terça-feira, 7 de maio de 2013

Capitulo 36 - A chegada de José no Japão.

- A próxima passagem para o Japão será... - diz a jovem atendente do aeroporto do lado da atendente viva do aeroporto que olhava no computador, para falar a um senhor de idade que estava na fila ao lado, que era dos vivos. A mulher olha constrangida para Arabela. - Espera só um pouquinho, é que teremos que esperar alguém vivo querer uma passagem para o Japão.
Arabela está linda, com os cabelos pendurados do mesmo jeito que antes, com  o mesmo vestido florido, só que agora era jovem. Seu neto Ricardo também estava do seu lado ansioso. A mulher olha novamente constrangida para Arabela e fala:
- Se a senhora quiser se sentar. Assim que aparecer a informação no visor do computador eu a chamarei.
Arabela e Ricardo se sentam no chão, pois o aeroporto estava lotado de gente viva e morta. Ricardo segura a mão da avó e fala:
- Calma vó. Você vai conseguir ir para o Japão e achar o vô.
- Será que ele vai me querer Ricardo? Será que vai valer a pena?
- É claro que vai vó. Você e o vô foram feitos um para o outro. Não vão conseguir ficar separados.
- Tenta ligar para ele.
- Não adianta vó. Os celulares são desligados no avião.
- Porque meu Deus? Se não tem como um celular fantasmagórico dar interferência no rádio de um avião dos vivos.

José triste está sentado no escuro no meio do bagageiro do avião. Roberta estava do seu lado e Link Gocal do lado de Roberta. Roberta animada se vira para Link e fala:
- Eu nunca viajei de avião, nem quando viva e nem depois de morta. Jamais imaginei que os mortos viajavam no bagageiro dos aviões.
Link explica rindo:
- É no bagageiro, nos corredores do avião. A superpopulação morta está um caus e estamos sempre dando um jeitinho.
A turbulência faz todos os passageiros se segurarem um no outro. O método de segurança possível.
José finalmente fala:
- Link, é verdade o que agente vê na televisão no Japão?
- Sim José. Se aqui em Erotildes que é uma cidade pequena está esse caus, imagina no Japão que nos vivos já é super lotada a cidade. Lá somente muita organização para poder manter a calma do povo. Lá para cada pessoa que entra, uma tem que sair. Isso sem contar as filas para andar na rua. Terão que enfrentar muito estresse por esses meses que ficarmos aqui.

- Senhora Arabela!- Diz a atendente morta do aeroporto. Arabela e Ricardo se levantam de uma vez.
- Sim? - Diz ela se aproximando.
- Aqui. Temos duas passagens daqui a três dias.
- O que? Três dias? - Pergunta Arabela apavorada.
- Sim infelizmente. A cidade do Japão tem uma superpopulação. E para cada pessoa que entra uma tem que sair. É difícil de achar uma vaga. Ainda mais duas. E no mesmo voou.
Ricardo olha para Arabela e fala:
- E uma passagem só. Tem para quando.
- A sim. Para uma pessoa tem para hoje a noite.
Arabela olha apavorada para Ricardo.
- Ai Ricardo. Você, depois que morreu, tem sido um parceiro e tanto. Eu não queria ir sozinha.
- Você tem que ter coragem vó.
- Eu nunca fiz nada sozinha Ricardo. Sempre tive ou meu pai, ou meu marido.
- Chegou a hora minha avó de a senhora mostrar que dá conta das coisas sozinha. Vai e ache meu avô e seja sua companheira. Apoio nos seus sonhos. E se adapte a realidade que ele queira. Não digo para a senhora sempre se abaixar para o que ele quer. Mas ele quer uma nova Arabela. E a senhora tem que demonstrar que não é só sua aparência que mudou.
Arabela sorrindo se vira para a atendente e fala:
- Pode reservar minha passagem para hoje a noite senhora.

José olha triste para a sua aliança em sua mão esquerda tristemente e Roberta carinhosamente fala:
- É engraçado que aqui no mundo dos mortos não dê para trocar de roupa e por causa disso, por mais que os casais se separem, as alianças também não saem, não é.
- Se torna parte da gente. - Diz José com um sorriso triste.
- Ela sempre vai estar lá nos lembrando de que pertencemos a alguém no mundo dos vivos.
- Nunca gostei desse termo. - Fala José sério. - Muita gente, pensa que somos pertences quando nos casamos. Eu nunca pensei dessa maneira. Não somos uma coisa. Gosto de pensar que quando nos casamos  é apenas mais uma ligação de amor, de carinho. E não tem nada a ver com objetos. - Diz ele mostrando a aliança. - A verdadeira aliança é invisível Roberta. É a aliança do coração.

