver a vida dela e ele viver a sua morte. Quando vai para sair de repente Werner abre a porta correndo e Maria vai atrás dele.
- Que correria é essa menino?
- Estou atrasado para a festa da Isabela.
- Você não vai para essa festa Werner! Você não vai! - Grita ela vendo o filho só pegar umas roupas e saindo nervoso de casa. Ela tenta segurar o braço dele e ele puxa o braço e sai batendo a porta. Deixando a mãe chorando sentada no sofá. Arcádio olha triste para a cena. Mas ele respira fundo. Desvia o olhar da cena e respirando fundo, segurando as lágrimas e sai de casa. Não ia mais ficar preso a Maria. Ia lutar por sua vida depois da morte.
Werner desse o quarteirão e vira a direita. Estava nervoso mas feliz. Não ia mais ficar preso ao que a mãe queria. Não tinha culpa da morte do pai. E não ia perder sua juventude para ficar assistindo novela com a mãe. Um dia ou outro até que iria. Mas um dia que ele ia para uma festa ela implicava. Werner não sabia como estravasar sua raiva. Ia para a festa da Isabel e iria fazer tudo o que a mãe não queria. Iria encher a cara. Chegar bêbado em casa. Assim ela ia ver que ele controlava o que queria. Mas sua raiva passou quando ele se aproximando da casa de Isabela aonde tinha a festa, viu entrar uma linda menina, que Isabela recebia com muito carinho.
Ela entra na casa em meio ao amontoado de gente que dançava ao som da banda ao vivo. Werner se aproxima da porta, na qual Isabel colocava um pouco de lixo para fora.
- E ai Isabel? Muita bagunça na festa?
Ela rindo abraça e beija Werner no rosto.
- Que bom que pode vir Werner. A festa só está começando. Entre. Vou te apresentar alguns amigos.
Eles entram e em meio a música alta ele fala ao ouvido dela.
- Na verdade eu estou interessado em só uma pessoa que vi entrando agora a pouco.
Isabela olha rindo para Werner e fala:
- Você tá interessado na Clarinha? Eu vou apresentar vocês. - Diz ela correndo segurando a mão dele em meio ao montoado de pessoas. E parando de frente ao sofá da casa que estava escorado a parede. E Clara sentada lá bebendo.


-

- Clarinha querida quero que conheça Werner. Werner essa é a Clara. - Diz Isabela colocando Werner sentado do lado dela no sofá. E falando para o pavor de Werner. - Ele está afim de você. - Ela sai deixando os dois sozinhos sentados um diante do outro. A banda começa a tocar uma música mais romântica. Werner está tímido e vermelho. Clara começa a rir e fala para quebrar o gelo:
- A Isabela é tão discreta não é?
- Mais discreta impossível. - Fala Werner rindo.
- Mas mesmo assim eu adoro ela. - E acaba ficando um silêncio novamente. E Clara novamente solta mais uma frase que deixa Werner chocado.
- E você está mesmo afim de mim?
Werner fica vermelho novamente e tomando coragem fala junto ao ouvido de Clara, se aproximando dela, e sentindo o perfume de seus cabelos.
- Você é muito linda.
Ele olha para ela e passando a mão em seus cabelos e o colando atrás da orelha dela. Clara olha para ele com um olhar sedutor. E eles se beijam.
Isabela rindo pula de alegria gritando:
- Eu sou um ótimo cupido!
Ela sai rindo para a cozinha carregando uns copos que estavam no meio do chão e quando entra encontra Lecir. Ele estava tomando água. Quando a vê ele fala:
- Tudo certo ai Isabela?
Isabela rindo se aproxima dele e fala:
- Tudo ótimo. Estava vendendo feito ouro, viu?
- Duas dessas já paga a sua festa inteirinha. - Diz ele mostrando um comprimido.
Isabela some o sorriso e fala:
- Guarda isso Lecir! Te falei que tem que ser tudo nas sombras.
- Mas você tem que fazer a propaganda. Se não ninguém vai comprar.
- Quer que eu coloque um anuncio? Se minha tia ficar sabendo já era.
Lecir vai pra cima de Isabela beija ela e coloca um comprimido na boca dela. Ela rindo o beija novamente. E Lecir sai da cozinha rindo e dá de cara com Tuca no meio das pessoas dançando. Ele não estava com uma cara muito boa. Ele puxa Lecir pelo braço até o banheiro. Os dois entram e ele fala:
- Dois meninos foram chamados pela policia ontem para fazer um depoimento sobre aonde eles compravam drogas. Os pais deles o obrigaram a fazer isso. Já sabem que foi aqui na festa da Isabela. Quero que vai lá e mate os dois meninos e os pais.
Lecir estava assustado.
- Eu não...
Tuca da um soco na parede assustando mais ainda o rapaz.
- Você é o culpado. Você que teve a ideia de vender nessa festa! E você vai resolver esse assunto! O endereço está nesse papel. Faça o serviço.
Lecir sai do banheiro. Todos dançavam como se nada tivesse acontecido. De relance, atordoado ele via os jovens usando o comprimido que ele vendia. Nunca tinha matado ninguém, e nunca pretendeu matar, apesar de estar num ramo tão complicado. Apavorado Lecir sai da casa de Isabela e encontra Lee da casa conversando com um grupo de garotas. Ele ria despreocupado. Lee iria ajudar. Ele tinha certeza.
Ele sorrindo vai até o amigo e fala para as garotas que o acompanhava.
- Desculpe garotas. Mas vou ter que roubar meu amigo um pouquinho.
Lecir puxa Lee pelo braço. E logo ele percebe que Lecir estava nervoso, branco, parecendo que iria desmaiar a qualquer momento.
- O que foi Lecir?
- Deu merda Lee. O Tuca quer que eu mate uns moleques.
Lee olha assustado para as meninas que aguardava ele. E olha de novo para Lecir.
- Merda. O que foi que eles fizeram?
- Tão abrindo a boca pro Daniel. Ele quer que eu mate eles e os pais. Eu não vou dar conta Lee. E se não fizer eu tó morto cara.
- Filho da puta! - Diz Lee passando a mão no rosto nervoso. - Eu faço isso pra você cara. Eu faço.
Lecir abre um sorriso em meio a cara de desespero.
- Jura Lee? Valeu cara. Eu vou te dever minha vida.
- Seu pai me fez prometer que eu ia te proteger Lecir. E eu vou. Tá com o endereço ai? - Pergunta Lee já entrando dentro de um carro estacionado na calçada. Lecir entra no carona e o carro sai cantando pneu.




terça-feira, 7 de maio de 2013

Capitulo 38 - Ario faz uma surpresa para Arcelia.


