Helenita e Helia eram muito novas quando sua mãe morreu num trágico acidente de carro. Helenita e Helía já eram adolescentes e juntas resolveram continuar suas vidas. Helía resolveu ser professora, e Helenita virou assessora de festas. Elas quase não se encontravam. Pois Helenita trabalhava a noite, e dormia de dia, e Helia trabalhava o dia inteiro e dormia de noite. Essa rotina era inclusive nos finais de semana, feito cursos de profissionalização.
Porém sempre tinham o carinho uma pela outra de deixar um recadinho na geladeira, falando o que deveria ser feito nos trabalhos de casa e junto de algo carinhoso como : "Minha irmã querida."
Mas num fim de noite que Helenita chegou em casa, ouviu um choro de uma criança. E finalmente elas se encontraram depois de quase cinco anos nessa rotina. Helenita foi ao quarto da irmã e a acordou. E para a surpresa de Helenita ela estava com uma criança nos braços.
- O que é isso Helía?
Helía a olhou envergonhada.
- Essa é minha filha Helenita. Não queria se envergonhasse de mim.
- Você casou e não me falou nada? Cadê o pai dessa criança?
Helía apenas abaixou a cabeça. E Helenita entendeu que aquela criança não teria pai.
Helenita percebeu outra coisa. Que aquela rotina era muito estranha. Para a irmã ficar gravida, passar nove meses e ela não ver nada. E por culpa passou a se dedicar a criança quando estava em casa.
E a menina que teve o nome de Isabela passou a ter duas mães. Uma de noite e outra de dia.
Porém a menina acabou sendo a discórdia das duas irmãs.
Enquanto Helenita dava liberdade demais para a sobrinha a noite, a deixando ficar acordada e comer o que queria. A mãe, Helía, fazia de tudo para a filha ser educada, com boa alimentação e cheia de regras.
Isso acabou fazendo Isabela gostar mais da mãe de noite do que de dia. E causou que os bilhetinhos deixados na geladeira ficassem menos carinhos e com muito mais ofensas.
A batida na porta do quarto ao lado faz Helenita abrir. Helenita era uma senhora já. Olhos cheios de rugas e cabelos brancos começando a aparecer em meio ao cabelo pintado de preto. Ela se levanta da cama, sendo que era noite escura, e troca de roupa rapidamente. Ela apesar de ser uma senhora se vestia muito bem, e também se maquiava, além do salto alto que usava.
Ela sai para a sala, aonde Isabela via televisão. Isabela estava com doze anos. E via televisão e comia pipoca.
- Uai? Sua mãe não te colocou para dormir hoje não?
- Ela ainda não chegou.
- O que? - Pergunta Helenita indo até a geladeira e colocando um refrigerante no copo e preparando ovos fritos para ela. - Mas eu ouvi a porta do quarto dela fechando.
- Foi impressão sua. Não ouvi nada tia.
- Você nessa televisão não vê mais nada.
Diz Helenita finalmente olhando o recadinho daquele dia.
"Você é uma falsa e covarde! Arranquei da Isabela que você deixou ela sair para uma festinha ontem. Ela está de castigo!"
- Você está de castigo, sabia? - Fala Helenita em tom de zombaria para Isabela, que olha para a tia rindo.
- Minha mãe não entendia tia, que eu já cresci.
- Ela vai entender isso mais cedo ou mais tarde Isabela. - Diz ela abrindo a porta do quarto da irmã para conferir mesmo se ela não estava. - A Helía nunca fez isso. O que será que aconteceu.
De repente o telefone toca.
Helenita abraçada a sobrinha chorava, vendo o corpo da irmã no caixão. Flores envolta de seu rosto branco e sem vida. Isabela aos prantos alisava o rosto da mãe sem vida falando.
- Mãezinha querida... mamãe.
Naquele momento Helenita sabia que agora seria somente ela e a sobrinha que amadurecera tudo que tinha para amadurecer em menos de treze horas.
Helenita preparava mais uma mala de viagem em seu quarto. Isabela bem mais crescida olha para a tia arrumando a mala. E fala com tranquilidade:
- A senhora está com um aspecto horrível.
- Essa ideia da Rachel de abrir a filial da casa de festas em Satsil está me destruindo. Volto daqui duas semanas. E não quero que volte tarde da festa na casa da Lu. - Diz Helenita colocando mais um par de meias na mala e fechando.
- Não vai mais ter.
- Não? Porque? - Pergunta Helenita se sentando e olhando para sobrinha que lambia uma colher de brigadeiro.
- Porque a mãe dela não gostou da ideia de todas as amigas fazerem algazarra na casa dela.
- Então chame suas amigas e façam a festa aqui. Afinal de contas, a Lu não pode ficar sem festa de aniversário por causa da chata da mãe dela.