Arabela e Ricardo chegam no mercado que era de Ricardo, no mundo dos vivos, e que de noite era um bar do pai de Ricardo. E assim que chegam se deparam com duas pessoas. Uma delas é Araí que olhava firme e um pouco envergonhada para o filho Ricardo. E a outra pessoa é Severina que olhava nervosa para a mãe.
Fábio se aproxima de Araí e juntos levam o filho para o quarto lá em cima. Severina vai até a mãe já gritando:
- Que conversa é essa de que você e o papai vão para o Japão? E porque você rejuvenesceu também?
- Filha por favor. Eu não estou... - Diz Arabela demonstrando frágil e indo para a sua casa vizinha.
-Você é muito besta mesmo mãe. Foi cair na lábia do pai. Ele já foi né? O Fábio me contou toda história. O vexame que ele te fez passar aqui. Ele age como se tivesse quinze anos. Um velho caduco daquele. Não é porque deixou de ser velho, que deixou de ser um velho caduco não...
- Chega Severina! - Grita Arabela nervosa no meio do quintal para todos ouvirem. - Você pensa que é quem para julgar os outros? Você ainda não aprendeu nada da vida menina. Ficou a vida inteira escondida aqui ó... na aba da minha saia. Já tava na hora de nos deixarmos você e seu irmão viver a própria vida.
- Que vida? A senhora ficar correndo atrás do meu pai o resto da eternidade. Ele nunca vai te dar valor mãe.
- Quem tem que dar valor em mim é eu mesma. E seu pai sempre me mostrou isso. Eu é que não queria ver. Eu sempre fui covarde. Dependendo dos outros até para ser feliz. Aprende uma coisa Severina, a única pessoa que pode fazer a nossa felicidade acontecer é agente mesmo. Se você é triste e amarga, a culpa é só sua.
Severina finalmente fica calada. E Arabela vai para dentro do seu quarto.

Fábio e Araí dentro do quarto olhavam para o filho sentado na cama. Ele olhava triste e envergonhado para a mãe.
- Eu sei porque a senhora está aqui.
- Filho,  você bateu no Arinaldo?
- Mãe, eu fiquei sego. Não consigo ver vocês, um sem o outro. - Diz Ricardo nervoso.
- Mas meu filho. É agente que tem que decidir se queremos ficar juntos ou não. Você não pode é querer ver agente sem você. - Diz Fábio com carinho. - Agente sempre ser seus pais. Pela toda eternidade.
- Não importa o que aconteça. Mas se agente é mais feliz separado. Qual é o problema? - Diz Araí.
- E você vai ver que o Arinaldo é um cara legal. - Fala Fábio assustando Ricardo.
- Você pai? Falando isso?
- Quando sua mãe morreu e veio para cá Ricardo, ela soube me esperar com toda paciência do mundo. Quando eu morri, conversamos e vimos que no mundo dos vivos, nos não nos dávamos tão bem. E prendidos num lei, numa regra da sociedade, ou religião, nos vemos presos num relacionamento que não nos fazia feliz. Ficávamos juntos apenas porque tínhamos um compromisso.
Araí continua:
- Ficamos tão felizes sozinhos, eu aqui e Fábio lá que vemos que podemos ser grandes amigos. Mas sem compromisso nenhum.
- E Arinaldo que frequentava o bar começou a se envolver com a sua mãe. E eu tive certeza que não restava nenhum sentimento, porque não me importei.
- Você entende meu filho. Que somos felizes assim. Porque ficar triste porque somos felizes? Tem algum sentido?
- Vocês estão certo. Eu fui infantil mesmo. - Diz Ricardo triste pela sua atitude. E abraça os pais. - E fala. Acho que mexeu muito comigo o envolvimento de Fernanda com o Selmo.
- Se ela te amar mesmo meu filho. Quando vier para cá, ficará com você. Mas se não... o jeito é tocar a vida. - Fala Fábio.
Ricardo olha para Fernanda que saia de toalha do banho com alegria e entrava no quarto. Ela com alegria se preparava para o encontro com Selmo.
- É difícil meu filho. Mas isso serve pra gente perceber que ninguém é de ninguém. Nos temos que aceitar que nossos relacionamentos são apenas momentos felizes que vivemos com alguém. E aceitar quando acaba.

- O avião ira pousar em alguns segundos. Apertem o cinto. - Diz uma voz eletrônica ao longe. Uma aeromoça que caminhava pelo bagageiro fala:
- Se segurem pessoal. Vamos pousar.
José se segura a Roberta e a um outro senhor do seu lado. E de repente um solavanco faz quase todos caírem deitados no chão e soltarem gritos de horror. Logo a turbulência termina num pouso. A aeromoça se levanta e fala ajeitando o cabelo no coque novamente:
- Passageiros se encaminhem para a porta de saída e esperem a fila andar para pisarem em solo japonês.
José se levanta e ajuda Roberta e Link a se levantarem e em fila sairem do avião. Mas ao sair. José se dá conta que por essa estadia no Japão teria que enfrentar muitas filas. Já no aeroporta o corredor de saída do avião já estavam lotado de pessoas. Não tinha espaço para andar. Se você tirasse o pé do lugar só poderia colocar quando a fila andasse. José se apavora e olha para Link em meio ao burburio de pessoas conversando. As pessoas traziam livros e note-books para lerem enquanto andavam na fila. Depois de duas horas conseguem sair do aeroporto. E José vê com pavor que toda a cidade era daquele jeito. Os carros dos vivos transpassavam as pessoas nas enormes filas. As ruas eram lotadas e não tinha espaço nem para respirar... isso se eles ainda respirassem.
- Meu Deus Link! Em todo local é assim?
Link grita para ele em meio a gritaria das pessoas ensurdecedoras.
- Sim José. Sempre.
- Minha nossa Link! E aonde aonde vai morar?
- É por isso que o José está aqui. Para resolver esses problemas. Vamos na loja aqui do lado para comprar comprar alguns comunicadores. Se não vocês vão ficar surdos.
- Comunicadores? - Pergunta José aos berros.
Link tira o seu de uma bolsa e coloca no ouvido. Mas continua a berrar.
- É assim que aqui se comunicam as pessoas. Se não todos ficariam roucos ou surdos.

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