Todos se sentam em volta da enorme mesa da cozinha da casa de Maria no mundo dos vivos, e no mundo dos mortos a casa de Ario e Arcelia. Ario se senta na cabeceira a direita, Arcelia ao seu lado a direita. Logo vem Arcadio, Arinaldo na outra cabeceira da mesa, Araí do seu lado, depois vem Ricardo e finalmente do seu lado sobrou lugar para Augusta.
Todos comiam com calma e em silencio. Ario para quebrar o silencio fala rindo:
- O que está achando do mundo dos vivos Ricardo? Está a pouco tempo com agente.
- Ele morreu a menos de um mês. - Diz Araí para Augusta aos cochichos.
Ricardo mordendo um pedaço de um brocólis fala:
- Tem várias coisas que tenho que adaptar. Por exemplo a comida. Nunca imaginei que um dia ia virar vegetariano.
- Não dá para matar um frango nos mundos dos mortos para assar. Não é Ricardo? - Diz Arcelia rindo. - Ele já está morto.
- Outra coisa que me deixa agoniado é as roupas grudadas no corpo. Muitas vezes fico apertado e me urino todo. E ainda fico em duvida de alguns assuntos intimo por não poder tirar minha roupa.
Ario responde Ricardo que estava todo vermelho.
- É que aqui no mundo dos mortos, só podemos fazer alguma coisa se queremos mesmo. Por isso que não aprendeu a tirar sua roupa ainda. Não podemos usar outras. Mas tira-las para tomar banho, ou para fazer outras coisas mais...-diz ele fazendo um tom malicioso, olhando para a esposa.- É fácil quando queremos muito.
- Mas eu queria muito tirar essa roupa e não pude. - Diz Ricardo demonstrando que estava estranhando muito aquilo tudo.
- É porque você está a pouco tempo com agente Ricardo. - Fala Augusta com um sorriso. - Eu, por exemplo, fui dar conta de tirar minha roupa com cinco anos que estava no mundo dos mortos.
Ricardo se vira para Augusta e fala:
- Quanto tempo está no mundo dos mortos Augusta?
- Vou fazer aniversário de morte segunda-feira que vem. Já faz sete anos que mori.
- Aniversário de morte? - Pergunta Ricardo estranhando outra coisa.
- Sim  Ricardo. - Diz Arcadio rindo. - Eu também estranhei. Mas aqui, no mundo dos mortos, se comemora o aniversário duas vezes. Quando nasceu e quando morreu.
- É cada coisa. - Diz Ricardo virando os olhos rindo.
- O jantar está uma delicia dona Arcelia. - Diz Araí educada.
- Obrigada minha filha. Fiz com a orta que o Arcadio está cuidando. - Fala Arcelia com orgulho.
- Aonde que está esta orta Arcadio. Adoraria ver.
- Não é aqui em casa não Araí. É na fazenda que estou trabalhando. Estou ajudando o seu Plínio a cuidar da fazenda.
- Fica aonde? - Pergunta Ricardo interessado.
- Fica perto da faculdade de Erotildes. Saída da cidade.
Augusta se levanta com um sorriso.
- Estava muito gostoso o jantar dona Arcelia, mas preciso correr. O cinema vai abrir cedo hoje.
- Ai minha filha, esse serviço seu não existe. - Diz Arcelia se levantando para levar a visita até a porta.
Arinaldo fala:
- Eu já falei para ele procurar terminar os estudos. Mas ela não quer mãe.
- Ela não é mais casada com você. E isso não depende mais de você Arinaldo. - Fala Arcelia saindo para sala.
Ricardo se levanta e fala:
- Espera Augusta. Eu vou com você. -  Todos se voltam para Ricardo maliciosos. E ele percebendo tenta remendar. - Meu pai agora está sozinho no mercado. Meu avô viajou e tenho que ajuda-lo.
Araí maliciosa fala:
- Vai filho. Nos entendemos.
- Estava maravilhosa sua comida dona Arcelia. Adorei.
- Volte sempre que quiser meu filho. As portas estarão abertas quando precisar. - Fala Arcelia já na  porta ao lado de Augusta que esperava a companhia.
Arinaldo rindo vendo que o casal já tinha ido embora fala:
- Será que vai dar certo esses dois gente?
- Tomara que sim Arinaldo. Estou esperançosa para essa tristeza do meu filho acabar. - Diz Araí confiante.
- Eles formam um belo casal. - Diz Arcadio se levantando e já indo para a sala.
Araí também se levanta e pega os pratos falando:
- Pode deixar dona Arcelia, que hoje eu lavo as vasilhas.
- Obrigada Araí. Estava mesmo muito cansada.
- Vamos que vou te ajudar a descansar meu amor. - Diz Ario também se levantando.
Eles de mão dadas sobem as escadas e entram em seu quarto. Arcelia tranca a porta do quarto e rindo pula na cama.
- Estou muito feliz Ario. Falta só a Maria também vir pra cá para a minha felicidade completa. O Arcadio não mais vai ficar triste daquele jeito.
Ario beija a esposa se deitando na cama também e fala:
- Quem sabe não era melhor agente arrumar uma outra mulher para Arcadio também?
- Impossivel. Arcadio ama Maria...
- Então deixa eles um pouquinho de lado. E vem cuidar do seu maridinho um pouquinho.
Ario tira a camisa que vestia sem problema nenhum e beija sua esposa amorosamente, deixando-se cair sobre ela.
  Depois de alguns minutos abraçados, debaixo da coberta, Arcelia abraçada ao marido respirava calma e tranquila. E Ario se levanta da cama, veste as suas roupas e sai apressado. Apenas Arcadio estava vendo televisão ao lado de Maria na sala. Ario se vira para ele e fala:
- Se por um acaso a Arcelia acordar e perguntar por mim. Fala que fui fazer umas compras no mercado.
Arcadio balança a cabeça com um sorriso no rosto. Ele sabia que o pai iria fazer uma surpresa.
Ario caminha pela rua até a rodoviária que ficava quase na outra saída de Erotildes, do outro lado da faculdade. Ele encaminha para a atendente e fala:
- Moça, eu gostaria de apressar duas passagens para o reino Atlântico.
- O um, dois ou três?
- Não sei moça. Aonde que é esses lugares?
A moça se afasta um pouco para ele ver um mapa aonde mostrava o oceano próximo ao Rio de Janeiro e fala:
- O um é mais perto da costa, o dois mais longe e o três é oceano profundo. Por enquanto temos até esses lugares.
- Pode ser o três.
- Com excursões ou não?
- Com excursões.
Ario sai do aeroporto e caminha até o bar de Fábio. Ao entrar ele já cumprimenta Fábio com um sorriso.
- Fábio, tudo bem?
- Tudo beleza Ario. Como foi o jantar com Ricardo?
- Foi ótimo. Se o Ricardo até agora não chegou para te ajudar então foi melhor do que pensávamos.
Ele compra e logo chega em casa. Ao abrir a porta ele vê a esposa da cozinha vendo o filho triste ao lado de Maria. Ario passa pela sala e Arcadio o vê e pergunta:
- Comprou pai?
- Sim filho. - Diz alto Ario para o filho demonstrando que a mãe os estava observadio. - Eu fui no supermercado e comprei tudo que estava faltando em casa.
Arcadio percebe e fala sério.
- Ou sim. Que bom. Estava mesmo sentindo falta de algumas coisas.
Ario vai até a cozinha aonde Arcelia estava. Ela se aproxima de seu marido, enquanto ele tentando esconder sua vergonha por mentir para a esposa, pega algo na geladeira.
- O que está me escondendo Ario?
Ario pega uma garrafa de água e bebe do bico, falando com cara de quem estava escondendo alguma coisa, sem duvida nenhuma.
- Não estou escondendo nada amor. Porque pergunta?
- Porque você está tentando desviar o olhar dos meus. Isso na maioria das vezes é porque você está mentindo para mim, ou por que fez alguma coisa errada.
Ario guarda rapidamente a garrafa de água na geladeira e fala indo para o quarto.
- Você viu como o Arcadio está triste?
Arcelia o segue e fala:
- Ario estou ficando preocupada.
- Porque querida?
- Porque você está querendo que eu me preocupe com nosso filho. Você nunca faz isso se não é algo sério mesmo.
Ela o puxa bruscamente no meio da escada e o recosta contra a parede e fala olhando nos olhos.
- Fala logo Ario!
Ario decepcionado se senta no degrau da escada e fala rindo para a esposa.
-Está bem Arcelia. Eu queria te contar de outra forma. Mas você não deixa.
Arcelia se senta no degrau também, porque conseguiu o que queria.
- Eu comprei passagens para agente conhecer o oceano.
- O que? - Diz Arcelia fechando o sorriso. - Porque?
- Para agente descansar Arcelia. - Diz ele para ela, que já se levanta e vai para a cozinha.
- Eu não estou cansada.
- Você não gostou? - Diz ele com a voz aborrecida. Ela percebe e se vira e fala preocupada.
- É que não é o melhor momento. Você está vendo como está o nosso filho.
- Arcelia, nosso filho vai conseguir resolver os problemas dele sozinho. Ele já ficou sem você antes, durante seis anos.
- E não vou me separar dele de novo. - Diz Arcelia nervosa e subindo para o quarto.
Ario agoniado com a atitude da esposa só vê uma alternativa. Vai até a sala e na frente de seu filho que assistia televisão com a sua esposa, que ainda estava viva, fala:
- Filho, converse com sua mãe. Ela não quer ir para o Oceano, por sua causa.
- O que? Porque "por minha causa"?
Ario meio sem jeito se senta na beirada do sofá e olhando firme para o filho fala:
- Estamos preocupados com você Arcadio. Fica o dia inteiro aqui, assistindo televisão ao lado da Maria. Filho, você precisa viver...digo... viver sua morte... você me entendeu.
Arcadio se levanta e fica olhando a janela sem coragem de encarar o pai. E fala de costas para ele.
- Pai, eu não suporto fazer as coisas sem a Maria. Ela é motivo de eu viver. E não aguento "viver minha morte" sabendo que ela está aqui, triste na sala, por que eu morri.
Ario se aproxima do filho e fala:
- Ela ficará muito mais triste sabendo que você não fez nada nessa nova vida sem ela. Prepare um caminho para ela chegar bem aqui filho.
- O que o senhor quer que eu faça? - Pergunta Arcadio se virando para o pai.
- Não sei. Faça um curso de artes, volte a trabalhar na área que trabalhava. Contabilidade tem necessidade aqui no mundo dos mortos também.
- Eu já trabalhei a minha vida inteira em contabilidade pai. Não vou passar a eternidade fazendo isso também.
- Vai na faculdade. Procura um curso novo. Comece tudo de novo. Vai gostar.
- Vou pensar pai. - Diz Arcadio indo para a cozinha.
- Não quero que pense. Quero que aja.
- Primeiro vou agir conversando com minha mãe. Tudo bem?
Ario abre um sorriso e fala:
- Tudo bem.