- Jura tia? - Diz Isabela abrindo o sorrizão. - Você é um máximo! - Isabela pula nos braços da tia.- Você pode fazer a festa que quiser aqui Isabela, afinal de contas a casa também é sua. Só que não quero ver é bagunça.
- Você é a melhor tia do mundo. Vou ligar para a Lu para contar.
Isabela e Lu terminam de arrumar a casa que tinha ficado uma bagunça por causa da festa. E Lu, uma menina alta, negra de cabelos encaracolados fala:
- Nossa Isa, foi a melhor festa da minha vida.
- Você mereceu Lu. Não merecia ficar sem uma festa de aniversário.
- Sua casa é grande e espaçosa. Ótima para dar boas festas.
- Não aguento é essa bagunça. Se não fosse eu para arrumar tudo sozinha, minha tia até deixava eu trazer todo final de semana as meninas aqui toda semana.
- É só você contratar alguém para limpar depois Isa.
- Com que dinheiro? O seguro da minha mãe mau dá para pagar a escola.
- Pedi uma contribuição de entrada para as festas que você for fazer.
Isabela olha para Lu rindo.
- Será Lu? Cobrar entrada das pessoas que vierem nas minhas festas.
- Você pode ir além. Abrir uma casa de festas na sua casa. É espaçoso.
- No inicio a empresa da minha tia era aqui. Depois é que abriu o primeiro prédio. Vou conversar com ela, quando ela chegar para ver o que ela acha.
- É uma ótima ideia Isabela. - Diz Helenita lanchando em sua casa. - É um jeito de complementar a renda que falta aqui em casa.
De repente a casa de Helenita e Isabela se tornara uma casa de festas. Com fila para entrar e segurança na porta, e muita bebida e som alto, e muita bagunça para os jovens de Erotildes. Helenita nunca ia lá, pois vivia viajando. E mau sabia que muitas vezes essas festinhas de Isabela ia longe demais. Na piscina da casa, Isabela andava na água segurando uma taça de chappaing em meio a uma muvuca de pessoas seminuas, e se aproxima de Lecir que também estava dentro da piscina escorado no peitoril.
Isabela beija Lecir e fala rindo.
- Vê que sucesso que é isso aqui?
- Você deve estar rachando de ganhar dinheiro.
- Até que não. - Diz ela fazendo careta.- É mais pela diversão. Agente aumenta um pouquinho a entrada o povo já fica revoltado.
Com um sorriso sedutor Lecir fala:
- Eu tenho algo que vai fazer o dinheiro cair em milhões na sua mão.
- O que? - Diz Isabela se agarrando ao pescoço dele e lhe beijando. Ele desvencilha um braço e mostra rindo um comprimido. - O que é isso? Droga?
- Não. É só algo que está fazendo sucesso em todos as festas do exterior.
- Isso é droga Lecir.
- Que isso mina? Não sabia que você é careta assim.
Isabela fica meio insegura e se afasta e se senta no peitoril da piscina mostrando que estava com um biquini de estampa de oncinha bem menor do que uma menina da idade dela deveria usar. Ela pega o comprimido e pergunta:
- Isso não é legal, não é Lecir?
- É de gente segura. Não tem erro. A policia tá envolvida.
- Isso não vai causar problemas para mim, vai?
- Quem me pediu para sugerir isso pra você foi gente grande Isabela. Eles só querem que você compre deles, e você agende vende pelo dobro do preço.
- E eles compram isso mesmo?
- Não tem erro mina. Com isso, agente vai ficar milionário.
Ele agarra ela a trás de volta para a piscina a beijando. Ela rindo coloca o comprimido na boca do namorado e os dois se beijam.
Helenita caminha para fora do aeroporto de Erotildes carregando sua mala, era noite e ela chama um táxi. Logo um para um do seu lado e ela entra n no banco de trás colocando a mala do seu lado mesmo.
- Para o lado leste de Erotildes, por favor. - Diz Helenita séria.
O táxi sai e vira a esquerda, e Helenita fala séria.
- Vire a direita por favor moço.
E para o constrangimento de Helenita o táxi vira na direção constraria, a esquerda.
- Moço, por favor, eu não quero que pegue atalhos. Prefiro ir na direção certo.
Ele vira novamente a esquerda. E olhando nos olhos do motorista pelo retrovisor Helenita percebe que tem algo de errado.
- Para o carro por favor moço.
Ela começa a se desesperar e vai para agarrar a maçaneta da porta e o motorista aciona um sistema fazendo os pinos de travamento da porta se abaixarem sozinhos.
- Que brincadeira é essa?
Ele para o carro, no que Helenita reconhecia ser uma obra de um prédio abandonado. Os pinos se levantam e um vulto passa por trás do carro e abre a porta traseira do carro.
- Desce do carro.
Helenita fica paralisada. E o homem sem paciência aponta uma arma para Helenita pelo lado de fora do carro.
- Agora!
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