Arcádio sobe as escadas com calmo. Estava nervoso. Os pais não entendiam como ele amava a esposa. E como era difícil viver a morte sem ela.
Arcádio bate na porta do quarto da mãe e abre de vagar. Arcélia estava na cama deitada de costas para a porta. Quando percebe que alguém entrou no quarto se vira e abre um sorriso entre as lágrimas. A mãe estica os braços e ele corre até a cama e o abraça. Ela sentada na cama coloca a cabeça do filho no colo e alisa seus cabelos.
- Seu pai quer que eu deixe você Arcádio. Mas sei que precisa de mim.
Arcádio se levanta com um sorriso e fala:
- Mãe, eu sempre vou precisar de você. Mas eu também sei passar pelos meus desafios sozinho. Eu caio de vez em quando, mas sei a hora de parar de chorar e levantar. E está chegando a hora de eu parar de fazer birra por que algo não saiu como eu queria, aceitar o que eu tenho e agir.
A mãe com carinho abraça o filho e fala:
- As vezes agente esquece que o filho da gente não tem mais oito anos.
Arcádio se vira para a Arcélia e fala:
- Agora dessa naquela sala. Dê um grande beijo no meu pai e fale para ele que vai adorar viajar com ele.
- Eu vou. - Diz ela rindo. - Me dá um só um tempinho para ajeitar a maquiagem. Eu estou horrível. - Diz ela se levantando da cama. Arcádio também se levanta e sai do quarto com um sorriso no rosto. E desse as escadas e vê Maria no sofá sentada. E respira fundo. Chegou a hora de Maria viver a vida dela e ele viver a sua morte. Quando vai para sair de repente Werner abre a porta correndo e Maria vai atrás dele.
- Que correria é essa menino?
- Estou atrasado para a festa da Isabela.
- Você não vai para essa festa Werner! Você não vai! - Grita ela vendo o filho só pegar umas roupas e saindo nervoso de casa. Ela tenta segurar o braço dele e ele puxa o braço e sai batendo a porta. Deixando a mãe chorando sentada no sofá. Arcádio olha triste para a cena. Mas ele respira fundo. Desvia o olhar da cena e respirando fundo, segurando as lágrimas e sai de casa. Não ia mais ficar preso a Maria. Ia lutar por sua vida depois da morte.
Werner desse o quarteirão e vira a direita. Estava nervoso mas feliz. Não ia mais ficar preso ao que a mãe queria. Não tinha culpa da morte do pai. E não ia perder sua juventude para ficar assistindo novela com a mãe. Um dia ou outro até que iria. Mas um dia que ele ia para uma festa ela implicava. Werner não sabia como estravasar sua raiva. Ia para a festa da Isabel e iria fazer tudo o que a mãe não queria. Iria encher a cara. Chegar bêbado em casa. Assim ela ia ver que ele controlava o que queria. Mas sua raiva passou quando ele se aproximando da casa de Isabela aonde tinha a festa, viu entrar uma linda menina, que Isabela recebia com muito carinho.
Ela entra na casa em meio ao amontoado de gente que dançava ao som da banda ao vivo. Werner se aproxima da porta, na qual Isabel colocava um pouco de lixo para fora.
- E ai Isabel? Muita bagunça na festa?
Ela rindo abraça e beija Werner no rosto.
- Que bom que pode vir Werner. A festa só está começando. Entre. Vou te apresentar alguns amigos.
Eles entram e em meio a música alta ele fala ao ouvido dela.
- Na verdade eu estou interessado em só uma pessoa que vi entrando agora a pouco.
Isabela olha rindo para Werner e fala:
- Você tá interessado na Clarinha? Eu vou apresentar vocês. - Diz ela correndo segurando a mão dele em meio ao montoado de pessoas. E parando de frente ao sofá da casa que estava escorado a parede. E Clara sentada lá bebendo.
-
- Clarinha querida quero que conheça Werner. Werner essa é a Clara. - Diz Isabela colocando Werner sentado do lado dela no sofá. E falando para o pavor de Werner. - Ele está afim de você. - Ela sai deixando os dois sozinhos sentados um diante do outro. A banda começa a tocar uma música mais romântica. Werner está tímido e vermelho. Clara começa a rir e fala para quebrar o gelo:
- A Isabela é tão discreta não é?