Capitulo 37- Um novo amor para Ricardo

Ricardo ainda em seu quarto beija a mãe. E ela fala:
- Se arrume que eu vou ligar para o Arinaldo combinando um jantar pra gente, hoje a noite.
Ricardo beija a mão no rosto e fala com carinho.
- Está bem. Vou me arrumar.
A mãe sai pela porta e Ricardo se vira para o pai. Ele fala:
- Você vai ver como o cara é maneiro Ricardo.
- Eu sei pai. Eu sei. - Diz ele com olhar triste. O pai sai e Ricardo fecha a porta. E vê Fernanda lindamente arrumada, num vestido vermelho, muito bonito.
Ricardo abaixo os olhos tristes e tenta tirar a camiseta e percebe que ela está grudada em sua pele. E sem jeito vai até a o chuveiro e o liga. E deixa a água cair em seu corpo com roupa mesmo. Logo ele sai e desce as escadas. A mãe o esperava com um grande sorriso na porta do bar.
- Tá bonito em Ricardo. - Diz uma senhora na mesa do bar.
- Obrigado dona Antonieta.
Araí estica as mãos e Ricardo disfarçando um sorriso segura na mão da mãe. E de repente ele se vira e vê a mulher descendo a escada toda arrumada. Cristiana e Felícia gritam sorrindo ao vê-la.
- Mãe! Você tá linda!
- Estou?- Diz Fernanda timidamente.
- Está dona Fernanda. - Diz Felícia com alegria.
Ricardo se vira e percebe que o sorriso da mãe tinha sumido. Ele disfarça e fala com alegria:
- Vamos mãe?
Mas quando eles vão virar a esquina, ele vê Selmo saindo da casa vizinha, todo elegante para o encontro com Fernanda.
Ricardo fecha novamente o sorriso. Mas o abre ao ver saindo da casa vizinha também Arabela, que estava com grande felicidade indo para aeroporto.
- Estou indo meu neto. Me deseje sorte.
- Toda sorte do mundo vó. - Grita Ricardo e sai para a outra direção com a mãe.
Araí olha para Ricardo que tentava manter o sorriso mas vê traços da tristeza. Araí fala calma.
- Quando eu morta, vi seu pai saindo com outra mulher, que dona Antonieta apresentou pra ele eu também fiquei uma arara. Queria matar ele também. Mas não pude fazer nada.
Eles andavam juntos rumo a casa. E Araí continua:
- Mas ai de repente eu percebi que também estava livre. E que poderia fazer coisas que quando casada não podia. Eu passei a ter amigas, sair mais. Viajei. Não veja isso como um fim do mundo meu filho. Depois, quando ela morrer, vocês se acertam.
Ricardo disfarçando o sorriso fala:
- Não vamos falar disso mãe. Aonde foi que conheceu Arinaldo?
- Foi numa festa que fui com minha amiga, Augusta para uma festa. E lá encontramos o Arinaldo. Ele era ex-marido dela. E ela nos apresentou. Começamos a namorar lá mesmo.
- O que? A esposa te apresentou o marido?
- Filho, não eram mais esposos um do outro. Já havia uma década que tinham morrido e separado.
- E eles tem filhos? Sim, três. Mas a que acho que você conheceu foi só a mais nova. A dona Maria, mãe do Werner, atendente da delegacia.
Eles param diante de uma casa pequena, humilde. E Araí toca a campainha. Logo uma mulher gordinha, com um grande sorriso aparece na porta.
- Araí, que bom que chegou. O Arinaldo não aguentava mais esperar.
- Mas ele é muito bobo mesmo dona Arcelia. Esse é o meu filho, o Ricardo.
Arcelia estica a mão e segura a mão de Ricardo que estava meio acanhado.
- Muito prazer Ricardo. Seja bem vindo a nossa casa. - Diz ela deixando eles entrarem em sua casa. - Seja bem vindo a nossa casa. Eu sou mãe da genro de Arinaldo. Eles entram e veem Maria sentada vendo televisão. Arcelia fala:
- Essa é filha de Arinaldo. Ela só fica vendo televisão o dia inteiro. O marido dela, meu filho, Arcadio, é muito triste por causa disso. Falando nisso, ai está ele. - Diz ela apontando para Arcadio, que sai da cozinha com um grande sorriso nos lábios.
- Finalmente te conhecemos Ricardo. Sua mãe fala muito de você, mesmo quando ainda era vivo.
- Muito prazer.
- Meu nome é Ricardo. Sente-se fique a vontade.
Ricardo se senta do lado da mãe, constrangido, no sofá, do lado de Maria, que chorava com as cenas de Pimenta Malagueta, na qual Ana Beatriz fazia a personagem principal ao lado de Mauricio Gesser. Ricardo fica vermelho ao ver a filha tirar a roupa na frente de todos e agarrar o homem.
De repente chega na sala Ario e Arinaldo descendo as escadas.
- Olá Ricardo? Tudo bem.
Ricardo se levanta constrangido e segura a mão de Arinaldo.
- Desculpe Arinaldo por hoje. Eu agi como um idiota.
- Mas tudo bem. Isso são águas passadas. - Diz Ario com um grande sorriso.
- Vamos para a mesa. O jantar já está pronto. - Fala Arcelia já se encaminhando para a cozinha.
- Mas mãe. Não vai esperar a Augusta? - Diz Arcadio sentado no braço do sofá do lado de Maria.
- Você anda muito interessado nessa Augusta Arcadio. - Diz Arinaldo soltando uma gargalhada enorme apesar de Arcadio ficar chateado.
- Que isso Arinaldo? Eu sou fiel a Maria até depois da morte. - Diz ele abraçando a esposa.
Ricardo vê com alegria aquela família que a mãe entrou.
- Vem Araí. A Augusta sabia o horário que iriamos servir o jantar. Vem me ajudar a por os pratos.
Ricardo fica no sofá e Arinaldo se senta do lado de Ricardo.
- Essa é sua filha não é? A Araí me contou. Você deve ter muito orgulho dela. - Diz Arinaldo para Ricardo que estava constrangido vendo a filha na televisão, com um homem em cima dela.
- Eu acho que essas novelas estão cada dia mais pornográficas. É isso que eu acho. - diz Ricardo resmungão.
- Que isso Ricardo? Isso ai é arte. - Diz ele vendo a cena de Ana Beatriz sendo focalizada e fazendo uma cara de muito prazer. - É... quem sabe é melhor vermos a televisão dos mortos. - Diz ele pegando o controle e colocando num canal onde começava uma reportagem.
O repórter estava numa praia e caminhava para rumo da maré e falava.
- Para você que está cansado da movimentação da cidade grande, que não quer andar pela rua esbarrando nos outros. Venha conhecer a beleza do fundo do oceano.
O repórter entra debaixo de água e caminha como se fosse caminhando em terra comum. Lá várias pessoas caminhavam normalmente andando pelas algas marinhas, peixes e pessoas nadando em cima deles.
- Aqui existe um mundo novo, que poderá ser explorado da forma que você desejar. Cientistas já estão pesquisando modos de construção de cidades inteiras. E logo existiram prédios debaixo da água. Venha conhecer. O número está ai em baixo.
Ario pega uma caneta e começa a anotar. E fala cutucando Ricardo.
- Eu vou fazer uma surpresa para Arcelia. Vamos fazer cem anos de casados. Bodas de Jequitibá. Vou levar para conhecer o mar.
Ricardo sorrindo fala:
- Muito bonito tantos anos de casados assim seu Ario. Uma pena, que não vou ter isso.
Ario fala com carinho.
- Calma meu filho. Depois que os dois vem para esse mundo, muita coisa tem que ser conversada e muda. Não dá para julgar o futuro quando só um veio pra cá.
De repente a porta se abre e uma linda mulher aparece.
- Cheguei muito atrasada? - Ela era, jovem, de cabelos curtos e claros e a pele branca e vermelha.
- Não Augusta. Chegou na hora. - Fala Arinaldo rindo da ex-mulher suada e tomando folego.
- Vim correndo. Sei como a dona Arcelia é pontual e detesta atrasos. - Diz ela recuperando e fechando a porta.
- Augusta, esse aqui é o filho da Araí. É o Ricardo. - Diz Arcadio apontando para Ricardo.
Ricardo finalmente abre um sorriso e segura a mão da mulher.
- Muito prazer.
- Prazer é meu. - Diz ela com um sorriso que encantou Ricardo.
De repente aparece Arcelia nervosa da cozinha.
- Uai gente, não vai vir comer não, é?

Capitulo 36 - A chegada de José no Japão.

- A próxima passagem para o Japão será... - diz a jovem atendente do aeroporto do lado da atendente viva do aeroporto que olhava no computador, para falar a um senhor de idade que estava na fila ao lado, que era dos vivos. A mulher olha constrangida para Arabela. - Espera só um pouquinho, é que teremos que esperar alguém vivo querer uma passagem para o Japão.
Arabela está linda, com os cabelos pendurados do mesmo jeito que antes, com  o mesmo vestido florido, só que agora era jovem. Seu neto Ricardo também estava do seu lado ansioso. A mulher olha novamente constrangida para Arabela e fala:
- Se a senhora quiser se sentar. Assim que aparecer a informação no visor do computador eu a chamarei.
Arabela e Ricardo se sentam no chão, pois o aeroporto estava lotado de gente viva e morta. Ricardo segura a mão da avó e fala:
- Calma vó. Você vai conseguir ir para o Japão e achar o vô.
- Será que ele vai me querer Ricardo? Será que vai valer a pena?
- É claro que vai vó. Você e o vô foram feitos um para o outro. Não vão conseguir ficar separados.
- Tenta ligar para ele.
- Não adianta vó. Os celulares são desligados no avião.
- Porque meu Deus? Se não tem como um celular fantasmagórico dar interferência no rádio de um avião dos vivos.

José triste está sentado no escuro no meio do bagageiro do avião. Roberta estava do seu lado e Link Gocal do lado de Roberta. Roberta animada se vira para Link e fala:
- Eu nunca viajei de avião, nem quando viva e nem depois de morta. Jamais imaginei que os mortos viajavam no bagageiro dos aviões.
Link explica rindo:
- É no bagageiro, nos corredores do avião. A superpopulação morta está um caus e estamos sempre dando um jeitinho.
A turbulência faz todos os passageiros se segurarem um no outro. O método de segurança possível.
José finalmente fala:
- Link, é verdade o que agente vê na televisão no Japão?
- Sim José. Se aqui em Erotildes que é uma cidade pequena está esse caus, imagina no Japão que nos vivos já é super lotada a cidade. Lá somente muita organização para poder manter a calma do povo. Lá para cada pessoa que entra, uma tem que sair. Isso sem contar as filas para andar na rua. Terão que enfrentar muito estresse por esses meses que ficarmos aqui.

- Senhora Arabela!- Diz a atendente morta do aeroporto. Arabela e Ricardo se levantam de uma vez.
- Sim? - Diz ela se aproximando.
- Aqui. Temos duas passagens daqui a três dias.
- O que? Três dias? - Pergunta Arabela apavorada.
- Sim infelizmente. A cidade do Japão tem uma superpopulação. E para cada pessoa que entra uma tem que sair. É difícil de achar uma vaga. Ainda mais duas. E no mesmo voou.
Ricardo olha para Arabela e fala:
- E uma passagem só. Tem para quando.
- A sim. Para uma pessoa tem para hoje a noite.
Arabela olha apavorada para Ricardo.
- Ai Ricardo. Você, depois que morreu, tem sido um parceiro e tanto. Eu não queria ir sozinha.
- Você tem que ter coragem vó.
- Eu nunca fiz nada sozinha Ricardo. Sempre tive ou meu pai, ou meu marido.
- Chegou a hora minha avó de a senhora mostrar que dá conta das coisas sozinha. Vai e ache meu avô e seja sua companheira. Apoio nos seus sonhos. E se adapte a realidade que ele queira. Não digo para a senhora sempre se abaixar para o que ele quer. Mas ele quer uma nova Arabela. E a senhora tem que demonstrar que não é só sua aparência que mudou.
Arabela sorrindo se vira para a atendente e fala:
- Pode reservar minha passagem para hoje a noite senhora.

José olha triste para a sua aliança em sua mão esquerda tristemente e Roberta carinhosamente fala:
- É engraçado que aqui no mundo dos mortos não dê para trocar de roupa e por causa disso, por mais que os casais se separem, as alianças também não saem, não é.
- Se torna parte da gente. - Diz José com um sorriso triste.
- Ela sempre vai estar lá nos lembrando de que pertencemos a alguém no mundo dos vivos.
- Nunca gostei desse termo. - Fala José sério. - Muita gente, pensa que somos pertences quando nos casamos. Eu nunca pensei dessa maneira. Não somos uma coisa. Gosto de pensar que quando nos casamos  é apenas mais uma ligação de amor, de carinho. E não tem nada a ver com objetos. - Diz ele mostrando a aliança. - A verdadeira aliança é invisível Roberta. É a aliança do coração.

Arabela e Ricardo chegam no mercado que era de Ricardo, no mundo dos vivos, e que de noite era um bar do pai de Ricardo. E assim que chegam se deparam com duas pessoas. Uma delas é Araí que olhava firme e um pouco envergonhada para o filho Ricardo. E a outra pessoa é Severina que olhava nervosa para a mãe.
Fábio se aproxima de Araí e juntos levam o filho para o quarto lá em cima. Severina vai até a mãe já gritando:
- Que conversa é essa de que você e o papai vão para o Japão? E porque você rejuvenesceu também?
- Filha por favor. Eu não estou... - Diz Arabela demonstrando frágil e indo para a sua casa vizinha.
-Você é muito besta mesmo mãe. Foi cair na lábia do pai. Ele já foi né? O Fábio me contou toda história. O vexame que ele te fez passar aqui. Ele age como se tivesse quinze anos. Um velho caduco daquele. Não é porque deixou de ser velho, que deixou de ser um velho caduco não...
- Chega Severina! - Grita Arabela nervosa no meio do quintal para todos ouvirem. - Você pensa que é quem para julgar os outros? Você ainda não aprendeu nada da vida menina. Ficou a vida inteira escondida aqui ó... na aba da minha saia. Já tava na hora de nos deixarmos você e seu irmão viver a própria vida.
- Que vida? A senhora ficar correndo atrás do meu pai o resto da eternidade. Ele nunca vai te dar valor mãe.
- Quem tem que dar valor em mim é eu mesma. E seu pai sempre me mostrou isso. Eu é que não queria ver. Eu sempre fui covarde. Dependendo dos outros até para ser feliz. Aprende uma coisa Severina, a única pessoa que pode fazer a nossa felicidade acontecer é agente mesmo. Se você é triste e amarga, a culpa é só sua.
Severina finalmente fica calada. E Arabela vai para dentro do seu quarto.

Fábio e Araí dentro do quarto olhavam para o filho sentado na cama. Ele olhava triste e envergonhado para a mãe.
- Eu sei porque a senhora está aqui.
- Filho,  você bateu no Arinaldo?
- Mãe, eu fiquei sego. Não consigo ver vocês, um sem o outro. - Diz Ricardo nervoso.
- Mas meu filho. É agente que tem que decidir se queremos ficar juntos ou não. Você não pode é querer ver agente sem você. - Diz Fábio com carinho. - Agente sempre ser seus pais. Pela toda eternidade.
- Não importa o que aconteça. Mas se agente é mais feliz separado. Qual é o problema? - Diz Araí.
- E você vai ver que o Arinaldo é um cara legal. - Fala Fábio assustando Ricardo.
- Você pai? Falando isso?
- Quando sua mãe morreu e veio para cá Ricardo, ela soube me esperar com toda paciência do mundo. Quando eu morri, conversamos e vimos que no mundo dos vivos, nos não nos dávamos tão bem. E prendidos num lei, numa regra da sociedade, ou religião, nos vemos presos num relacionamento que não nos fazia feliz. Ficávamos juntos apenas porque tínhamos um compromisso.
Araí continua:
- Ficamos tão felizes sozinhos, eu aqui e Fábio lá que vemos que podemos ser grandes amigos. Mas sem compromisso nenhum.
- E Arinaldo que frequentava o bar começou a se envolver com a sua mãe. E eu tive certeza que não restava nenhum sentimento, porque não me importei.
- Você entende meu filho. Que somos felizes assim. Porque ficar triste porque somos felizes? Tem algum sentido?
- Vocês estão certo. Eu fui infantil mesmo. - Diz Ricardo triste pela sua atitude. E abraça os pais. - E fala. Acho que mexeu muito comigo o envolvimento de Fernanda com o Selmo.
- Se ela te amar mesmo meu filho. Quando vier para cá, ficará com você. Mas se não... o jeito é tocar a vida. - Fala Fábio.
Ricardo olha para Fernanda que saia de toalha do banho com alegria e entrava no quarto. Ela com alegria se preparava para o encontro com Selmo.
- É difícil meu filho. Mas isso serve pra gente perceber que ninguém é de ninguém. Nos temos que aceitar que nossos relacionamentos são apenas momentos felizes que vivemos com alguém. E aceitar quando acaba.

- O avião ira pousar em alguns segundos. Apertem o cinto. - Diz uma voz eletrônica ao longe. Uma aeromoça que caminhava pelo bagageiro fala:
- Se segurem pessoal. Vamos pousar.
José se segura a Roberta e a um outro senhor do seu lado. E de repente um solavanco faz quase todos caírem deitados no chão e soltarem gritos de horror. Logo a turbulência termina num pouso. A aeromoça se levanta e fala ajeitando o cabelo no coque novamente:
- Passageiros se encaminhem para a porta de saída e esperem a fila andar para pisarem em solo japonês.
José se levanta e ajuda Roberta e Link a se levantarem e em fila sairem do avião. Mas ao sair. José se dá conta que por essa estadia no Japão teria que enfrentar muitas filas. Já no aeroporta o corredor de saída do avião já estavam lotado de pessoas. Não tinha espaço para andar. Se você tirasse o pé do lugar só poderia colocar quando a fila andasse. José se apavora e olha para Link em meio ao burburio de pessoas conversando. As pessoas traziam livros e note-books para lerem enquanto andavam na fila. Depois de duas horas conseguem sair do aeroporto. E José vê com pavor que toda a cidade era daquele jeito. Os carros dos vivos transpassavam as pessoas nas enormes filas. As ruas eram lotadas e não tinha espaço nem para respirar... isso se eles ainda respirassem.
- Meu Deus Link! Em todo local é assim?
Link grita para ele em meio a gritaria das pessoas ensurdecedoras.
- Sim José. Sempre.
- Minha nossa Link! E aonde aonde vai morar?
- É por isso que o José está aqui. Para resolver esses problemas. Vamos na loja aqui do lado para comprar comprar alguns comunicadores. Se não vocês vão ficar surdos.
- Comunicadores? - Pergunta José aos berros.
Link tira o seu de uma bolsa e coloca no ouvido. Mas continua a berrar.
- É assim que aqui se comunicam as pessoas. Se não todos ficariam roucos ou surdos.

sábado, 4 de maio de 2013

Capitulo 35 - José parte para o Japão

No quarto da casa que servia de moradia para Arabela, José e um outro tanto de gente, em um dos quartos estava Arabela chorando, e o neto a consolando. Ela sentada na cama escondia o rosto de vergonha.
- Eu não acredito que seu avô fez isso comigo Ricardo. Como ele pode me deixar? Como ele pôde falar uma coisa daquelas? Ele disse que a nossa vida de casado era sempre a mesma e chata! 
Ricardo que estava do lado da avó, com o braço direito sobre seus ombros fala:
- Calma vó. Você precisa entender o vô.
- Entender o que? A humilhação que ele me fez passar? Eu nunca vou perdoar ele! Nunca!
- Vó, as coisas não são assim. Eu tenho certeza que a senhora não quer perder o vô.
- Ele fez a escolha dele Ricardo.
- Não vó, foi a senhora que fez sua escolha. 
Arabela se vira para o neto estranhando. 
- Você está do meu lado ou dele Ricardo?
- Eu estou do lado de vocês fazerem as pazes e voltar a ser um belo casal.
- Então vai até seu avô e fala pra ele não ir para essa viagem idiota, e voltar a ficar velho de novo.
- Vó,  porque as coisas sempre tem que ser do jeito da senhora?
- Sempre do meu jeito Ricardo? Eu deixei minha família para virar capacho do seu avô por mais de noventa anos. E agora, quando esse capacho está velho ele quer tacar fora.
- A senhora fez da sua vida o que a senhora quis! Admita que a senhora gostou muito de ser a dona de casa perfeita, e foi para agradar a senhora mesma e não só o meu avô. A senhora fez o que fez foi pela senhora. E meu avô sempre foi um marido muito ajuizado e descente. E na época que vocês viveram não era fácil um homem ser tão fiel assim a esposa. Ele deixou muita coisa de lado vó para ficar com a senhora também. Mas agora chegou a vez dele de fazer. De escolher. E você não ficou do lado dele. 
- Eu admito que fui bem mandona nesses noventa anos de casados. Mas eu fiz isso tudo pensando que ele gostava Ricardo. Não foi só pensando em mim.
- E ele gostou vó, mas tem hora que devemos mudar um pouco as coisas. A senhora está com medo das mudanças. Mude pelo meu avó. Ele está sentindo que a senhora não o ama de verdade. Não é capaz nem de mudar por ele.
- Você está certo Ricardo. Eu vou mudar por ele. 
- Eu vou te ajudar vó. Vamos ir agora para a clinica de estética. A senhora tem algum dinheiro guardado?



Arabela corre até a mesinha do quarto, pega um porquinho que estava lá dentro e taca no chão. Pega as moedas e sai correndo do quarto, com o neto a seguindo.

Dentro do mercado que é bar no mundo dos mortos, José sobe as escadas nervoso pegando o telefone. Fábio o vê e corre até o pai. Ele segue para um dos quartos e fala:
- Pai, aonde você vai ligar?
- Eu vou para o Japão filho. - Diz José sério e segurando o telefone sem fio na mão.
- Pai, vai valer a pena.
- Eu preciso disso Fábio. Não aguento mais viver nessa vida sem ajudar alguém, sem contribuir. Sua mãe não pensa nisso. Aqui está bom pra ela pela eternidade. Pra mim não.
Fábio se senta na cama assustado. E o pai disca o número de Link Gocal. E coloca no ouvido:
- Alô Link?

Arabela e Ricardo correm pela rua quando veem Felícia, uma pessoa viva,  andando pela calçada também e falando ao celular:
- Eu estou indo para a clinica de estetica. É que eu trabalho lá. Você também vai? Me dá uma carona? Eu estou aqui na rua Tal indo para rua Acolá.
Arabela e Ricardo olham um para o outro. Logo estavam dentro do carro de Horácio, o médico, irmão de Felícia. Arabela e Ricardo nos bancos de trás. E Felícia feliz ao lado do irmão.
- Obrigada meu irmão. Não sei o que seria de mim sem você.

Dentro do bar que é mercado no mundo dos vivos, José saia deixando Fábio desesperado correndo atrás dele.
- Pai, mas você vai assim sem se despedir da Severina e da mamãe?
- Nos temos a eternidade inteira pra gente se despedir Fábio. O voou sai só hoje para o Japão.
José sai deixando o filho apavorado com a situação.

Arabela chega na clínica ao lado do filho correndo. E corre para a recepcionista.
- Moça eu preciso ficar jovem urgente!
- É só pegar uma senha senhora. - Diz ela com aquele sorriso aparafusado.
Arabela agarra a mulher pela gola da blusa fazendo o sorriso sumir.
- Moça! Eu vou perder meu marido se a senhora não me passar na frente dessas pessoas.

José caminha rapidamente em direção a faculdade quando encontra no meio da calçada Roberta chorando, sentada na frente da mansão.
- Roberta, o que foi?
Roberta levanta a cabeça triste e fala:
- A monstra da Sheron me demitiu José. Só porque eu entrevistei algumas pessoas para morarem no jardim da mansão.
José respira fundo e com um sorriso fala:
- Quer ir para o Japão comigo Roberta?
Roberta olha esperançosa para José.