- Mais discreta impossível. - Fala Werner rindo.
- Mas mesmo assim eu adoro ela. - E acaba ficando um silêncio novamente. E Clara novamente solta mais uma frase que deixa Werner chocado.
- E você está mesmo afim de mim?
Werner fica vermelho novamente e tomando coragem fala junto ao ouvido de Clara, se aproximando dela, e sentindo o perfume de seus cabelos.
- Você é muito linda.
Ele olha para ela e passando a mão em seus cabelos e o colando atrás da orelha dela. Clara olha para ele com um olhar sedutor. E eles se beijam.
Isabela rindo pula de alegria gritando:
- Eu sou um ótimo cupido!
Ela sai rindo para a cozinha carregando uns copos que estavam no meio do chão e quando entra encontra Lecir. Ele estava tomando água. Quando a vê ele fala:
- Tudo certo ai Isabela?
Isabela rindo se aproxima dele e fala:
- Tudo ótimo. Estava vendendo feito ouro, viu?
- Duas dessas já paga a sua festa inteirinha. - Diz ele mostrando um comprimido.
Isabela some o sorriso e fala:
- Guarda isso Lecir! Te falei que tem que ser tudo nas sombras.
- Mas você tem que fazer a propaganda. Se não ninguém vai comprar.
- Quer que eu coloque um anuncio? Se minha tia ficar sabendo já era.
Lecir vai pra cima de Isabela beija ela e coloca um comprimido na boca dela. Ela rindo o beija novamente. E Lecir sai da cozinha rindo e dá de cara com Tuca no meio das pessoas dançando. Ele não estava com uma cara muito boa. Ele puxa Lecir pelo braço até o banheiro. Os dois entram e ele fala:
- Dois meninos foram chamados pela policia ontem para fazer um depoimento sobre aonde eles compravam drogas. Os pais deles o obrigaram a fazer isso. Já sabem que foi aqui na festa da Isabela. Quero que vai lá e mate os dois meninos e os pais.
Lecir estava assustado.
- Eu não...
Tuca da um soco na parede assustando mais ainda o rapaz.
- Você é o culpado. Você que teve a ideia de vender nessa festa! E você vai resolver esse assunto! O endereço está nesse papel. Faça o serviço.
Lecir sai do banheiro. Todos dançavam como se nada tivesse acontecido. De relance, atordoado ele via os jovens usando o comprimido que ele vendia. Nunca tinha matado ninguém, e nunca pretendeu matar, apesar de estar num ramo tão complicado. Apavorado Lecir sai da casa de Isabela e encontra Lee da casa conversando com um grupo de garotas. Ele ria despreocupado. Lee iria ajudar. Ele tinha certeza.
Ele sorrindo vai até o amigo e fala para as garotas que o acompanhava.
- Desculpe garotas. Mas vou ter que roubar meu amigo um pouquinho.
Lecir puxa Lee pelo braço. E logo ele percebe que Lecir estava nervoso, branco, parecendo que iria desmaiar a qualquer momento.
- O que foi Lecir?
- Deu merda Lee. O Tuca quer que eu mate uns moleques.
Lee olha assustado para as meninas que aguardava ele. E olha de novo para Lecir.
- Merda. O que foi que eles fizeram?
- Tão abrindo a boca pro Daniel. Ele quer que eu mate eles e os pais. Eu não vou dar conta Lee. E se não fizer eu tó morto cara.
- Filho da puta! - Diz Lee passando a mão no rosto nervoso. - Eu faço isso pra você cara. Eu faço.
Lecir abre um sorriso em meio a cara de desespero.
- Jura Lee? Valeu cara. Eu vou te dever minha vida.
- Seu pai me fez prometer que eu ia te proteger Lecir. E eu vou. Tá com o endereço ai? - Pergunta Lee já entrando dentro de um carro estacionado na calçada. Lecir entra no carona e o carro sai cantando pneu.
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