Arabela chega na sala de consulta médica ao lado do neto e encontra Arinaldo, padastro de Ricardo.
- Arinaldo, você que é o medico?
- Não sou um médico Arabela. Eu sou um rejuvenescedor. E ai? Finalmente decidiu a juventude eterna as rugas e as dores nas costas?
- Sim. Eu vim com meu neto, e temos muita pressa.
- Seu neto? Filho de Fábio com Araí?
- Sim. Mas voltando a minha rejuveneção...
O médico se vira para Ricardo e fala com carinho:
- Acho que ainda não nos conhecemos. Eu sou seu padastro. Novo namorado da sua mãe. Arinaldo Lahm Panta, muito prazer em te conhecer.
Ricardo fica vermelho e paralisado diante da noticia, Arabela levanta da cadeira nervosa e o rejuvenescedor de mão estirada para o enteado.
- Ei Arinaldo. Eu tenho pressa sabia?
De repente Ricardo só se levanta com um soco na cara de Arinaldo, ele sobe em sima da mesa e começa a sufocar o médico. Duas recepcionistas entram na sala tentando retirar Ricardo do pescoço de Arinaldo. De inicio Arabela tenta puxar o filho mas logo vê um computador, e de uma janela enorme vê uma cama onde lia-se rejuvenescedor. Enquanto eles brigam, Arabela corre até o computador e lê:
"Iniciar processo de rejuvenescimento?" Arabela aperta que sim, com um grande sorriso no rosto. E logo aparece outra tela. "Idade". Ela digita no espaço: "18 anos" e aperta "OK" E uma voz feminina computadorizada fala alto. "Processo de rejuvenescimento iniciado em 10,9,8..." Isso faz com que Arinaldo, Ricardo e as duas recepcionitas parem de brigar para olhar para Arabela, correndo, entrando na sala e pulando dentro da cama. De repente a cabeça começa a brilhar e em alguns segundos o brilho para e ela sai.
Ricardo e Arinaldo só abrem a boca chocados com a beleza de Arabela.

- Passageiros se encaminharem o avião. O voou partira daqui um minuto. - Diz uma voz feminina dentro do aeroporto.
Link sorrindo em pé, se vira para José e Roberta que estavam sentados na cadeira de espera do aeroporto e fala:
- Vamos gente?
Roberta também estava alegre, mas José estava triste e preocupado. Ele se levanta e olha esperançoso para a porta do aeroporto onde entrava e saia um monte de gente viva ou morta. Mas ninguém apareceu. Ele se vira para a porta de entrada para a área de embarque. Aonde tá frente já ia Roberta e Link. José abaixa a cabeça e caminha para a porta quando de repente ouve-se uma voz vindo da porta de entrada da rodoviária:
- José!!!
José se vira e vê sua linda esposa, jovem e muito elegante. Ela estava com as mesmas roupas de quando era idosa. Mas tinha tomado outra forma em seu corpo o vestido florido com manga. José para alegre e a vê correndo no meio das pessoas e pulando em seus braços e a beijando. Ele se desvencilha para olhar para a esposa dando um rodopio com ela.
- Mas você está linda Arabela!
- Eu estou José. Eu mudei por você.
- Eu não estou acreditando...
- Fica José. Agora fica. Eu rejuvenesci. Você não precisa mais ir. - José fecha o sorriso e larga a mão da esposa.
- Arabela, eu não vou deixar de ir.
Ricardo está do lado da avó e vê quando ela começa a chorar entre o sorriso que ainda não tinha se desfeito.
- Mas eu rejuvenesci por você.
- Mas Arabela, eu nunca pedi que fizesse isso por mim. - Fala José sério. - Eu quero que você acorde e veja que você você precisa crescer. E não por mim, mas por você simplesmente. E uma forma que você demonstraria que mudou seu jeito de ser, que você cresceu, é indo comigo para o Japão.
José lhe estende a mão. Arabela olha assustada para aquela mão esquerda, ainda com aliança, que ficará eternamente na mão dele. Link demonstrando estar nervosa já fala logo:
- José, vamos perder o voou.
Arabela chorando fala:
- Fica comigo José. Não me deixe.
- Não me deixe você Arabela. Tudo que mais quero é que você venha comigo.
- Eu não posso.
Ela abaixa a cabeça e vira as costas andando de vagar para o neto Ricardo que olhava aquela cena assustado. José também, sem ter o que fazer se vira e caminha para a local de embarque.
Ricardo vira-se para a avó e fala:
- Vó o que você está fazendo? Vai deixar meu avô ir assim, para o Japão?
- Eu tenho medo Ricardo. E se ele não me aguentar lá? E se eu ficar sozinha? E se eu não aguentar ficar lá e tiver que voltar?
- Chega desses "ses" vó. Tenha ação. Não pense no futuro, nem no passado. Pense em ser feliz. O que a senhora deseja agora, se não existisse amanhã? Se não tivesse nada para ter medo?
Arabela se vira para José que já entrava no corredor para ir para o local de embarque. E ela corre em direção a José.
- José!!! Eu vou com você!!! - Dois policiais tentam segurar ela para ela não entrar no voou. A porta de vidro se fecha deixando José sem ouvir o que Arabela gritava do outro lado do vidro. Os policiais a segurando e ela batendo no vidro e gritando:
- José!!! José!!!
Mas ele se vai junto do avião indo para o Japão. 

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Capitulo 34 - José termina com Arabela

José e Severina caminham pela rua. Severina apressada e com cara de nervosa e envergonhada. José do seu lado tentava acompanhar a filha. 
- Filha eu quis vir te acompanhar para a faculdade para agente poder conversar. Eu não quero que fique esse clima entre agente. 
- Não tem clima nenhum pai. E não tem nada a ver, você vir para a faculdade comigo. As pessoas vão falar depois que eu estou sendo acompanhada por outro homem, o Ailton não vai gostar. 
José rindo fala:
- Ia ser até bom pra ele Severina. Ele ia perceber que ele não está cem por cento no controle. 
Severina solta um sorriso finalmente. E fala com carinho para o pai:
- O senhor acha mesmo.
- Um amor que não tem um pouquinho de ciumes não é amor. 
- Você acha que ele iria brigar.
- Não. No máximo vai querer saber quem eu sou. E você não conte que era com seu pai que estava. Deixa ele se torturar um pouquinho.
Severina abraça o pai com carinho e fala:
- Eu quero só ver a cara dele. 
Eles chegam na porta da faculdade.
- Viu pai, como é bom quando o senhor não acusa o Ailton de não ser boa pessoa.
- E a senhorita viu como é bom quando você não implica por eu ter rejuvenescido.
Eles se abraçam e ela entra na faculdade. José sorri feliz olhando para o vastidão que tinha do lado da faculdade. Sua localização era na saída da cidade, um deserto, e no meio do nada a faculdade. Apesar de não ficar longe.
 De repente José ouve uma voz falando:
- Você está cansado de gastar sua eternidade sem fazer algo útil?
José olha atencioso para onde vinha a voz. De dentro de uma sala de aula.
Ele caminha até a porta da sala e vê uma mulher muito bonita de origem asiática falando para a turma. 
- Temos uma resposta para você, a Faculdade de Engenharia de Satsil. 
Um dos alunos levanta a mão e fala:
- Mas dona Link Gocal, não faz sentido ter uma faculdade de engenharia no mundo fantasmagórico se nos não podemos construir nada. 
- Ai está uma afirmação. Eu quero que vocês me façam perguntas! Se podemos criar alimentos, porque não podemos criar matéria prima para construção de casas, ou para auto-moveis? De onde vem esses objetos que usamos, que podemos ter?
José intretido fala:
- Vem da nossa força de querer aquele objeto. Ele é criado da nossa mente, e não de matérias primas primitivas como a do universo dos vivos. 
Todos se viram para José inclusive Link, que fica com um sorriso nos lábios.
- Sim. Gostaria de participar de nossa palestra?
José apenas se senta numa cadeira vazia e fala:
- Bem, se nos podemos querer pequenos objetos como canetas, mantimentos, bebidas, cigarros e até mesmo drogas. Porque não funciona com a casa?
José levanta mais uma vez a mão e fala:
- Porque usamos esses objetos por pouco tempo. Não é?
- Sim. E também porque são objetos simples. Uma casa é uma estrutura grande. Cheia de mecanismos difíceis  Conseguimos comercializar esses objetos porque jogamos a ideia do fabricante num arquivo de dados e transportamos para a ideia da pessoa por meio do toque. Compramos ideias de pessoas que já estão a centenas de anos estudando para ter mentalidade para formar as ideias desse objetos. Mas até para eles tem um limite. E esses objetos mais complexos é o limite. 
Mas estamos criando na Faculdade de engenharia de Satsil um HD que consegue criar ideias. 
Primeiro o grande cientista Long Shi Wham veio para o Brasil, para criar o computador e o HD correto. Agora finalmente, depois de um monte de pesquisas neurocientíficas, conseguimos redimensiona lo para caber os dados da primeira casa construída no mundo dos fantasmas. E a faculdade de Erotildes foi a escolhida por um sorteio para desenhar um modelo dessa casa. Escolhemos a turma de desenho por esse motivo.
Alguém passa a distribuir folhas especificas para desenhos de arquitetura. E Link Gocal se aproxima de José com um sorriso.
- O senhor sabe desenhar?
- Eu era arquiteto quando era vivo senhorita Link.
- Que bom saber disso. - Fala a japonesa entregando-lhe uma folha.
Todos passam a desenhar. E logo as folhas são entregues. Link se vira para todos e fala:
- Foram muitos desenhos lindos que tivemos. E um jure especificamente treinados para tal assunto, ira escolher o melhor desenho para a casa. 
Um sinal toca e todos começam a sair. José vai para sair também quando alguém se segura o braço. Ele se vira e vê a jovem mulher.
- Senhor José  Baron  Dahmer. É esse o nome? Foi isso que colocou no seu desenho.
- Sim. É meu nome.
- Poderia esperar alguns minutos para termos uma conversa.
Todos saíram e Link Gocal fez José se sentar numa cadeira e ela em outra. 
- Fiquei espantada com seu desenho senhor José. Enviei para meu chefe e ele concordou com o que decidi.
José ficou na expectativa. E ela falou:
- Quero fazer uma proposta para o senhor. Quero que venha participar do nosso grupo para construir a primeira cidade totalmente fantasmagórica. 
- O que?
- Isso mesmo. Esse projeto era só para construir a primeira casa para apresentarmos em esposições. E dizer que fazemos nossa parte para ganhar novos estudantes de ciências depois da morte. Mas o seu desenho ficou espetacular. Queremos você no nosso grupo.
- Nossa. Mas eu tenho um tempo para decidir.
- E é algo muito bem decidido. No primeiro período  Que será do nosso estudos estamos trabalhando na cidade mais populosa do mundo. E não é fácil viver lá.... quero dizer morrer lá. Lá a população é contada rigorosamente. E para você entrar alguém tem que sair. E teremos que dormir ao relento por não ter uma sede própria no local. Não vai ser fácil, mas será um bem tão grande para a sociedade fantasmagórica. 
José não sabia se ria ou se estranhava. Logo ele fala:
- É uma proposta muito tentadora. Eu sou casado. Tenho que conversar com minha esposa... e meus filhos. Não vou levar todos. Mas minha esposa...
- Só teremos lugar para você e sua esposa senhor José. E ela terá que abrir mão de muitas coisas para poder ir. É algo que vocês terão que conversar muito. Esse é meu número. Assim que tiver com a resposta eu mando-lhe buscar.
José caminha até a rua estarrecido. E chega em casa.
Arabela estava vendo televisão, ao lado de um tanto de outras mulheres, inclusive Selina e Sergio que conversavam sobre a vida de modelo internacional com a mãe.
José segura a mão de Arabela e fala:
- Temos que conversar Arabela.
- Fala depois José. Eu estou vendo a novela. - Diz ela pegando batatinha e comendo sem nem olhar para o marido.
- Arabela, é sério. 
Arabela olha nervosa e fala:
- Não dá pra falar aqui Zé?
- Não. Não dá. - Diz José olhando para as amigas de Arabela olhando para ele curiosas.
Arabela olha amedrontada para José. E fica vermelha de raiva e se levanta e vai para o quarto apavorada perguntando gritando aos cochichos para o marido.
- Eu não acreditando que seja isso José. Não tó acreditando.
- Acreditando o que Arabela? O que você pensa que é? - Diz ele falando alto. Arabela que tentava cochichar falando alto fala:
- Fala baixo. Olha o vexame! Não vê que estou falando baixo com você? - Eles param no meio do corredor e ela fala nervosa. - Eu não vou me separar de você José.
- O que? Não é isso...
- Você rejuvenesceu porque você quis. Agora vai ter que aguentar a velha aqui viu.
- Arabela por favor. Deixa eu falar...
- Você arrumou outra! Foi isso! - Diz ela saindo nervosa para a cozinha. - Eu fico aqui cuidando desse amontuado de gente que você quis colocar na nossa casa por caridade, e você me chifrando lá fora Zé?
- Arabela deixa eu falar pelo amor de Deus! -Grita ele falando ela calar. Ela começando a deixar lágrimas cair dos olhos tenta se controlar e ouvir o homem.
- Não é nada disso. Eu recebi uma proposta de trabalho.
- Você? Trabalho? Pra que? O bar do Fabinho já paga as nossas contas...
- Eu quero voltar a minha profissão Arabela. Eu quero voltar a ser arquiteto.
Arabela começa a rir e fala com um sorriso debochado.
- Você está zoando com a minha cara Zé? Não sei se alguém te contou. Mas fantasma não constrói casa não fi. Endoidou homem? 
- Estou falando sério Arabela. Por favor deixa eu falar. - Diz José tentando se controlar. - Eu tive uma proposta de uma professora da faculdade de ciências em Satsil. 
- Você tá querendo ir para Satsil? 
- Eu estou querendo que "nós" vamos para o Japão Arabela. 
- Você está querendo me levar para aquele inferno. Você tá louco! Eu não vou lá de jeito nenhum!
Diz ela voltando para sala nervosa. José a segue e fala já alto.
- Arabela você quer ficar aqui a eternidade inteira vendo novela? 
- Não Zé! Não, não e não! Mil vezes NÃO!
- Arabela é uma oportunidade única. Eles reconheceram meu trabalho. Fui reconhecido numa faculdade de desenho. Onde tinham milhares de desenhos. 
- Não me interessa se você sabe desenhar ou não José. Eu não vou para um lugar onde não tem espaço nem para andar.
- É por pouco tempo Arabela. Não é pra sempre. Nos vamos fazer o projeto para uma cidade inteira feita por nós. Vamos ficar só no período de pesquisas. 
Nesse momento a conversa já tinha virado uma gritaria onde todos olhavam para os dois. Logo Ricardo já estava lá vendo os dois.
- Me deixa ver minha novela Zé! - Diz ela saindo da sala e indo para o quintal de casa correndo da briga. Mas José segue ela e continua. 
- Não Arabela! Nos vamos conversar! 
- Eu não vou Zé. Eu tenho uma vida aqui. Meu filhos estão aqui. Meus netos estão aqui. Você quer largar tudo isso. 
- Eu quero é que você largue de ser ignorante e pense um pouco. Vamos fazer algo da nossa vida. Largar dessa mesmice, dessa chatice. 
- Então minha vida com você é isso pra você Zé? Mesmice, chatice? 
- Não Arabela, eu não falei isso... - José pensa um pouco e fala aos berros igual a esposa. - Quer saber de um coisa. É isso sim. Nossa vida é uma mesmice mesmo, uma chatice. Mas podemos concertar isso Arabela. Eu resolvi rejuvenescer por causa disso. E quero ir para o Japão com você por causa disso. 
Arabela chorando fala:
- Essa vida que você chama de mesmice e de chatice Zé, eu gosto, e não quero largar.
- Pois então eu acho que chegou a hora da gente se separar Arabela.
- Vô!- Diz Ricardo assustado.
- Não Zé! - Diz Arabela assombrada.
Mas José fica firme olhando para a esposa.
- Eu não vou suportar ficar mais tempo nessa vida e você não vai suportar ficar sem essa vida. Chegou a hora Arabela.
- Eu sou tão pouco assim para você.
- Eu é que nunca fui o bastante para você fazer o que eu queria. Eu é que sempre tive que me dobrar. Quando chegou a minha vez você recuou. Você só me aceitaria se fosse do seu jeito Arabela. Mas eu quero agora do meu jeito.
José sai nervoso de casa. Deixando Arabela chorando no meio de todos a vendo. Ricardo segura a avó e a leva para o quarto.

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Capitulo 33 - Fernanda tira o luto

Fernanda abre seus olhos. Era de manhã e teria muito serviço para ser feito. Ela se levanta da cama se espreguiçando e passa a mão do lado da cama que ficava o marido, que agora estava morto. Ricardo estava lá, sentado do lado da esposa e fala com carinho.
- Bom dia minha esposa.
Ela se levanta e alisa um gato que pula em sua cama.
- Meu querido Baby, só você para retirar todo a minha tristeza de não ter meu querido Ricardo comigo.
Ela segura o gato pelas mãos e desse as escadas para a loja, aonde estava sua nora pegando algo na estante de mantimentos e colocando numa sesta.
- Felícia, querida, o que está fazendo? - Diz Fernanda colocando o gato no chão.
- Desculpe não ter te avisado dona Fernanda. Mas Cristiana me pediu para separar alguns mantimentos para fazer o almoço de hoje.
- Mas porque pegar daqui? Se está faltando mantimentos devemos pegar com os fornecedores para encher o estoque.
- Dona Fernanda, não sei se a senhora está notando, mas não temos dinheiro esse mês para pagar os fornecedores.
- Porque não?
- Ninguém está comprando de nós. A dias que não vendemos nada nesse mercado?
- Mas porque nossos clientes pararam de vir aqui? Abriram por acaso alguma loja concorrente?
- Que eu saiba não dona Fernanda. - Diz Felícia colocando as sua sesta de mantimentos no chão.
De repente chega na loja Cristiana correndo. E para pegando ar.
- O que é isso Cristiana? Que correria é essa? Está sendo perseguida? - Pergunta Fernanda assustada.
- Não mãe. Não estou sendo perseguida. Mas estou prestes a perseguir alguém e matar.
- Porque minha filha? Que raiva toda é essa?
- Acabo de saber pelo Daniel que a Selina, filha dos vizinhos aqui do lado, está espalhando para todo mundo que o papai anda aparecendo aqui na loja.
- Mas o seu pai morreu. - Diz Fernanda sem saber que Ricardo estava do seu lado ouvindo a conversa intrigado, junto de outro tanto de gente que já tinha morrido, e que frequentava o mercado que no mundo dos mortos era um bar. Fábio também estava lá intrigado com aquilo ao lado de Arabela, sua mãe. - Ele não pode frequentar mais nossa casa.
- Pois o Daniel falou que a Selina está jurando para todos de pés juntos, que viu o papai assombrando o mercado dele.
- Pois vamos conversar agora com essa tal menina e dizer para ela que se enganou. - Diz Fernanda já saindo do mercado, acompanhada do marido, o sogro e a sogra, junto da filha e da nora,  com o gato entrelaçando nas suas pernas e quase lhe fazendo cair. Quando Fernanda chega na porta vizinha está Selina, e uma outra senhora idosa que é sua mãe, conversando com uma outra mulher.
- Pois Selina, que história é essa de sair por ai dizendo que viu meu marido andando pelo meu mercado.
Selina se vira para a mulher nervosa e fala:
- Pois eu vi sim senhora dona Fernanda. Vi com esses olhos que a terra ai de comer.
- Pois a senhorita deve ter se enganado. Meu marido morreu a quase um mês.
A senhora que é mãe de Selina fala com orgulho:
- Pois é gente morta mesmo que minha filha vê. Ela é sensitiva e vê de um tudo nesse mundo.
Fernanda com paciência fala:
- Pois eu tenho certeza que a senhorita se enganou. Meu marido morreu e foi para junto de Deus. E o que a senhora viu com certeza, foi a minha filha, ou a namorada dela andando pelo mercado.
Selina com um sorriso fala:
- A senhora pensa que me engana? Eu sei o que vocês fizeram com ele. Ele está me falando aqui no meu ouvido.
Ricardo vê a cena intrigado.
- Eu não estou falando nada não. Essa mulher é louca.
E Selina continua:
- Ele está me falando que não iria aceitar a filha dele virar uma sapata de jeito nenhum. E vocês foram e mataram ele. As duas sapatas mataram o pobre homem, e a mulher encobriu. - Diz ela colocando a mão na cabeça e fingindo que iria desmaiar.
Cristiana fala nervosa:
- Mas isso é uma calunia! Meu pai morreu porque descobriu que a minha irmã iria fazer a novela das oito. Nos nunca íamos matar meu pai só porque ele não me aceitou.
- Que mulher maluca. Não acredita nela não. - Diz Ricardo vendo que juntava um monte de gente viva na rua.
- Você deve estar se enganando querida. - Diz Fernanda com paciência.
- Minha filha nunca se engana Fernanda. - Diz a mãe novamente da vidente.
- Eu vou mostrar para ela que ela se enganou agora. - Diz Cristina pulando no cabelo da tal vidente e puxando com toda força que tinha. Fernanda e Felícia puxavam a filha de um lado e a mãe de Selina e a outra a mulher com quem ela fofocava puxava do outro. E no meio daquela gritaria Fernanda estava sendo agarrada pelo gato nas pernas. Ela sem prestar atenção acaba chutando o gatinho falando:
- Sai Baby! Deixa eu defender minha filha!
Mas o gato é chutado para o meio da rua. E todos param de brigar para ver o gato sendo transpassado por um carro em alta velocidade. Todos da rua veem com tristeza Fernanda gritando bem alto para todos ouvirem:
- BABY!!!! Meu bebê! Minha vida!
Fernanda cai de joelhos no chão do asfalto aos berros e segura o corpinho do gato com os miolos dele caindo em sua saia.
Ricardo vê a cena triste ao lado do pai. E de repente vê o gato que morreu roçando em suas pernas.
Fernanda está chorando quando um homem desse do carro que tinha matado o gatinho e corre até ela.
- Meu Deus senhora! Me desculpe! Eu não queria. Estava no celular e nem vi...
Fernanda se vira e para de chorar na hora ao ver a beleza do rapaz. De repente Selina corre para o rapaz gritando:
- Selmo! Meu irmão!
- Irmão? - Pergunta Felícia e Cristiana de uma vez.
A velhinha, mãe de Selina fala outra vez com orgulho.
- Sim. Meu filho, Selmo, acaba de voltar de Paris. Estava fazendo uma campanha de roupas intimas masculinas e entre umas fotos e outras resolveu dar uma passadinha aqui para ver a mamãe. Ele é modelo internacional. - Diz ela abraçando o filho.
Fernanda se levanta limpando as tripas do gato de sua saia. E o rapaz sem graça, ainda grudado na mãe e na irmã fala:
- Me desculpe dona. Eu não queria ter matado seu gatinho. Eu também gosto muito de animais e eu gostaria de te recompensar. Mas não sei como.
Fernanda sorrindo fala:
- Um jantar não ia ser nada de mau.
Ricardo ao ouvir isso quase desmaia no chão, se o pai não o tivesse segurado e o levado para dentro do bar.
- Calma meu filho. Toma essa água. - Diz colocando o filho sentado numa cadeira e pegando água para ele.
- Como ela pode pai? Não tem um mês que eu morri.
Fábio fala sério.
- Filho, a fila anda. A promessa é até que a morte os separe. E ela os separou.
- Isso não é justo pai. Eu dei tudo para essa mulher.
- E ela também te deu tudo meu filho. Mas a vida é assim.
- Não aceito. Não aceito.
De repente entra no mercado que era bar para os mortos, Fernanda abraçada a Felícia e Cristiana, as três com um grande sorriso no rosto.
- Eu não acredito mãe, que você conseguiu um jantar com o Selmo Quadrado Redondo. O modelo mais gato de todos os tempos.
- Sabia que ele foi escolhido em primeiro lugar, na lista dos homens mais charmosos do mundo fashion.
- Eu sei. Não é loucura minha. - Diz Fernanda rindo e se abanando com a mão.
Felícia fala se separando da namorada e da sogra deixando elas subirem as escadas para o quarto dizendo:
- Eu vou buscar uma pá para catar os restos do Baby.
Ricardo ouvindo isso chora mais ainda, com Baby roçando em sua perna. 

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Capitulo 32 - Os problemas de seu José

José estando no balcão da mercearia que era de Ricardo, que é no mundo dos vivos e no mundo dos mortos é um bar servia bebidas para mais um grupo de amigos sentados de junto ao balcão. Quando Fábio chega ao lado de Ricardo com um grande sorriso no rosto.
- Fui fazer compra pela primeira vez com meu filho pai. - Diz levando as coisas para a cozinha no fundo da loja.
- É filho. Que bom que você está alegre. Mas eu não estou. 
- O que foi vô? - Pergunta Ricardo ajudando a colocar as coisas dentro da sacola no estante.
- O que foi? Sua tia de novo Ricardo! - Diz ele nervoso. 
- Eu nem tive tempo de conhecer minha tia. Ela morreu, eu era muito novo. - Fala Ricardo rindo. - Ela só fica naquela faculdade.
- Ela está saindo com aquele tal de Ailton. - Fala José nervoso.
- O mordomo da Sheron. - Pergunta Fábio rindo. - Aquele cara tem vida própria? Pensei que fosse apenas marionete da dondoca.
- Eu fiquei sabendo que eles eram amantes quando vivos? - Pergunta Ricardo interessado.
- Cuidado meu filho. Já te falei das conversalhada que você tinha quando vivo. Nos víamos tudo daqui.
Fábio e Ricardo termina de desempacotar as coisas e vai até o balcão ajudar a servir as mesas. José fala para o neto e o filho.
- Agora que vocês chegaram. Eu vou ter uma conversa séria com a Severina.
José deixa os dois e sai para a casa ao lado. Um muro enorme e um portão grande. José apenas atravessa ele e no quintal está umas três barracas armadas e várias pessoas cozinhando algo num fogo. 
- Boa noite gente. 
- Seu José, sua filha está toda nervozinha ai dentro. - Diz uma senhora gorda. - Maltratou até meu filho.
- Ela está nervosa Giuslene. Me desculpe. 
Ele entra na casa atravessando também a porta. Na sala várias pessoas viam televisão comendo pipoca. 
Um rapaz com roupas dos anos trinta grita:
- Vem assistir televisão com agente seu José. O filme está batuta. 
- Agora não Jonatham. Tenho que achar a Severina.
- Está no quarto.
José atravessa o corredor se desviando das várias pessoas que estavam passando e atravessa a porta do quarto que estava fechada. Severina estava no quarto em cima da mesa do computador fazendo o dever de casa enquanto um pessoa viva dormia na cama.
- Filha que vexame foi aquele na porta do meu bar?
- Vergonha? O que mais que eu fiz? Dei só uns beijinhos no meu namorado! Não posso? Pelo que eu saiba já passei do quinze anos a mais de sessenta anos. Pra falar a verdade já estava na hora de eu começar a fazer isso.
- Não é porque você está morta que deixou de ser minha filha e me deve o respeito.
- Respeito é você que deveria dar! Está todas as minhas amigas da faculdade querendo agarrar meu pai.
- O que?- Diz ele rindo.
- É isso que você me ouviu. Eu não gostei de você ter rejuvenecido. Minha mãe está lá, deprimida.
- Ela pode também rejuvenecer minha filha. Ela é que não quer.
- Ela se dá ao respeito. Sabe que não precisa mais ter beleza.
- Duvido que se você tivesse tido chance de envelhecer também não ia querer rejuvenecer.
- Eu morri assim não foi porque eu quis pai. Eu queria ter casado. - Ela começa a chorar. - Eu queri ter tido filhos. Mas não pude. Deus não deixou.
José se senta na cama onde uma jovem roncava. E fala triste:
- Filha eu só quero que você tome cuidado. Esse seu desespero em ser livre me assusta. Eu estou do seu lado. E tenha cuidado com o seu namorado. Não confio nele.
- Pai o que o Ailton te fez?
- Nada filha. Mas ele não me parece confiável.
- Ok pai. Então faz o seguinte. Eu não vou me importar com sua juventude, os comentários maliciosos das minhas amigas e você não se intromete no meu namoro com o Ailton.
Severina sai nervosa, deixando José chateado dentro do quarto. Ele queria ajuda-la. Mas não sabia que jeito. De repente Roberta entra dentro do quarto.
- José?
- Roberta? Tudo bem?
- É que eu vim ver a Selina. - Diz ela apontando para a menina deitada na cama roncando. - Ela é minha neta.
- Sua neta? Não sabia que você era casada. - Diz ele olhando para a menina começando a babar na cama.
- Fui casada por alguns anos. Mas morri nova. Meu marido casou de novo, com uma ótima mulher que criou meus dois filhos. Ela é filha do meu segundo filho. Ninguém ainda morreu. E fiquei sozinha. Meus pais moram em outro país.
- Não sei me imaginar longe dos meus filhos, meu neto. Meus pais vem me visitar uma vez por mês.
- Eu queria ter isso. Mas não são todos que tem  a mesma sorte. Minha família acabou sendo a Sheron e o Ailton.
- Deus que me livre dessa família. - Diz José rindo e se levantando da cama. - Você acha que eles são confiáveis?
- Não, né? Mas é o que eu tenho.  - Diz Roberta.
José fala com calma para Roberta.
- Mas você pode criar uma nova família aqui Roberta. Não precisa esperar.
- Eu? - Diz ela assustada. - Não. Acho que ninguém mais se interessaria por mim não. E nesse mundo é muito difícil arrumar um homem que queira algo sério. Agora não é mais até a morte nos separe. É a eternidade inteira.
- Pois acho que deve ter muitos homens que queiram passar a eternidade do seu lado Roberta.
Roberta olha para José com uma ponta de esperança e sorri. Ela fala sem graça.
- Bem, deixa eu ir. Que a Sheron tá uma arara. Tchau José.
- Tchau Roberta.
Roberta sai deixando ele sozinho no quarto e José sai para a cozinha e encontra Arabela batendo um bolo. Ele sorrindo vai para beija-la. E ela desvia nervosa.
- O que foi Arabela?
- O que os outros vão pensar em ver uma senhora da minha idade beijando um rapaz novo feito você?
José vira os olhos triste e fala:
- Meu amor. Porque então você não rejuvenesce também.
- Porque eu combinei com meu marido assim que nos chegamos que não íamos querer ficar novos de novo. Lembra?
José anda ao redor da cozinha nervoso sem olhar para  a esposa anciã.
- Arabela, você tinha vindo primeiro, eu estava ainda zonzo por causa da minha morte. E você já foi logo afirmando isso. Não me deu chance de dizer sim ou não.
Arabela taca a vasilha em cima da mesa nervosa. Assustando pessoas que andavam pela cozinha.
- Eu lembro muito bem você dizendo seu mentiroso: "Está tudo bem. Nos vamos ficar desse jeito mesmo." Mas você me traiu! Você rejuvenesceu e sem falar comigo!
- Mas eu cansei de falar pra você Arabela que eu queria isso!
- Você queria. Querer não é fazer José. Agora me deixe em paz que vou terminar esse bolo para o Ricardinho.

Capitulo 31- Uma boa ideia de Paula e uma terrível ideia de Sheron

Gabael, sai do cubículo de um banheiro, quando de repente uma mulher o agarra e o beija. Era Mércia que com um sorriso deixa o rapaz respirar.
- Mércia? O que você está fazendo aqui na faculdade?
- Vim lhe fazer uma visitinha. - Diz ela indo até o espelho e ajeitando o batom na boca.
- Se o diretor te pegar aqui... - Diz ele desesperado. - Se alguém lhe pegar aqui dentro.
- Relaxa meu amor. - Diz ela saindo do banheiro seguida por ele. - Eu vim me cadastrar num cursinho também. Vou fazer faculdade.
Gabael transforma seu desespero numa cara emburrada.
- Porque?
- Porque eu quero. Eu vou querer ser bióloga marinha.
- Bióloga Marinha? Porque?
- Gabael querido. Você não queria casar. Pois é. Aqui em Erotildes está muito cheio. Vou fazer minha faculdade depois vou mudar para o Oceano. Quero viver debaixo da água. Se você quiser vir comigo?
- Você é louca. Para que quer morar debaixo de água? - Pergunta Gabael nervoso.
- Porque é um mundo novo e eu quero. - Diz ela com um sorriso solto no rosto. - Se vou viver eternamente não quero passar o resto da eternidade em Erotildes. Até mais. Vou ver os horários.
Gabael fica no corredor nervoso balançando a cabeça. E vai para um sala de aula, aonde o professor estava em pé sério ao lado de um outro professor, Sérgio.
O outro professor se vira para Gabael que estava na porta ainda e fala:
- Este é Gabael Henzel Inacio professor Sérgio.
Sergio olha firme para Gabael e fala:
- Senhor Gabael, poderia me acompanhar até o laboratório?
- Porque? Nem faço parte da sua turma! - Gabael olha para a turma de alunos, entre eles estava seu irmão Galério. Ele olhava preocupado.
- Sem perguntas senhor Gabael. - Diz o outro professor secamente.
Sérgio sai da sala ao lado do rapaz e andando firme pelo corredor fala:
- Senhor Sérgio Henzel Inacio é o seu nome correto?
- Sim senhor. Mas eu não consigo entender...
- Você tem um irmão não é?
- Tenho dois professor. Mas...
Eles entram num corredor todo feito de vidros. O teto era também feito de vidro feito uma estufa. Do lado de fora a noite era escura e sem estrelas. Esse corredor seguia até uma porta fechada de metal, parecida com elevador. Sérgio aperta um botão e surge um local para colocar a digital perto da porta. Sergio coloca a digital e entra. A porta se fecha atrás de Gabael. E ele vê o laboratório que Sergio a algum tempo suicidou-se.
- Senhor Gabael...
- Por favor professor pare de me chamar de senhor. Estou ficando preocupado.
- Senhor Gabael. -Diz Sérgio forçando ter paciência com o menino. - Estou te oferecendo uma oportunidade unica. E você foi escolhido entre os milhares estudantes dessa faculdade para poder ser cobaia de um experimento único neste mundo.
- Cobaia? Eu? O senhor tá me achando com cara de rato?
- Cale-se senhor Gabael! - Diz Sergio perdendo a paciência. Ele se controla mais uma vez. - Você gostaria de conversar com seus pais?
- O que? Eles morreram?
- Não. É isso que é  o experimento que estou fazendo. Uma conversa da pessoa viva com a pessoa morta. Vá para casa e pense. Se quiser conversar com seus pais venha até mim nesse dia e horário marcado aqui.
- diz Sergio anotando o horário num papelzinho.
- Mais é claro que eu quero conversar com meus pais. Pode mandar bronca prof.
- Venha nesse dia e nesse horário aqui no meu laboratório que vocês teram essa conversa.
- Porque não pode ser agora? Já estou aqui mesmo.
- Porque não Sérgio. Tem que ser no dia e horário combinado.
- Mas você chama eles que eu espero. Não tó afim de ver a aula de história mesmo.
Sérgio se controlando fala:
- É só no dia combinado!
- Porque não agora?
- Porque não seu menino indecente! - Diz Sérgio abrindo a porta do laboratório e empurrando Gabael para fora.
Gabael sai rindo e encontra Ailton, mordomo de Sheron,  no meio do corredor do colégio.
- Ailton? Beleza?
- Beleza Gabael. Estou esperando a Severina sair. Você viu ela?
- Não. Bora esperar ela lá fora. Não tó afim de ver a aula de história.
Eles saem para um pátio cheio de árvores e bancos. Eles se sentam num banco e Gabael fala:
- Você não sabe o que o doido do Sergio me pediu agorinha a pouco.
- Quem é Sergio?
- É o professor maluco de ciências daqui da faculdade.
- Nunca vi.
- Ninguém que não faz faculdade nunca viu ele. Ele fica o tempo inteiro infurnado naquele laboratório. Acho que até mora ali. Sei que ele me falou que vou poder falar com meus pais.
- Como assim? Tipo assombração?
- Não. Pelo jeito é tipo telefone ou bate-papo mesmo.
- Será que isso dá certo Gabael?
- Não sei. Sei que o cara me deu o dia de vir aqui no laboratório dele e vou vir.
- Legal. - Diz Ailton com cara de quem estava tendo uma ideia.
- O que você está pensando Ailton. Você tá uma cara de quem teve uma ideia.
- Eu tive. Vou ajudar a Sheron a resolver o probleminha com a perua que tá hospedada no casarão dela.
- Como?
- Ela vai assombrar a coroa até ela fugir de lá.
- Mas acho que as coisas não é bem assim.
- Que seja o que for. Só de eu dar essa dica pra chata da Sheron ela já vai ficar felizinha e vai me dar o aumento que estou querendo faz tempo.
De repente uma linda mulher aparece no corredor do colégio indo para o pátio também.
- Vamos Ailton?
- Já estou indo Severina. - Ailton se vira para Gabael e fala sério. - Valeu cara. Te devo um cerveja.
Ele se encontra e beija a menina e os dois saem abraçados para fora da faculdade.
- Não gosto que ande com esse menino Ailton. Ele é um vagabundo e a namorada dele é uma piranha. Não é boa imagem que vai dar para o meu irmão e meu pai.
- Ai Severina. Você se preocupa demais com o que eles vão falar.
- E ai? Já conseguiu o aumento pra gente poder casar?
- Não. - Diz eles andando pela rua de Erotildes a pé. - A Sheron está nervosa porque querem aumentar o imposto dela. Querem que a mansão dela se torne uma hospedaria e Roberta dá a maior força nisso.
- Essa Roberta é uma fresca nojenta. Viva arrastando asa para o meu pai. - Diz ela nervosa.
- O seu José também não é bobo nem nada. Eu não dou dois tempos para ele meter o pé na bunda da dona Arabela.
- Minha mãe é muito besta também. Porque não querer rejuvenescer? Pois trate de pedir aumento logo que quero mudar daquela bordel que meu pai chama de casa o mais rápido possível.
- E pra onde vamos querida. Aqui em Erotildes só existe local lotado.
- Se vira Ailton. Sei que você não é quadrado e que não vou sair de Erotildes.
Ailton para  diante a antiga mercearia do Ricardo. E Severina despede de Ailton com um longe beijo muito quente para todos que passavam na rua. Ailton ainda grita para José que estava lá dentro vendo a cena constrangido:
- E ai sogrão? Beleza?
José com cara nervoso fala:
- Tudo bem Ailton?
Ela entra subindo as escadas sem nem cumprimentar o pai.
Ailton segue pela rua que estava lotada de gente e vai até a mansão de Sheron. Ao entrar se depara com Sheron olhando nervosa para Paula que estava falando com Elvira. As duas de pijama no sofá.
- Eu não estava conseguindo dormir Elvira. Eu estou com tantas idéias. O Leandro abriu minha cabeça.
- O que foi dona Paula. Conta logo!
- Eu vou transformar a mansão da Sheron num lar para pessoas abandonadas.
- O que? - Pergunta Elvira com um grande sorriso.
- O que? - Pergunta Sheron e Ailton assustados.
- É isso que você ouviu Elvira. Eu cansei de usar meu dinheiro vulgarmente. Vou fazer algo útil. - Diz Paula toda animada. - Amanhã de manhã eu vou com o Eliano para um desses lugares existentes em Erotildes. Eu pesquisei na internet e vi que é um lugar que precisa de muita ajuda. Eu vou dar essa ajuda.
- Mas aqui na mansão dona Paula?
- Aqui não! Na minha mansão não sua monstra! - Grita Sheron enraivecida.
- Sim Elvira. Aqui! Eu vou fazer uma reforma boa nos quartos de visitas. Eu estou cansada desse silencio. Eu quero barulho, eu quero gente. Eu vou contratar professores para dar cursos personalizados de algo que vai fazer essas pessoas melhorem de vidas.
- E vai atender que tipo de gente?
Paula com um grande sorriso.
- Desde mendigos, crianças... até usuarios de drogas. Podemos dar o tratamento correto para elas.
Roberta chega da cozinha com o café de Sheron falando com um grande sorriso.
- Como pode existir uma pessoa tão boa quanto essa Paula em?
Sheron a bandeja de café no chão e fala nervosa:
- Essa mulher quer transformar minha mansão numa boca de fumo e você fala que isso é bom Roberta!
- Dona Sheron, não é assim. A Paula quer ajudar essas pessoas. E você podia tomar o exemplo e fazer o mesmo. Todos sabem como estão as pessoas que usam drogas na casa da dona Pérola. Se a senhora procurasse fazer isso resolveria até o seu problema. O governo até ajuda casas que trazem esse beneficio para a sociedade.
Sheron olha para Roberta como se fosse arrancar o pescoço da pobre menina.
- Eu não vou transformar minha mansão num albergue de porcos! Se eles quiserem aumentar o meu imposto que aumentem.
Sheron sobe as escadas nervosa para o seu quarto e Ailton vai atrás. Roberta sem se abalar pelos berros da chefe fala para Ailton:
- Ailton ajuda a faze-la entender que o dinheiro dela está acabando. Se não ela não terá dinheiro para pagar o salario de ninguém.
- Você tá louca. Eu quero é que ela se exploda. Logo vou sair daqui de Erotildes.
- A Severina nunca vai sair daqui.
- Se ela não quiser eu vou sozinho. Não vou passar a eternidade aqui não.
Ailton termina de subir as escadas e bate na porta do quarto de Sheron.
- Senhora Sheron. Tenho uma noticia boa para alegrar sua noite.
Ailton toma a liberdade de abrir a porta. Sheron deitada na cama chorava.
- Não tem noticia que me alegrara Ailton. Não existe.
- E seu eu disser para a senhora que tem como a senhora assombrar a Paula? - Pergunta Ailton se aproximando da cama.
- Você acha que eu sou boba Ailton. - Diz Sheron séria, demonstrando que aquilo tudo era só mimo. - Todo mundo sabe que esse negócio de morto assombrar vivo é só em filme de terror. Não tem como ter contato entre um mundo e outro.
- O Sérgio consegue.
- Quem é Sérgio?
- Um cientista da faculdade da minha namorada. Ele está fazendo um experimento para os primeiros contato.
- Eu preciso falar com ele Ailton! - Diz Sheron se levantando da cama. - Eu vou assombrar a Paula de uma forma que ela nunca mais vai querer pisar os pés na minha mansão! Ela vai chorar feito um bebê. - Diz Sheron abrindo um sorriso maligno. Quero esse tal cientista amanhã aqui, na minha mansão!